23 - Quer almoçar comigo?

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Nícolas Grent.


Eu não sabia por que eu tinha partido pra cima do garoto, tentando acabar com a raiva que eu senti naquele momento.
Na verdade, eu nunca fui de usar a violência, mas naquele momento, parecia que eu não tive outra opinião a não ser arrebentar a cara daquele imbecil.
Violetta é uma garota linda. E eu sei que já falei isso mais de mil vezes, mas nunca vou cansar.
Ela foi assediada na minha frente, na nossa frente e ele queria que eu ficasse sentado, de braços cruzados?

Eu sou homem e odeio homem que faz um tipo de coisa dessas. Homem machista, que tem a língua só tamanho do mundo.
Para mim, homem assim não poderia viver ou respirar o ar que Deus nos deu.
Mulher deveria ser respeitada, por que elas são delicadas, frágil, lindas e outras empoderadas e determinadas.

E era  incrível como ela me fazia senti sensações que eu nunca havia sentido antes. Ela me deixava bobo com cada sorriso que ela dava.
Violetta me deixava com um sorriso estupidamente gigante no rosto.
Eu nunca tinha me sentido mais besta e mais bobo como ontem.
Foi um dos melhores momentos que eu já passei ao lado dela. E também, foi pra comprovar que eu estava mesmo me apaixonando por Violetta.

Claro que aquilo ainda estava cedo, mas eu não importava. Para mim, só importava o que eu sentia por Violetta.
Eu daria tudo pra ver os sorrisos tímidos e gentis que ela dá. Imagine a alegria dela quando eu estendi a boneca da Barbie para ela. Também, quando ela soltou uma exclamação quando mordeu a maçã do amor. Quando ela foi para o  pula-pula com a Nathalie.
As duas pareciam umas crianças, mas eu e Ethan nem ligamos pra aquilo.

Ethan estava estranho. Ele não ficou a todo momento do lado de Violetta, querendo a atenção dela, ele só queria estar perto de Nathalie.
Fiquei até com medo dele está planejando algo e me desse um bote, tão severo como uma cobra venenosa.
E talvez, - sei que deve ser difícil -, mas quem sabe ele não tenha se arrependido e começar á focar em Nathalie?

- Nícolas? - Alguém me chamou. Olhei para onde eu havia escutado a voz e vi nada mais e nada menos que Verônica.

- Oi? - Perguntei, passando a mão pelo rosto. - Aconteceu alguma coisa?

- Não. - Negou. - É que você estava... parecia que estava sonhando acordado. - Ela soltou uma risada, quando eu fiz uma careta. - O senhor Trompson requer a sua presença na sala dele.

Suspirei alto e levantei-me da cadeira, pegando o celular do estúdio.
Minhas costas estavam um pouco doloridas e é exatamente porque eu sento com as costas curvadas.

- Ah, obrigada Veronica. - Agradeci e virei os calcanhares querendo sai dali o quanto antes.

- Nícolas? - Ela chamou. - Você... você quer almoçar comigo hoje? - Ela perguntou ansiosa, enquanto esperava a minha resposta.

Pensei um pouco. Eu não tinha nenhum amigo com quem sai mesmo. Talvez passar uns minutinhos com Verônica permitisse eu conhecer ela um pouco.
Claro que ela gostava de inclinar pra cima de mim, aproximar mais, enquanto eu tento me afastar, mas ela ainda não percebeu que eu não quero nada com ela.
Acho que ela só desistiria de mim quando eu tivesse com uma aliança de namoro na mão e, mostrasse pra ela toda a vez que ela quisesse uma chance.

E ela era tão fofa, linda... ela merecia alguém que realmente gostava dela.
E eu não era esse alguém.

- Pode ser. - Concordei, percebendo que ela havia deixado um sorriso escapar. - Te encontro aqui. - dei as costas pra ela e sai.

Não que eu estivesse preocupado com o que Violetta ia pensar, mas a gente não tinha nada, a não ser um sentimento que estava crescendo e a gente nem dava conta.
Mas ela nem ia ver mesmo, então, não tinha nada com que eu me preocupar.

Será que seria uma má idéia sair com Verônica, enquanto estou apaixonado por Violetta?

Bati de leve na porta do escritório do meu chefe, tentando esconder a curiosidade pelo fato dele ter me chamado até ali.

- Pode entrar! - Escutei ele falar lá de dentro.

Abri a porta e entrei, caminhando até o senhor muito reservado, que estava a frente de um Macbook, provavelmente vendo os negócios do estúdio.

- Bom dia senhor Trompson. - Ele fez um gesto para que eu me sentasse e foi isso que eu fiz. - Soube que o senhor mandou me chamar. - Sentei de forma reta na cadeira, por que eu estava largado na cadeira e era por isso que a minha coluna estava dolorida e doendo.

- Oh sim. Preciso tratar de um assunto com você. - O velho senhor disse, pegando uma pasta de documentos em cima da mesa.

- Sou todo ouvidos. - Respondi.

Senhor Trompson começou a falar coisas e mais coisas, enquanto eu prestava atenção em tudo que ele dizia.
Parecia que eu teria que participar da exposição como pintor e desenhista e que o dono da exposição agradou muito do quadro que eu fiz, e que já está lá no lugar certo.
Eu realmente fiquei muito contente em tudo que ele falava.

Meu sonho estava se realizando!
Quando resolvi morar sozinho, sempre sonhei em ter as minhas coisas e correr atrás das minhas coisas e quando realizo um sonho, eu fico tão feliz.
Desde muito criança, e quando comecei á pintar de verdade, meu sonho era que os meus quadros e desenhos estivessem em uma exposição e agora eles estariam lá.
Quase pulei de alegria.

O fim da conversa foi rápida, por que já estava na hora do almoço, então peguei o celular que eu havia levado e levantei-me da cadeira.

- Bom, obrigada pela oportunidade e por confiar em mim, senhor. - Agradeci, sorridente como nunca.

O senhor Trompson sorriu para mim de novo e eu sai da sala dele, com destino a recepção, onde eu sabia que Verônica estaria me esperando.
Assim que cheguei lá, avistei ela. A mesma já estava a minha espera, sorrindo pra paredes.
Eu teria que dizer pra ela que aquele almoço, não daria a mínima chance da gente dar certo, por que eu não gostava dela e sim de Violetta.

- Oi. - Falei, assim que cheguei perto dela. - Vamos? - Perguntei.

Verônica assentiu e me acompanhou. Como eu não tinha muita aproximação dela, não entendi o braço para ela.
E eu gostava disso, dessa época antiga, de príncipes.
Eu li A seleção e gostei, para falar a verdade.

- O mesmo restaurante daquele dia? - Ela perguntou, sorrindo.

Eu realmente queria descobrir que fazia com que aquela garota sorriso tanto.
Talvez uma alegria diferente da minha.
Verônica sorria mesmo nos momentos difíceis e eu queria sorri assim também. Esquecer o quanto já sofri e ela fazia isso.
Sorria sem parar.

- Pode ser. - Respondi e coçei a cabeça, meio incerto.

Nós atravessamos a rua, chegando no restaurante combinado. Sentamos em uma mesa de duas cadeiras e pedimos um prato lá.

- Então, você tem namorada? - Ela perguntou, interessada no assunto.

Caraca, ela já tinha me perguntado aquilo no dia que eu estava com a Violetta, por que estava perguntando de novo.
Eu sabia que ela não tinha acreditado no que eu dito, só não esperava que ela fosse me fazer essa mesma pergunta hoje.
Eu meio que já sabia o que Verônica ia perguntar.

- Não. Mas gosto de uma garota la do meu condomínio. - Respondi, sem olhar pra cara dela. - Sabe, aquela garota que estava comigo naquele dia na cafeteria!?

Verônica ficou um pouco confusa, isso
por que percebi que suas sobrancelhas se curvaram e quase se tocaram.

- Como é o nome dela mesmo? - Ela soprou e deu de ombros.

- Violetta. - Falei, quase revirando os olhos.

- Esse nome é um pouco esquisito.

- Não. O nome Violetta é bonito. Um nome diferente dos outros, não acha? - Encarei ela, roubando sua atenção de novo.

- Continua sendo para mim.

***

Seguinte...

" Defender meu amor, defendê-la como a minha vida. Não fale assim da pessoa que eu mais amo, por que posso virar uma fera, prestes a rugi, rugi, rugi..."

A GAROTA DA JANELA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora