A MORTE TEM COR - Narra um assassinato de uma agente federal do governo americano -
Nas Kamal, onde todas as provas incriminam seus ex colegas de trabalho do FBI, que terão que contar com a ajuda da vice diretora da NSA Lorna Prince e de uma figura...
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Hospital Memorial de New York
— Você precisa me ajudar... tira ela daqui... ela é só uma criança... eu sei que você não tem obrigação, mas ela é só uma criança... me ajuda...
A voz de Lorna ecoava fraca, entrecortada, repetindo a mesma súplica como se estivesse presa em um único instante.
— Ela continua delirando, a pulsação só faz aumentar. — avisou uma das enfermeiras, ajustando o monitor.
— Levem a paciente para a sala de cirurgia. — ordenou a médica responsável, firme. — Precisamos ser rápidos. Ainda temos chance de salvá—la. As lesões são graves.
As portas se fecharam.
Horas depois.
— Estamos procurando uma paciente. Lorna Prince. Deu entrada sem documentação. — Kurt mostrou o distintivo e a foto na recepção.
A atendente digitou rapidamente.
— Ela acabou de sair de uma cirurgia. Está em observação. O médico responsável está no oitavo andar.
No andar indicado, Reade e Tasha encontraram o médico.
— Doutor Sloan. Agente Reade. Agente Zapata, FBI de Nova York. Precisamos de informações sobre Lorna Prince.
— Vocês são familiares?
— Somos a equipe dela. — respondeu Tasha.
O médico assentiu.
— Ela chegou muito machucada. Fratura no fêmur, outra fratura em uma das pernas, múltiplas contusões. Pelo padrão das lesões, parece que estava tentando fugir de alguém.
Tasha levou a mão à boca.
— E a cirurgia?
— Foi bem—sucedida considerando o estado dela. Está sob forte sedação. Precisará de repouso absoluto e fisioterapia intensiva. No mínimo seis meses afastada do trabalho. — Ele os encarou. — Têm ideia de quem fez isso?
— Estamos trabalhando nisso. — respondeu Reade, com a mandíbula rígida.
Quando voltaram à sala de espera, algumas horas haviam se passado e o silêncio era pesado.
— Tasha... você tinha razão. — murmurou Reade. — Se tivéssemos ido atrás antes...
— Não começa. — ela cortou. — Não vai mudar nada agora.
Uma enfermeira surgiu na porta.
— Vocês acompanham a paciente Prince? Ela acordou.
No quarto, Lorna parecia menor. Frágil. Pálida demais.
— Como está se sentindo? — perguntou Tasha, aproximando—se.
— Diante de tudo? — Lorna respirou fundo. — É bom saber que estou viva.
Patterson não esperou.
— Quem fez isso com você? Como saiu da casa da Spencer?
Lorna fechou os olhos.
— Quando pedi para vocês saírem... — a voz falhou — eu fiquei com medo de que algo tivesse acontecido com vocês.
Tasha segurou sua mão.
— Estamos todos bem.
— Eu e a Spencer também saímos. Alguém avisou que havia federais na casa. Ela entrou em pânico. Disse que precisávamos sair antes que algo pior acontecesse.
— E a cabana? — perguntou Patterson.
— Estávamos indo para lá. Mas o caminho era diferente. Muito mais rápido. Eu estranhei. Comentei que alguém poderia estar nos seguindo... — ela começou a tremer. — Eu ouvi um barulho. Um grito. Ela pediu para eu fugir.
As lágrimas vieram com força.
— Eu a deixei. Eu deixei ela lá.
A voz quebrou.
— Eu deixei ela lá sozinha.
— Você fez o que podia. — Tasha insistiu.
— Alguém me atingiu por trás. Depois disso... só lembro de chegar a uma estrada. E então... nada.
— E as fraturas? — perguntou Tasha.
— Eu não lembro.
O silêncio pesou.
A enfermeira entrou para levá—la aos exames. Assim que ficaram sozinhas, Patterson falou baixo:
— Tem coisa faltando aí.
— Ela está machucada, Patterson.
— Eu sei. Mas como alguém esquece fraturas desse nível e se lembra do resto?
— Trauma pode fazer isso. — Tasha rebateu, mas já menos convicta.
— Ou alguém quer que a gente acredite nisso. — Reade voltou.
— Conseguimos imagens das câmeras. Um homem trouxe a Lorna até aqui. Vamos interrogá—lo.
— Eu encontrei a cabana. — disse Patterson. — Está no nome de Bob Lurney. Fica dentro do raio que ela mencionou. E tem um atalho.
— Então a versão dela confere. — afirmou Tasha.
— Ou foi construída para conferir. — murmurou Patterson.
Mais tarde, enquanto Lorna estava nos exames, uma médica se aproximou.
— Você é acompanhante?
— Sou. — disse Tasha.
— Dra. Forbes, neurologia. Precisamos conversar. O tom era sério demais.
— Encontramos uma lesão cerebral. Antiga. O trauma recente agravou o quadro. Há inchaço. Precisamos fazer uma descompressão.
O mundo pareceu encolher.
— Quais são os riscos?
— Perda de memória permanente. Déficits cognitivos. Sequelas motoras. — a médica respirou fundo. — O prognóstico é reservado.
Tasha engoliu.
— Ela tem família? Alguém para autorizar?
— Não. Somos nós.
A médica hesitou.
— Quando ela chegou, repetia algo. Falava sobre uma criança. Implorava para alguém ajudá—la. Dizia que a criança corria perigo... e que, se ninguém fosse buscá—la, "eles iam encontrá—la primeiro".
O sangue de Tasha gelou.
— Ela não tem filhos.
— Só preciso saber se era delírio.
Mas não parecia. No corredor, antes da cirurgia, Lorna sorriu fraco.
— Não vai se livrar de mim tão fácil.
— Você vai voltar. — Tasha segurou seu rosto com cuidado. — Nós precisamos de você.