Capítulo 39

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PATRICK

É hoje.

Hoje pode ser o dia que vai mudar minha vida. As nossas vidas, isso se Aurora disser sim.

Já preparei tudo, desde o lugar até a comida. Coloquei uma pequena mesa com dois assentos no meio no parque. Vai ser um jantar romântico sob as estrelas; simples, mas reconfortante. Do jeito que sei que ela vai gostar.

Caio e minha mãe me ajudaram a preparar tudo. Esse primeiro, já conseguiu arrumar um anel. Segundo ele, é de família e que é para eu tomar cuidado. Desde então, eu apenas poli o objeto e o deixei intocado na caixinha, pegando para o momento de enfim usá-lo.

Sempre pensei nessas coisas, porém nunca cheguei a imaginar que aconteceria comigo.

Olho para todo o local imaginando como ficará com a luz da lua e das estrelas iluminadas. Resolvi fazer o prato favorito de Aurora, strogonoff.

Estou apaixonado por ela. Acho que desde de quando nos esbarramos no corredor do colégio. Ela me faz sentir como nenhuma outra garota conseguiu. Mesmo que não perceba, me tem por completo. Cada parte de mim. Do meu coração, e nem faz ideia disso.

espero que ela sinta o mesmo por mim.

Mas não aguento mais. Não posso mais esperar...

Eu fui paciente, ou pelo menos, tentei. No entanto, depois do acidente, eu pensei melhor sobre tudo isso e cheguei a conclusão que eu tenho que fazer isso hoje, afinal, o melhor momento é agora. É claro que estou com medo, mas eu tenho que tentar pelo menos. Ainda estou tentando me convencer de que é o certo a se fazer.

Eu prefiro tentar agora, do que me arrepender depois. Tenho que mostrar meus sentimentos. O que aconteceu com Laura e Aurora, me mostrou que a vida é curta. Não posso mais esperar. Vou fazer isso, de alguma forma ou de outra.

Sinto minhas mãos suarem de nervoso conforme ando de um lado para o outro a fim de tentar controlar a crescente preocupação dentro de mim.

E se ela dissesse não? Talvez não queira algo sério.

Tento controlar os pensamentos descontrolados e meu coração trovejante no peito.

E se eu estragasse tudo?

Talvez eu esteja pensando demais... Mas não consigo controlar.

Em algum momento, paro e pego o celular, onde disco o número de Aurora. Espero ela atender, passo as mãos no cabelo em sinal de ansiedade

Disco uma. Na segundo toque ela atende

— Sim? — Escuto sua voz soar pelo telefone.

Consigo escutar murmúrios e movimentos soar do outro lado da linha. Provavelmente, está fora de casa, em um lugar público.

— Onde está? — Pergunto à guisa de um cumprimento.

— Ah, Oi, Patrick! Estou trabalhando. — Ela dá um suspiro cansado — Escuto um fafalhar de roupas e de passos.

Inseguro, troco o peso do corpo.

— Está cansada?

— Não muito. Porque?

Vamos , Patrick...

— Quer sair hoje à noite?

— Para onde? — Há um pouco de hesitação em sua voz.

— Você vai saber se aceitar — Tento soar confiante, com mistério, ao dar aquele sorrisinho que sei que ela ama. Mesmo que agora, ela não consiga ver.

— Você e suas surpresas. Devo me preocupar?

— Talvez. Isso vai depender de você.

Sinto que meus lábios se repuxam em um sorriso sincero, e escuto também uma pequena risada reverberando do outro lado da linha.

— Preciso voltar ao trabalho.

Assinto com a cabeça mesmo sabendo que ela não pode ver. Até lá... Vou tentar controlar minha ansiedade.

— Então tá. Até mais. — Me despeço, mas ela já desligou a chamada.

Apenas me sento em uma pequena bancada. E, encaro o parque, onde conversamos da última vez, onde Aurora permitiu estar vulnerável, onde comemos o lanche. Parece ter sido há tanto tempo. 

Naquela época, ainda estávamos nos conhecendo. Se alguém me dissesse tudo o que passamos desde aquele dia... Eu não acreditaria, mas não me arrependo de nada, pois tudo o que fizemos nos trouxe para onde estamos agora. Eu sou grato por cada momento.

Respiro fundo, ainda encarando o lugar. Hoje será um dia especial. Assim espero.

 Assim espero

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