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Capítulo 7

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 As duas estavam sozinhas no quarto do hospital finalizando a mala que tinham enviado para Lorna

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As duas estavam sozinhas no quarto do hospital finalizando a mala que tinham enviado para Lorna.

Desde o momento em que ligou para Tasha, Lorna se perguntava se estava fazendo a coisa certa.

Se aquele era o momento.

Ou se existia um momento certo para encerrar fantasmas.

— O que mais você queria me dizer? — perguntou Tasha, apoiada na lateral da cama.

Lorna sustentou o olhar dela.
Como se estivesse decidindo até onde podia confiar.

— Eu queria agradecer, apenas.

Tasha franziu o cenho.

— Agradecer?

— Pelo Canadá. — Lorna respondeu. — Eu pedi para você ir embora. E você voltou.

Tasha deu de ombros.

— Não ia deixar você sozinha. Nem que você quisesse.

— Foi arriscado.

— Faz parte.

Um pequeno silêncio.

— Você é mais valente do que imagina, Zapata.

Aquilo não soou como elogio casual. Soou como reconhecimento.

Tasha percebeu.

— Conseguiu lembrar de algo?

Lorna respirou devagar.

— Fragmentos. Luzes apagando. Um vulto. A certeza de que eu já tinha visto aquela pessoa antes.

Ela apertou os dedos levemente, como se tentasse puxar a memória à força.

— Mas nada sólido.

— Não se cobre. Concussão não é brincadeira.

Lorna assentiu.

— Obrigada. De novo.

Tasha começou a organizar as coisas dela quando percebeu alguém parado na porta.

Reade.
Observando.

Em silêncio. Como se já tivesse perdido espaço naquela conversa.

— Está aí há muito tempo? — perguntou Tasha.

— Não. Acabei de chegar.

O olhar dele passou por Lorna, avaliando.

— Onde pensa que vai?

— Trabalhar. — Lorna respondeu, simples. — Ontem fomos atacadas. Hoje pode ser qualquer um de vocês.

— Você deveria estar em repouso. — Reade disse firme.

— Depois. — Ela pegou a bolsa. — Primeiro a ameaça.

Tasha cruzou os braços.

— Eu tentei convencê—la.

— Eu prometo que descanso quando isso acabar. — Lorna respondeu. Sem dramatizar. Sem ironia.

Apenas fato.

O celular de Tasha vibrou.

— Patterson.

Ela saiu para atender.

O silêncio ficou entre os dois.

— Obrigado. — disse Reade, baixo.

— Não fiz por você. — Lorna respondeu imediatamente. — Fiz por ela.

Ele assentiu.

— Mesmo assim.

— Não erre com a mulher certa dessa vez, Reade. — ela disse antes de passar por ele.

Não era acusação. Era conselho.
Ele ficou parado por alguns segundos.

No estacionamento, Tasha parecia pensativa.

— Você achou ela... diferente? — perguntou.

— Ela quase morreu ontem. — Reade respondeu. — Talvez só esteja cansada.

— Talvez. — Tasha murmurou.

Mas não parecia convencida.

No SIOC, todos estavam reunidos.

Patterson foi a primeira a notar Lorna entrando.

— Você assinou alta médica mesmo? — o tom era neutro demais.

— Assinei.

— Concussão não é algo que se ignora.

— Eu não estou ignorando. Estou priorizando e você deveria fazer o mesmo.

O olhar das duas se sustentou por um segundo a mais do que o necessário.

Kurt quebrou a tensão:

— Já que decidiu ser imprudente, sente aqui.

Lorna sentou ao lado de Patterson.

E Patterson percebeu algo que não tinha notado antes:

Ela parecia... exausta.
Mas não fisicamente.

Como se estivesse carregando algo muito mais antigo do que aquela investigação.

Horas passaram.
Reade sugeriu pausa.
As quatro ignoraram.

— Quatro teimosas. — Kurt murmurou.

Risos leves.

Então Patterson congelou diante da tela.

— É isso.

Todos se aproximaram.

— A Nas se encontrou repetidamente com a mesma pessoa. Sempre no mesmo lugar.

— Nome? — perguntou Jane.

— Não é real. Ela usava apelidos. "Red Night". "Girl from red".

Silêncio.

— A garota do casaco vermelho. — Lorna disse, quase para si mesma.

Patterson virou a cabeça lentamente.

— Você já pensou nisso antes.

Não era pergunta.
Era constatação.

— Pensei. — Lorna confirmou. — Red Night não é só um codinome. — continuou. — É um pub. Usávamos como ponto de troca de informação.
E só pessoas muito específicas sabiam disso.

O ambiente mudou.

— Então ela pode saber que você voltaria lá. — disse Tasha.

— Ou alguém muito próximo contou. — murmurou Patterson.

Lorna sentiu o peso da frase.

E, pela primeira vez, percebeu que Patterson não estava apenas analisando dados.

Ela estava analisando pessoas.

Inclusive ela.

— Algo não encaixa. — Reade disse.
— A Nas estava chantageando essa pessoa. — completou Patterson. — E se for a mesma que atacou vocês...

— Então ela não queria só a agenda. — Lorna finalizou.

Silêncio.

Patterson voltou os olhos para a tela, mas a mente estava longe.

Porque, pela primeira vez, ela não estava tentando provar que Lorna era um problema.

Estava tentando entender se ela era a solução.
E isso era muito mais perigoso.

A MORTE TEM COR Histórias para pegar e não largar. Descubra agora