Em alta velocidade e sem respeitar nenhuma lei de trânsito da cidade de Nova Iorque, Lorna dirigia até a parte mais afastada da cidade, as ruas estavam um pouco vazias, essa cidade não dormia nunca. Em quase uma hora de viagem a morena se aproximava da paisagem de montanhas e bosques deixando para trás o setor empresarial que já estamos acostumados, era um lugar silencioso a não ser pelo barulho do vento e dos animais noturnos que sobrevoavam o local, sombrio e cheios de saudades. Era ali onde tudo terminava, ali era o lugar dos mais dolorosos adeuses.
Lorna desligou o carro a caminhou até o enorme portão de ferro pesado, estava entre aberto, parecia está esperando por ela. Entre os caminhos de pedras que levavam a algumas ruas, como as pessoas costumam chamar ela se perguntava o motivo pelo qual tudo estava dando errado, ela estava falhando como mãe, não conseguiu encontrar sua Lanna e também não conseguia proteger os seus amigos do inimigo misterioso. Lorna se sentia como um peso sem utilidade alguma, e depois de algumas ruas lá estava ela, a lápide que Lorna tanto procurava.
— É incapaz de morrer aquele que é amado... — Ela leu passando os dedos no retrato em preto e branco no mármore gelado. — Nas, se alguém ousasse me falar que aquele sim em Santorini resultaria nesse inferno eu tinha teria lhe respondido com um belo não, acabaria com a sua carreia na agência e ainda ficaria no seu lugar. Como eu pude me apaixonar por uma assassina em série como você? Mesmo morta você ainda consegue pôr a vida dela em risco, eu te avisei que eu moveria o mundo para encontrá-la novamente e se alguém a machucasse eu daria o meu jeito, mas você foi mais rápida.
Lorna retirou os sapatos cruzando as pernas, se sentou em frente da sepultura e pegou uma garrafa de Vodka.
— Lembra dessa? Absolut Elyx, sua vodka favorita, é uma pena que você não possa provar. — Lorna sorriu sarcasticamente levantando a garrafa e brindando. — Santé! Você me deve muito Nas. Quem matou o irmão da Ivy? Quem explodiu aquele colégio em Zurique com aquelas crianças? Não foi a Natasha, eu e você sabemos bem disso, se ela lembrar de uma simples fagulha daquele dia ela não volta nunca mais a ser quem ela é, e eu e você seremos torturadas num buraco escuro da Cia. — A morena balançou a cabeça em sinal de confusão. — Eu vou ser torturada, já que a grande agente Nas Kamal deu o seu jeito brilhante de sumir e voltar em forma de problema apodrecido. Que belo cadáver você é!
Sabe o que é cômico Nas? Você morreu tentando procurar a droga do chip e esse maldito estava bem embaixo do seu nariz, ao alcance das suas mãos. Eu preciso me gabar, sou ótima em esconder as coisas, olha só a Emm? — Lorna tomou um longo gole da garrafa. — Eu vou descobrir quem está por trás disso, e aí eu vou fazer o mesmo que fiz em Zurique, ninguém ameaça a minha família e fica vivo para contar a história. Tudo vai virar pó e fumaça novamente.
— Ela não é a sua irmã, a Lanna morreu e você não tem mais o que fazer. — A voz sussurrava alto e fazia eco na cabeça de Lorna.
— NÃO! — Gritou Lorna sacudindo a cabeça. — Olha Nas eu já devo tá muito chapada, essa é a segunda garrafa e eu estou aqui conversando com um monte de ossos debaixo de palmos de terra, você acabou com a minha vida, me fez desistir da minha carreira e está me fazendo procurar cada pedaço do seu quebra cabeça doentio, e por quê? Eu te respondo, você é uma vadia doente.
Sabia que eu não descansaria enquanto a Emm e a Lanna não estivessem seguras, sabia que eu iria deixar você, então você criou todo esse enredo psicopata e me deixou aqui presa para resolvê-lo. Eu não vou medir esforços para deixá-las seguras onde quer que elas estejam, eu mataria qualquer pessoa que as colocassem em perigo, isso inclui a Ivy e a Nonna, isso inclui a sua família e isso também inclui o Keaton, ele sempre soube de tudo, não é? — Lorna bebeu mais um pouco ficando de joelhos, seus olhos estavam vermelhos e inchados por ter vindo o caminho todo chorando. — ME RESPONDE SUA DESGRAÇADA! — Gritou. — Você não vai me responder, não é? Eu sei como fazer tão bem quanto você, afinal eu tive ótimos professores.
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A MORTE TEM COR
Mystère / ThrillerA MORTE TEM COR - Narra um assassinato de uma agente federal do governo americano - Nas Kamal, onde todas as provas incriminam seus ex colegas de trabalho do FBI, que terão que contar com a ajuda da vice diretora da NSA Lorna Prince e de uma figura...
