Capítulo 12

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Hospital Memorial de New York

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Hospital Memorial de New York

— Você precisa me ajudar... tira ela daqui... ela é só uma criança... eu sei que você não tem obrigação, mas ela é só uma criança... me ajuda...

A voz de Lorna ecoava fraca, entrecortada, repetindo a mesma súplica como se estivesse presa em um único instante.

— Ela continua delirando, a pulsação só faz aumentar. — avisou uma das enfermeiras, ajustando o monitor.

— Levem a paciente para a sala de cirurgia. — ordenou a médica responsável, firme. — Precisamos ser rápidos. Ainda temos chance de salvá—la.
As lesões são graves.

As portas se fecharam.

Horas depois.

— Estamos procurando uma paciente. Lorna Prince. Deu entrada sem documentação. — Kurt mostrou o distintivo e a foto na recepção.

A atendente digitou rapidamente.

— Ela acabou de sair de uma cirurgia. Está em observação. O médico responsável está no oitavo andar.

No andar indicado, Reade e Tasha encontraram o médico.

— Doutor Sloan. Agente Reade. Agente Zapata, FBI de Nova York. Precisamos de informações sobre Lorna Prince.

— Vocês são familiares?

— Somos a equipe dela. — respondeu Tasha.

O médico assentiu.

— Ela chegou muito machucada. Fratura no fêmur, outra fratura em uma das pernas, múltiplas contusões. Pelo padrão das lesões, parece que estava tentando fugir de alguém.

Tasha levou a mão à boca.

— E a cirurgia?

— Foi bem—sucedida considerando o estado dela. Está sob forte sedação.
Precisará de repouso absoluto e fisioterapia intensiva. No mínimo seis meses afastada do trabalho. — Ele os encarou. — Têm ideia de quem fez isso?

— Estamos trabalhando nisso. — respondeu Reade, com a mandíbula rígida.

Quando voltaram à sala de espera, algumas horas haviam se passado e o silêncio era pesado.

— Tasha... você tinha razão. — murmurou Reade. — Se tivéssemos ido atrás antes...

— Não começa. — ela cortou. — Não vai mudar nada agora.

Uma enfermeira surgiu na porta.

— Vocês acompanham a paciente Prince? Ela acordou.

No quarto, Lorna parecia menor. Frágil. Pálida demais.

— Como está se sentindo? — perguntou Tasha, aproximando—se.

— Diante de tudo? — Lorna respirou fundo. — É bom saber que estou viva.

Patterson não esperou.

— Quem fez isso com você? Como saiu da casa da Spencer?

Lorna fechou os olhos.

— Quando pedi para vocês saírem... — a voz falhou — eu fiquei com medo de que algo tivesse acontecido com vocês.

Tasha segurou sua mão.

— Estamos todos bem.

— Eu e a Spencer também saímos. Alguém avisou que havia federais na casa.
Ela entrou em pânico. Disse que precisávamos sair antes que algo pior acontecesse.

— E a cabana? — perguntou Patterson.

— Estávamos indo para lá. Mas o caminho era diferente. Muito mais rápido. Eu estranhei. Comentei que alguém poderia estar nos seguindo...
— ela começou a tremer. — Eu ouvi um barulho.
Um grito. Ela pediu para eu fugir.

As lágrimas vieram com força.

— Eu a deixei. Eu deixei ela lá.

A voz quebrou.

— Eu deixei ela lá sozinha.

— Você fez o que podia. — Tasha insistiu.

— Alguém me atingiu por trás. Depois disso... só lembro de chegar a uma estrada. E então... nada.

— E as fraturas? — perguntou Tasha.

— Eu não lembro.

O silêncio pesou.

A enfermeira entrou para levá—la aos exames.
Assim que ficaram sozinhas, Patterson falou baixo:

— Tem coisa faltando aí.

— Ela está machucada, Patterson.

— Eu sei. Mas como alguém esquece fraturas desse nível e se lembra do resto?

— Trauma pode fazer isso. — Tasha rebateu, mas já menos convicta.

— Ou alguém quer que a gente acredite nisso. —
Reade voltou.

— Conseguimos imagens das câmeras. Um homem trouxe a Lorna até aqui. Vamos interrogá—lo.

— Eu encontrei a cabana. — disse Patterson. — Está no nome de Bob Lurney. Fica dentro do raio que ela mencionou.
E tem um atalho.

— Então a versão dela confere. — afirmou Tasha.

— Ou foi construída para conferir. — murmurou Patterson.

Mais tarde, enquanto Lorna estava nos exames, uma médica se aproximou.

— Você é acompanhante?

— Sou. — disse Tasha.

— Dra. Forbes, neurologia. Precisamos conversar.
O tom era sério demais.

— Encontramos uma lesão cerebral. Antiga. O trauma recente agravou o quadro. Há inchaço. Precisamos fazer uma descompressão.

O mundo pareceu encolher.

— Quais são os riscos?

— Perda de memória permanente. Déficits cognitivos. Sequelas motoras. — a médica respirou fundo. — O prognóstico é reservado.

Tasha engoliu.

— Ela tem família? Alguém para autorizar?

— Não. Somos nós.

A médica hesitou.

— Quando ela chegou, repetia algo. Falava sobre uma criança. Implorava para alguém ajudá—la. Dizia que a criança corria perigo... e que, se ninguém fosse buscá—la, "eles iam encontrá—la primeiro".

O sangue de Tasha gelou.

— Ela não tem filhos.

— Só preciso saber se era delírio.

Mas não parecia.
No corredor, antes da cirurgia, Lorna sorriu fraco.

— Não vai se livrar de mim tão fácil.

— Você vai voltar. — Tasha segurou seu rosto com cuidado. — Nós precisamos de você.

— E eu preciso que vocês descubram a verdade.

Quatro horas depois, a Dra. Forbes saiu da sala.

— Conseguimos descomprimir. Agora precisamos esperar.

Esperar que ela acorde.
Esperar que lembre.
Esperar que continue sendo ela.

Mas a pergunta que pairava sobre todos era outra:
Que lesão antiga era aquela?

E que criança Lorna estava tentando salvar?

A MORTE TEM COR Histórias para pegar e não largar. Descubra agora