Manipulação

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Naruto

Acho graça da forma como Sasuke vira mais uma garrafa de uma bebida duvidosa, que eu mal podia ler o nome devido ao fato de eu estar igualmente bêbado.

Para quem age como um riquinho engomado, ele sabe caprichar bem na hora da brêja. Na verdade, acredito que bebemos o mesmo tanto, mas ele parece estar bem mais fora de si do que eu. Não que ele esteja quase caindo no chão de tão bêbado, porém está mais carinhoso que o normal. É estranho isso, porque dominantes são mais resistentes ao álcool— talvez ele esteja assim por conta de sua bebida ser mais forte do que a minha.

O que ele pediu mesmo? Mal posso me lembrar.

Como eu já parei de ingerir álcool faz uma boa hora, os efeitos da droga no meu sangue diminuíram bastante, embora ainda estivessem presentes.

Ele ri mais um bocado antes de apoiar a cabeça no meu ombro. Já nem mais estranho a atitude depois de ser tomada tantas vezes em uma mesma noite, suspiro e acaricio seus cabelos:

—Ei, Sasuke. Não acha melhor parar de beber?— ele assente e fecha os olhos lentamente. —Temo que você não consiga andar até a sua casa se continuar assim.

—Não estou tão bêbado, Naruto. Vamos 'pra sua— ele diz simples e faz contato visual comigo. —O que está esperando?

Penso até em negar, porém pode ser que eu nunca tivesse a chance de levá-lo lá outra vez, então o melhor a se fazer é aceitar.

Com pouca ajuda da parte do moreno para levantar, eu que o ponho de pé e ele se mantém apoiado em mim, enquanto tira uma elevada quantia de notas de dinheiro do seu bolso e avisa para o garçom que ele pode ficar com o troco. Puxo a carteira das mãos de Sasuke e a guardo, antes que seja assaltado. Que alfazinho sem noção, hein? Vou te falar...

—Sasuke, você precisa aprender a beber com classe, sabia?

—Eu sempre bebo com classe— ele arrasta a mão pelos fios, permitindo que, mais uma vez nas poucas horas que estive junto a si, aquele cheiro de shampoo adocicado entrasse em minhas narinas. —Só que hoje eu quis variar. Vamos nos divertir— puxa a manga de minha blusa.

—Minha casa é para o outro lado— rio um pouco.

Deixo que ele ande com o queixo apoiado em meu ombro com nossos braços entrelaçados, sem me esquecer de verificar se tudo está seguro a nossa volta.

—Ei— emito após terem se passado longos minutos de silêncio.

—Que foi?

—Você realmente tem amigos e não se sente sozinho?— não resisto à necessidade de perguntar, principalmente, sabendo que a bebida ainda tem grande controle sobre ele.

—Claro— responde como se não fosse nada de mais e fixa o olhar em algum ponto no canto da rua. —Por que a pergunta?

—Por motivo nenhum.

Resolvo não questionar de novo, até porque existe a possibilidade que ele esteja falando a verdade.

Pode até não parecer, mas eu já estive sozinho mais vezes do que posso contar para ser honesto. Desde que vi Sasuke pela primeira vez, algo me dizia que ele se sente assim, abandonado. Talvez até pelas atitudes dele, noto isso. E, o meu pior defeito— de acordo com a Sakura—, é querer ajudar todo mundo.

Não, não sou nenhum senhor perfeitinho, só que não quero que Sasuke se sinta só.

Para mim, ele nem percebe o quanto age de modo agressivo com os outros, porém é muito mais porque não sabe se aceitar e precisa atacar as pessoas para se sentir bem consigo mesmo. Tenho certeza que não é uma pessoa má, principalmente, depois de vê-lo chorando em meus braços como um bebê naquele dia.

Dringr- narusasu Onde histórias criam vida. Descubra agora