A MORTE TEM COR - Narra um assassinato de uma agente federal do governo americano -
Nas Kamal, onde todas as provas incriminam seus ex colegas de trabalho do FBI, que terão que contar com a ajuda da vice diretora da NSA Lorna Prince e de uma figura...
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As duas estavam sozinhas no quarto do hospital finalizando a mala que tinham enviado para Lorna.
Desde o momento em que ligou para Tasha, Lorna se perguntava se estava fazendo a coisa certa.
Se aquele era o momento.
Ou se existia um momento certo para encerrar fantasmas.
— O que mais você queria me dizer? — perguntou Tasha, apoiada na lateral da cama.
Lorna sustentou o olhar dela. Como se estivesse decidindo até onde podia confiar.
— Eu queria agradecer, apenas.
Tasha franziu o cenho.
— Agradecer?
— Pelo Canadá. — Lorna respondeu. — Eu pedi para você ir embora. E você voltou.
Tasha deu de ombros.
— Não ia deixar você sozinha. Nem que você quisesse.
— Foi arriscado.
— Faz parte.
Um pequeno silêncio.
— Você é mais valente do que imagina, Zapata.
Aquilo não soou como elogio casual. Soou como reconhecimento.
Tasha percebeu.
— Conseguiu lembrar de algo?
Lorna respirou devagar.
— Fragmentos. Luzes apagando. Um vulto. A certeza de que eu já tinha visto aquela pessoa antes.
Ela apertou os dedos levemente, como se tentasse puxar a memória à força.
— Mas nada sólido.
— Não se cobre. Concussão não é brincadeira.
Lorna assentiu.
— Obrigada. De novo.
Tasha começou a organizar as coisas dela quando percebeu alguém parado na porta.
Reade. Observando.
Em silêncio. Como se já tivesse perdido espaço naquela conversa.
— Está aí há muito tempo? — perguntou Tasha.
— Não. Acabei de chegar.
O olhar dele passou por Lorna, avaliando.
— Onde pensa que vai?
— Trabalhar. — Lorna respondeu, simples. — Ontem fomos atacadas. Hoje pode ser qualquer um de vocês.
— Você deveria estar em repouso. — Reade disse firme.
— Depois. — Ela pegou a bolsa. — Primeiro a ameaça.
Tasha cruzou os braços.
— Eu tentei convencê—la.
— Eu prometo que descanso quando isso acabar. — Lorna respondeu. Sem dramatizar. Sem ironia.
Apenas fato.
O celular de Tasha vibrou.
— Patterson.
Ela saiu para atender.
O silêncio ficou entre os dois.
— Obrigado. — disse Reade, baixo.
— Não fiz por você. — Lorna respondeu imediatamente. — Fiz por ela.
Ele assentiu.
— Mesmo assim.
— Não erre com a mulher certa dessa vez, Reade. — ela disse antes de passar por ele.
Não era acusação. Era conselho. Ele ficou parado por alguns segundos.
No estacionamento, Tasha parecia pensativa.
— Você achou ela... diferente? — perguntou.
— Ela quase morreu ontem. — Reade respondeu. — Talvez só esteja cansada.
— Talvez. — Tasha murmurou.
Mas não parecia convencida.
No SIOC, todos estavam reunidos.
Patterson foi a primeira a notar Lorna entrando.
— Você assinou alta médica mesmo? — o tom era neutro demais.
— Assinei.
— Concussão não é algo que se ignora.
— Eu não estou ignorando. Estou priorizando e você deveria fazer o mesmo.
O olhar das duas se sustentou por um segundo a mais do que o necessário.
Kurt quebrou a tensão:
— Já que decidiu ser imprudente, sente aqui.
Lorna sentou ao lado de Patterson.
E Patterson percebeu algo que não tinha notado antes:
Ela parecia... exausta. Mas não fisicamente.
Como se estivesse carregando algo muito mais antigo do que aquela investigação.
Horas passaram. Reade sugeriu pausa. As quatro ignoraram.
— Quatro teimosas. — Kurt murmurou.
Risos leves.
Então Patterson congelou diante da tela.
— É isso.
Todos se aproximaram.
— A Nas se encontrou repetidamente com a mesma pessoa. Sempre no mesmo lugar.
— Nome? — perguntou Jane.
— Não é real. Ela usava apelidos. "Red Night". "Girl from red".
Silêncio.
— A garota do casaco vermelho. — Lorna disse, quase para si mesma.
Patterson virou a cabeça lentamente.
— Você já pensou nisso antes.
Não era pergunta. Era constatação.
— Pensei. — Lorna confirmou. — Red Night não é só um codinome. — continuou. — É um pub. Usávamos como ponto de troca de informação. E só pessoas muito específicas sabiam disso.
O ambiente mudou.
— Então ela pode saber que você voltaria lá. — disse Tasha.
— Ou alguém muito próximo contou. — murmurou Patterson.
Lorna sentiu o peso da frase.
E, pela primeira vez, percebeu que Patterson não estava apenas analisando dados.
Ela estava analisando pessoas.
Inclusive ela.
— Algo não encaixa. — Reade disse. — A Nas estava chantageando essa pessoa. — completou Patterson. — E se for a mesma que atacou vocês...
— Então ela não queria só a agenda. — Lorna finalizou.
Silêncio.
Patterson voltou os olhos para a tela, mas a mente estava longe.
Porque, pela primeira vez, ela não estava tentando provar que Lorna era um problema.
Estava tentando entender se ela era a solução. E isso era muito mais perigoso.