Capítulo 21

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AURORA

Estou em uma rua deserta quando vejo Laura. Vibrante, alegre e linda como sempre. Laura me encara e começa a caminhar em minha direção, com o sorriso se abrindo em seus lábios.

A poucos metros de distância uma pessoa com capuz e uma faca na mão aparece atrás de Laura. Grito para avisá-la, mas nenhum som sai da minha boca. Tento correr, mas meus pés não se movem do chão.

Não posso fazer nada quando o sujeito segura minha amiga por trás e inclina a faca em seu pescoço. A figura encapuzada faz um corte tão profundo no pescoço de Laura que vejo a dor relampejar nos olhos esverdeados da minha melhor amiga.

Ela estava vindo em minha direção. Ela estava ali por mim, e eu não a salvei.

— Calma. É só um pesadelo! — Diz uma voz masculina em cima de mim, me segurando e sacudindo — É só um pesadelo...

Arquejo e ofego. Minha respiração acelera e meu coração bate rápido no peito pelo pesadelo. Levanto meu olhar e encontro olhos negros me encarando. Enquanto vou recobrando a consciência, percebo onde estou e que ninguém matou Laura.

Graças a Deus.

Patrick ainda me segura como se tivesse medo de que caso me solte eu desapareça. Aqueles olhos semelhantes ao breu noturno me encaram com um leve brilho de preocupação e desespero.

Com a bile subindo pela garganta, me levanto ao empurrá-lo de lado para poder passar. Vou correndo ao banheiro, onde me sento no chão, perto da privada, e começo a vomitar.

Escuto passos soarem em minha direção. Sinto Patrick parar a pouca distância de mim. Suavemente, ele pega meu cabelo e o segura por trás enquanto eu vomito o restante do jantar.

— O que você tá fazendo aqui? — Sussurro de modo ofegante ao encará-lo.

Passo as costas da minha mão pela boca, limpando o vômito recente.

— Eu vim ver se você estava bem... e perguntar porque você faltou à escola. A janela estava aberta, entrei e adormeci aqui. — Ele faz uma pausa antes de continuar — Desculpe... Eu iria embora, mas acordei com seus gritos... Eu não poderia deixar você sozinha. Não de novo....

Seu olhar escurece à medida que profere as palavras. Ele abre a boca para dizer algo, mas fecha rapidamente.

Já faz semanas desde que nos conhecemos e os meus sentimentos em relação a Patrick mudaram. É claro que não morro de amores por ele... Mas eu o entendo. Posso até dizer que me sinto confortável em sua presença. Mas é claro que eu não vou falar isso em voz alta.

Não impeço as lágrimas que deslizam por minhas bochechas. Estar vulnerável na frente dele dessa forma...

Patrick se aproxima, perto o suficiente ao ponto de eu sentir sua respiração quente em meu pescoço, e calmamente beija cada lágrima que desce pelo meu rosto. Ele parece não se importar com a mancha roxa adquirida recentemente. Depois beija outra. E outra. Até não sobrar mais nenhuma.

Meus olhos ganham um brilham de surpresa quando ele se afasta e finalmente posso encarar aqueles lindos olhos escuros.

Tento não pensar em como meu corpo reage à sua aproximação. O modo como estamos próximos... em como Patrick beijou suavemente e carinhosamente cada lágrima que desceu sobre seu rosto.

— Está tudo bem. Você está segura aqui.

Comigo. Ele não precisa completar.

— Não é comigo que estou preocupada. — Murmuro, com o olhar distante.

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