A MORTE TEM COR - Narra um assassinato de uma agente federal do governo americano -
Nas Kamal, onde todas as provas incriminam seus ex colegas de trabalho do FBI, que terão que contar com a ajuda da vice diretora da NSA Lorna Prince e de uma figura...
— A mesma da festa em Washington? Aquela que virou escândalo nacional?
— A própria.
Jane olhou de um para o outro.
— Alguém pode contextualizar?
Patterson girou o monitor na direção deles.
— George Lurney foi acusado de fraude contra o Tesouro. A investigação foi liderada por Nas. A prisão levou a empresa à falência. A filha, Spencer, sumiu da mídia por anos.
Recentemente reapareceu alegando que o pai foi vítima de armação.
— Ela sempre foi tida como a sucessora do pai. — Lorna acrescentou. — A favorita. Isso deve ter destruído tudo pra ela.
Reade inclinou a cabeça.
— Acha que ela teria motivo?
— A Spencer? — Lorna soltou um riso incrédulo. — Ela não machucaria ninguém. Não desse jeito.
Patterson não respondeu de imediato. Apenas tocou o teclado.
— Quando foi a última vez que você a viu?
— Na festa.
— Tem certeza?
O laboratório ficou mais silencioso.
— Por que essa pergunta, Patterson? — Lorna estreitou os olhos.
— Porque Spencer estava na Irlanda. — A loira girou outra tela. — E há registro de uma visita sua à Inglaterra três meses atrás.
O ar ficou pesado.
— Você fez um voo de sete horas para visitar uma amiga que não via há anos?
Lorna permaneceu em silêncio por um segundo longo demais. Longo o suficiente para levantar suspeita.
Reade percebeu.
— Lorna?
Ela respirou fundo.
— A mãe dela me ligou. Spencer surtou depois da prisão do pai. Estava numa clínica de reabilitação. Eu fui tentar vê—la. Ela recusou.
— E por que isso não foi mencionado? — Reade perguntou, a voz agora firme.
— Porque não tem relevância para o caso.
— Não cabe a você decidir isso. Ainda mais estando no centro da investigação.
Ela o encarou.
— Não estou ocultando nada.
— Se você estiver filtrando informação, isso compromete a investigação.
— Não confunda privacidade com obstrução. O tom subiu.
Tasha interveio suavemente:
— Gente...
Mas ela já sabia que ninguém ali ia recuar. Mas Reade já estava no limite.
— Você fez uma viagem internacional enquanto investigava o caso do pai dela. Isso é conflito direto.
— Eu não estava na força—tarefa de vocês. — Lorna rebateu. — E não devo satisfação pessoal a você.
O laboratório congelou.
Patterson observava tudo em silêncio. Não era raiva o que via em Lorna. Era defesa.
Reade respirou fundo, mas não recuou.
— Minha sala. Agora.
Lorna sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário.
Depois saiu.
O som do salto ecoou pelo corredor.
Silêncio.
Jane quebrou:
— Alguém mais sente que perdeu metade da conversa?
Rich girou na cadeira.
— Isso definitivamente não é só sobre a Spencer.
Tasha ficou olhando para a porta fechada.
— Não... não é.
Patterson voltou os olhos para o monitor. Mas não estava mais olhando para Spencer.
Estava olhando para Lorna, como se estivesse tentando decifrá—la.
E algo naquela viagem não fechava. E, pela primeira vez, a possibilidade mais perigosa não era Spencer Lurney.