Capítulo 11

748 65 0
                                        

Dan me arrastou junto com ele para conversar com seus amigos. Em meio às conversas aleatórias, meus olhos insistiam em buscar Bianca.

Percebi que ela não estava bem quando virou a última gota de vinho da garrafa. Ela bebia surpreendentemente bem, para uma garota de aparência tão delicada. Chegou a me impressionar o quanto conseguia competir comigo, quando o assunto era um bom vinho.

Provavelmente a mistura de marcas e sabores a tinham prejudicado. Um erro comum no calor do momento, mas que sem dúvida cobra seu preço no dia seguinte, quando a ressaca vem sem piedade.

Consigo me livrar de Dan e sair de fininho, escorregando entre as pessoas. Chego a tempo de vê-la se levantar. Suas pernas falham, e imediatamente a seguro pela cintura, quase por instinto.

— Você está bem?
Ela balança a cabeça em negativa, confirmando o que eu já sabia.

— Respira… vai melhorar — digo, tentando confortá-la.Penso rápido. A melhor estratégia é levá-la para o quarto. Ela precisa descansar.

Atravessamos a multidão e logo estamos no quarto dela. Assim que entramos, coloco-a cuidadosamente sobre a cama. Em seguida, seu corpo se joga para trás, todo mole, como o de uma grande boneca.

É impossível não notar como sua pele branca brilha em contraste com o lençol escuro. Suas mãos passam pelos cabelos, bagunçando os fios negros. A sensualidade natural que ela carrega chega a me tirar o ar.

Desvio o olhar e me controlo.
Ela é minha amiga, meu santo pai!

O que está acontecendo comigo?

Foco no que importa agora: ajudá-la.
— Vem, vou te ajudar a tomar um banho.

Apoio-me na cama, passo o braço por seu pescoço e a obrigo a se sentar novamente. Agora estamos frente a frente. Seus olhos brilhantes encontram os meus, finalmente despertando do efeito do álcool.

— Eu consigo sozinha…

Suas bochechas coram, e percebo que a ideia da minha ajuda a deixou constrangida. Ainda assim, ela tenta reunir forças para reagir.
Um sorriso bobo surge no meu rosto. É impossível não achar a cena engraçada, mesmo estando genuinamente preocupada com ela.
— Tudo bem. Vou ficar na porta. Qualquer coisa, é só chamar.

Ela se arrasta até o banheiro, aos trancos e barrancos, mas parece que vai conseguir. A porta de madeira se fecha, e logo ouço o som do chuveiro sendo ligado.

Acabo me distraindo ao observar o quarto. As paredes claras em tom pastel, um guarda-roupa de madeira maciça, uma penteadeira branca e delicada. Em frente à cama, uma televisão grande — quase um mini cinema particular. E a cama… agora percebo o quão grande ela é. Ocupa boa parte do quarto.

Curioso pensar que uma mulher tão pequena seja dona de uma cama tão imponente.

Por um segundo, minha mente questiona o que ela é capaz de fazer em uma cama assim.
Balanço a cabeça, afastando o pensamento. Não agora.

Ao lado da cama, uma porta de vidro dá acesso à varanda, de onde se vê boa parte da cidade.

Um quarto clássico. Delicado, mas com traços de personalidade que talvez eu ainda não conheça.

Talvez o neném… não seja tão neném assim. Como diria o Pica-Pau.

Abro uma gaveta aleatória do guarda-roupa e encontro, logo de primeira, uma camiseta grande, perfeita como pijama. Na gaveta de baixo, calcinhas, sutiãs e shorts de dormir.

Respiro fundo.

Não vou invadir a privacidade dela.

Desvio o olhar da calcinha de renda preta, me obrigando a não imaginar nada.

Pego o primeiro short que vejo e uma calcinha. Pronto. Look de dormir completo.

Entro no banheiro discretamente. O box escuro permite apenas ver sua sombra nua.

E isso é mais do que suficiente para me fazer ferver por completo.

Balanço a cabeça. Não, não… isso não está certo. Ela está bêbada. É minha amiga. O mínimo de decência eu deveria ter.

Coloco as roupas sobre a pia e saio rápido. Sento-me na cama e fico esperando. Torcendo para que ela fique bem.

Me distraio no celular. Talvez seja tudo o que eu preciso agora.

Quando ela sai do banheiro vestindo apenas o camisetão, com parte da curva da bunda à mostra, preciso respirar fundo e desviar o olhar. Percebo que está sem sutiã, os seios marcados perfeitamente sob o tecido.

Respiro fundo...

Os cabelos pretos molhados, a boca rosada, as bochechas ainda coradas — agora, provavelmente, pela água quente.

Delicada e sexy.

Essa mulher vai acabar com a minha sanidade esta noite. Preciso ir embora, rápido.

— Melhor? — pergunto, mantendo os olhos nela.
Ela assente com a cabeça e se senta ao meu lado na cama.

O cheiro do sabonete que exala de seu corpo é suficiente para me deixar molhada. Definitivamente, preciso ir embora enquanto ainda tenho algum autocontrole.

Ela se deita ao meu lado, e cada curva do seu corpo parece uma provocação silenciosa. Pego uma coberta e a cubro com cuidado.
— Bons sonhos, Bia — Sussurro ao pé do seu ouvido, depositando um beijo em sua bochecha.

Posso jurar que senti seu corpo arrepiar.
— Obrigada… — ela murmura, fraca.

Me afasto. Já fiz meu papel de boa amiga por hoje.

Saio do quarto e encontro Dan, que me observa curioso ao me ver sair de lá. Explico a situação.

Ele pergunta se Bianca está bem. Confirmo com a cabeça, dizendo que ela já dorme profundamente.
Dan ri, faz uma piada qualquer e logo volta sua atenção para a festa.

— Está na hora de acabar com isso, não acha? — digo. — Já são três da manhã. Esse povo precisa ir embora.

Ele faz uma careta, claramente contrariado, mas sabe que é necessário. Já é um milagre que a polícia ainda não tenha aparecido.
— Vou dar um jeito.

Dan desliga o som, chamando a atenção de todos.
— Minha gente, obrigado pela presença, mas a festa acaba por aqui. Até a próxima!

Alguns protestos surgem, mas em menos de cinco minutos todos estão indo embora. Restam apenas Dan e um rapaz ruivo, alto e bem sarado.
— Você se importa de dormir aqui, amor? — Dan pergunta, e eu entendo rapidamente seu plano.

— Claro que não. Divirta-se — respondo.

Ele beija minha testa e sai todo contente, acompanhado do ruivo.

E eu?

Só tenho forças para me jogar no sofá-cama… e apagar.

Pimenta & amorOnde histórias criam vida. Descubra agora