🏆1° na Categoria Melhor Cena de Conselho no Concurso BE Different.🏆
🏆1° no Concurso Diamante Negro - 2°edição.🏆
🏆1° na Categoria Melhor Casal no Concurso Sunflowers.🏆
🏆1° na Categoria Melhor Cena romântica no Concurso Jogos na Leitura.🏆
🏆2°...
Sinto o gosto metálico em minha boca antes mesmo da consciência me recobrar. Meu olhos estão vendados, apenas essa escuridão... Sei que estou em um lugar repugnante, o cheiro de velho e mofado é asqueroso. Tudo está quente e úmido. Fico imóvel por longos minutos, pensando no que posso fazer para sair de lá, considerando que minhas mãos e pés estão amarrados.
Tento me libertar das amarras, mas falho. Grito até minha voz ficar rouca, mas nada. Nem ninguém.
Depois de alguns tempo, escuto alguns murmúrios e passos adentrando o espaço. Parecem ser duas pessoas, mas eu não sei ao certo. Minha cabeça lateja e meu estômago reclama pela falta de alimento. Esses passos vêm em minha direção, consigo sentir. Prendo o fôlego, o medo percorre minhas veias e começo a suar frio.
— O que você quer? — Pergunto quando ninguém diz nada.
Uma risada soa pelo espaço, é uma voz feminina ou masculina? Não tenho certeza. Como se de alguma forma a pessoa estivesse segurando um tecido em sua boca para não ser reconhecida.
— O que você quer? — Repito mais firme. Não sei de onde tiro coragem para perguntar, mas o faço.
— Calada, garota. Você não tem o direito de fazer perguntas. — A voz fica mais audível, como se estivesse se aproximando.
Fico em silêncio. Pensando e tentando entender tudo isso...
— Você vai fazer o que eu mandar... Ok?
Minha cabeça lateja, lateja e lateja...
— Vou ligar para uma pessoa e você vai dizer exatamente o que eu mandar.
Não disse nada, e a pessoa continua.
— Você escutou o que eu disse? — Rosna a voz mais próxima agora. Muito próxima. Algo frio pressiona minha garganta. Uma faca, um movimento falso e eu terei meu pescoço dilacerado.
A pessoa fica em silêncio. Me recordo de que é uma figura masculina que me capturou, mas agora... Não sei ao certo. Está tudo muito confuso e embaçado. É assustador aqui.
— Não vou fazer nada do que você está falando. — Manifesto com um tom afiado.
Meu coração palpita e sinto dor nas bochechas. Sei que recebi um tapa.
— Faça o que eu mando. Caso o contrário, quem vai morrer serão as pessoas com quem você se importa! — A faca pressiona minha garganta — Como aquela sua amiguinha... Laura?
Como essa pessoa conhece Laura? Minha cabeça gira e sinto minha boca ficar seca. Muitas perguntas começam a surgir em minha mente.
— Se você tem algum problema comigo, resolva comigo. Não envolva outras pessoas. — Minha voz é determinada, e por um momento não tenho mais medo.
— Tem certeza? — Escuto um risinho. — Você quer mesmo ver sua amiga morrer?
Não me importo em morrer, mas Laura... Nunca me perdoarei se algo acontecer com ela.
— Tudo bem... — Digo em meio às respirações frenéticas — Eu vou fazer o que quiser, mas não faça nada a ela.
Algo frio encontra em minha bochecha. Não é afiado, mas percebo que é um celular. O meu celular. Ele não tinha descarregado?
— Fale exatamente o que eu disser.
Estou confusa. Mas é uma chance, poderei pedir ajuda.
— Não adianta pedir socorro. Caso o faça essa faca vai perfurar seu pescoço antes mesmo de você falar um "A" — Estremeço diante da ideia. Do aviso.
— Por que? Qual o sentido disso tudo? — Indago o que faz eu ganhar um "Cala boca" grosseiro. A pessoa coloca o celular em minha orelha. Não sei discernir os sons das discagens do meu coração acelerado.
Eu posso fazer isso... Eu consigo.
— Alô ? — Escuto Laura murmurar da outra linha do telefone. — Alô? — Ela repete quando não digo nada.
— Oi... Precisamos conversar.
Eu estou repetindo o que a pessoa sussurra em minha outra orelha. Laura fica tensa ao telefone como se pressentisse algo.
— Aurora, tudo bem?! O que houve?
A preocupação em sua voz é nítida.. Agradeço por estar sentada. A figura ao meu lado quer que eu diga coisas para Laura que eu não quero dizer. Porém logo me lembro da ameaça
"Faça o que eu mandar. Ou quem vai morrer vai ser sua amiga."
— Aurora?—Laura repete — Quer que eu vá para sua casa?
— Não venha. — Minha voz começa a tremular. — Por favor, não venha.
As palavras saem atropeladas à medida que as lágrimas salgadas deslizam pelo meu rosto, mas é o que a figura ao meu lado murmura para eu dizer.
— E- eu... — Não consigo dizer a última palavra. — Não... — Suspiro.
— Fale — A pessoa ao meu lado sussurra em minha orelha ao pressionar mais a faca em meu pescoço.
Pela segurança de Laura... Eu tenho que fazer isso. Mas não sei se consigo.
— Anda logo, garota! — A voz ao meu lado sussura irritada.
— Eu... — Suspiro fundo antes de continuar — N-não quero te ver. Eu... M-me cansei de você. Me cansei... da sua amizade. Não q-quero mais te ver...
Minha voz é quebrada e inconstante. Meu coração fica muito apertado dentro do peito. Posso sentir cada trecho de tristeza invadindo e inundando cada parte do meu corpo enquanto que um poço sem fundo se abre sob meus pés. Laura fica em silêncio por um longo minuto. Depois fala, sua voz não passando de um sussurro.
— Não sei o que tá acontecendo, mas você não tá falando sério. — A voz doce de Laura é calma e ao mesmo tempo urgente.
A pessoa ao seu lado sussurra uma última frase para ser dita. Eu não quero dizê-la. Não posso. Sinto uma picada em meu pescoço. A faca está muito perto de uma veia.
— Aurora, por favor...
Solto um soluço, lágrimas por todo meu rosto.
— Eu não quero ter ver... nunca mais. — Um choro cresce dentro de mim. — Desculpa...
Antes que eu possa completar minha fala, com um xingamento a figura desliga e sai do local. Prefiro a morte ao invés daquilo, mas ela ameaçou Laura. Não correrei o risco. Um nó forma pela minha garganta. Não queria ter dito aquelas palavras para minha melhor amiga.
Cada parte do meu coração se quebra diante do que acabou de acontecer. Eu gostaria de não ter dito aquelas palavras. Eu quero que isso seja um pesadelo. Isso não pode ser real. Caso seja, o que fiz para merecer tudo isso? E se Laura nunca mais olhar na minha cara?
Não sei se estou respirando ou se o meu coração ainda bate no peito. Realmente existem duas pessoas na sala, pois logo que uma sai, outra se aproxima. Paraliso, mas a pessoa apenas me alcança e força-me a beber um líquido. Tento cuspir, mas não consigo.
No final, o sujeito passa o polegar pela minha bochecha. Confusão e nojo transpassam de mim, pois o toque parece ser carinhoso. Mas antes que eu possa fazer qualquer coisa, minhas pálpebras se fecham... percebo que o soníferojá começa a fazer efeito.
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