Capítulo 5

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Quando Dan pediu para que eu entrasse na frente no restaurante, fui completamente despreparada para a cena que encontraria.

Por mais que tentasse, não consegui desviar o olhar da sua amiga enquanto ela saboreava tranquilamente o que parecia ser um tomate-cereja.

Nunca alguém foi tão… sexy comendo um simples tomatinho.
Sei que devo ter encarado por tempo demais e me julgo internamente por isso. Quando seus olhos encontram os meus, arregalados pela surpresa, sinto o rosto queimar por ter sido pega no flagra.

Uso todo o meu jogo de cintura para desconversar da situação constrangedora. Não demora muito e já estamos conversando normalmente, como se nada tivesse acontecido.

Decido deixar o episódio para lá e me dedico a ajudar no restaurante. A noite é agradável e passa rápido. Passo boa parte do tempo atendendo os clientes e me divertindo com cada um deles. A clientela do restaurante é ótima; qualquer pessoa que ame comida boa e um ambiente aconchegante escolheria aquele lugar.

As paredes em tons pastéis, a iluminação mais baixa, os quadros antigos espalhados pelo salão… tudo combina perfeitamente, criando um ar romântico e acolhedor.

Estou completamente apaixonada por esse lugar.
Quando o último cliente cruza a porta, sei que o expediente chegou ao fim. Ajudo Dan a organizar as mesas e colocar o salão em ordem. Em dupla, a tarefa é concluída rapidamente.

Quando tudo já está organizado, percebo que Dan não está mais comigo. De relance, vejo seu corpo próximo à porta do restaurante, conversando com um rapaz tão alto quanto ele. Pela linguagem corporal, a conversa parece bem animada.

Balanço a cabeça, rindo sozinha. Dan realmente não perde uma oportunidade de fisgar um contatinho.

Aproveito a deixa e sigo até a cozinha para ver se Bianca precisa de ajuda. Entro animada e a encontro distraída, organizando suas coisas.
— Oiee! — chamo sua atenção. — Que noite maravilhosa, não é? Parece que deu tudo certo hoje.
Seus olhos brilhantes encontram os meus e um sorriso satisfeito se abre em seu rosto.

— Você tem que vir mais vezes. Está trazendo sorte! — brinca, me fazendo rir.

— Bom saber que sou pé-quente aqui — respondo no mesmo tom. — Na minha profissão, esse não é exatamente meu maior dom.
Sento-me em uma banqueta, observando seus movimentos.

— Passei para ver como estão as coisas por aqui. Precisa de ajuda?

— Por aqui já está tudo sob controle — ela suspira aliviada, passando o olhar pela cozinha. Então seus olhos encontram os meus novamente e um sorriso animado surge. Não preciso de muito esforço para perceber que ela está pensando em algo. — Mas tem uma coisa em que você pode me ajudar.
Ela faz uma breve pausa, como se avaliasse a ideia. Eu a encorajo.

— Claro. No que posso ajudar?
Bianca respira fundo, parecendo se decidir.

— Estou criando um novo prato para o cardápio. O que você acha de provar e me dar um feedback?
Me animo imediatamente. Amo comer.

— Claro que sim! Sou toda sua. Qual é o prato?

Ela pede que eu espere um instante e se afasta até o balcão, de onde pega um prato coberto por uma tampa alta de vidro. Coloca-o à minha frente com cuidado.

— Aqui está. Carré de cordeiro ao alecrim, com risoto de brie e damasco.
O aroma invade meus sentidos e faz meu estômago roncar. Só então percebo o quanto estou com fome. Aceito o talher que Bianca me oferece e provo, sentindo seus olhos atentos e curiosos sobre mim, claramente ansiosa pela minha reação.

O sabor é ainda melhor que o cheiro. A carne está incrivelmente macia e o risoto, no ponto perfeito.
— Hummm… maravilhoso — digo, sincera. — Está maravilhoso.
Ela sorri, satisfeita.

— Mesmo? — pergunta, arqueando a sobrancelha.

— Sim. Ma-ra-vi-lho-so — reforço, dando mais uma garfada generosa no risoto.

— Fico feliz que tenha gostado. Resolvi tentar inovar um pouco no cardápio. Ainda nem mostrei essa receita para o Dan.

— Ele vai amar. Ficou incrível, parabéns.

— Obrigada. Espero que os clientes também aprovem essa nova opção.
Ela se senta ao meu lado. Quando respondo, acabo me perdendo em seus olhos.

— Pode ter certeza de que eles vão se apaixonar… tanto quanto eu.

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