20 - Boneca da Barbie.

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Nícolas Grent.

Quando chegamos na fileira de pessoas que estavam na roda gigante, tivemos que esperar alguns minutos, já que tinha um número grande de pessoas indo.
Ainda estava agarrado a mão de Violetta, tentando não soltá-la por nada.

- Puxa que demora! - ela disse, abrindo os braços. - Vamos sentar ali?

- Ok. - assenti e segui ela até duas cadeiras que estavam solitárias ali.

As duas deveriam ser de alguma barraca, por que eram as únicas ali e elas estavam bem próximo a uma tenda.

- Vamos tomar um refrigerante? - Perguntei, olhando pra ela. - Pode ser coca-cola, ou um suco natural mesmo.

- Coca-Cola? -  olhou para mim, com a sobrancelha arqueada.

Chamei  uma mulher com os dedos - um gesto muito discreto - e quando ela chegou, pedi duas latinhas de refrigerantes Jesus.
Não demorou muito e elas a trouxe, colocando em cima da mesa, dando um sorriso e saindo.
Mesmo assim, não soltei a mão de Violetta por nada, mesmo para tomar o refrigerante.

- Você acha que Ethan tá gostando da Nathalie? - Perguntou, passando a língua nos lábios.

- Talvez. - Respondi, meio incerto. Ele não mudaria assim de uma hora para a outra. -  Eles estão bem próximos esses dias.

- Tomara que seja isso mesmo. Eu acho os dois excelentes amigos. - Sorriu gentil pra mim. - Além disso, EU SHIPPO.

- O que é isso? - Soprei, com uma careta de quem não estava entendendo nada. - Shippo?

- É... Tipo, quando você começa a influenciar aquele casal a ficarem juntos. Quando você deseja que eles fiquem juntos. Vamos supor, talvez, a Lara com o Edward, huh? - Assenti, balançando a cabeça.

- Ah bom! - exclamei e peguei a latinha da coca e dei um gole. Eu podia jurar que senti o gosto de nuvens congelante. -  Se eu tivesse morrido, nunca que eu ia saber o que é isso.

Violetta riu, colocando todos os perfeitos dentes dela para fora.
E eram eles incrivelmente perfeitos.

Foquei no olhar dela. Suas irís estavam mais escuras e o azul de seus olhos estavam quase engolindo o azul-claro para o azul-escuro, deixando uma explosão de cores em seu único par de olhos.
Os olhos dela pareciam muito com o céu estrelado e o azul do oceano.
Um frio se instalou na minha barriga, e eu tive que lutar para não recuar e me afastar dela, por que eu sabia que minha vida mudaria muito, depois que eu falasse para mim mesmo que eu estava COMPLETAMENTE APAIXONADO POR ERA. Era hora de eu admiti para mim mesmo.

- Hum. - murmurou, quando tomou um gole da coca-cola. - Faz uns dias que eu não tomo uma dessas.

- Eu também. - concordei, sorrindo. - Vou passar a tomar mais. Esse calor tá pra matar um de nós. - fingi abanar-me com a mão.

Uns minutos depois, pagamos a mulher e fomos pra fila da roda gigante.
Algumas pessoas já haviam ido e aquela era a nossa chance de ir.
Pagamos o homem que estava lá ao lado do brinquedo e subimos.

Sentamo-nos um ao lado do outro. Com um gesto rápido, Violetta agarrou a minha mão, como se estivesse com medo.

- Tá com medo? - Perguntei em seu ouvido. A música estava um pouco alto, então tive que falar um pouco alto.

- Um pouquinho. - Violetta disse, sorrindo fraco pra mim.

De repente, o treco da roda gigante começou a mover.
Escutei um grito de Violetta. A mesma estava apertando minha mão tão forte, que senti um pouquinho de dor.

- Aii meu Deus! Eu vou caaair! - ela gritava, a medida que o brinquedo rodava.

Depois, a ruiva agarrou minha cintura, como se eu fosse o protetor dela. Igual o protetor do filme O destino de Júpiter.
E na verdade, eu a protegeria e não deixaria ela cair daqui.

- Nícolas? - ela chamou, quase implorando. - Não me deixa...caaair! - seu cabelo voava pelos ares, parecendo uma borboleta.

- Não vou deixar! - Eu prometi, inclinando pra mais perto dê Violetta. - Confia em mim?

- Eu confio. - Ela disse, olhando pra mim. Violetta tava seria, querendo que eu acreditasse naquelas palavras.

E eu? Eu acreditei. Eu acreditei que um dia ela pudesse me contar os segredos dela.
Acreditei que um dia ela ia me contá-los. E sobretudo, acreditei que ela acreditava em mim.

- Nícolas, eu te peço desculpas. Eu...- ela não conseguia falar, por que o movimento do brinquedo começou a ser mais rápido.

[...]

Quando o nosso tempo acabou, saímos nós dois da roda-gigante, e Violetta não podia conter o sorriso que tinha em seu rosto.
Eu também estava feliz, por que agora ela confia em mim.

Quem estava mais feliz era ela. Até parecia uma criança, vendo cada brinquedos daqueles e cada barraquinha.

- E aí? Você gostou? - Perguntei alto, chamando a atenção dela pra mim.

- Foi a melhor vez que eu já fui na roda gigante. - ela disse, dando um pulinho super empolgada. - Obrigada, Nícolas.

- Não precisa agradecer. - sorri pra ela. - Temos que achar os outros dois. - Mudei de assunto.

- Ah sim. - Violetta disse, sem pensar muito naquele assunto.

Enquanto íamos andando, vi que Violetta havia parado bruscamente. Não entendi sua reação.

Mas depois de olhar um pouco, percebi que ela estava olhando pra uma grande boneca da Barbie. Ela sorria pra boneca, como se ela fosse uma pessoa.

- Ela é tão linda! - admirou.

- Pode pegar e deixar que eu pago, Violetta. - aproximei dela, pegando a boneca. - Ela é linda mesmo.

- Ah não. Não precisa pagar, Nícolas. Outra hora eu compro uma. - Fiz que sim com a cabeça.

Mais uma vez, fiquei impressionado com as atitudes de Violetta. Ela parecia uma criança, olhando pra cada brinquedo e cada barraquinha de coisas de crianças.
Ela agarrou minha mão de novo, começando a caminhar.

- Violetta? - Chamei e ela olhou pra mim. - Me espera aí, que eu vou ao banheiro. - Deixei ela lá e fui até a barraquinha da boneca.

Comprei a mesma e escondi atrás das costas, caminhando até a ruiva parada no meio da pracinha.

- Já? - Ela perguntou, sorrindo abertamente.

- Oh, sim! - respondi. - Trouxe um presente pra você. Toma! - estendi a Barbie pra ela.

Violetta me olhou surpresa. A mesma fez que não com a cabeça, como se não estivesse entendendo por que que eu havia comprado a boneca.

- Não precisa, Nícolas. Não precisa disso! - exclamou, me olhando. Ela tentou ficar séria, mas acabou sorrindo.

- Claro que precisa. - estendi a boneca de novo e ela pegou.

Quando menos esperei, Violetta pulou em meus braços, sorrindo ainda mais.

- Obrigada.

***

Seguinte...

A GAROTA DA JANELA Histórias para pegar e não largar. Descubra agora