Capítulo 8
As semanas passavam em um piscar de olhos, dia após dia, mais rápido do que eu gostaria. Talvez porque tudo corria bem: de forma natural, livre — se é que posso chamar assim. Até porque eu e Tom estamos naquele estágio entre o "nada" e "alguma coisa"; ficamos um com o outro, mas não é nada sério, por mais que eu sinta que existe algo mais forte entre nós. No entanto, não quero ser precipitada.
Hoje completamos três meses aqui. Minhas aulas de francês começaram na semana seguinte àquela campanha de "Pais e Filhos", e estou indo muito bem para uma iniciante. Mas isso tem a ver com a ajuda do meu tutor, que, na verdade, é um garoto da escola. Hugo é inteligente e dedicado; ele está no último ano avançado da Zabetta e tem dezessete anos.
Meu pai está muito mais flexível do que jamais foi. Ele me deixa ir ao shopping com minhas amigas, o que é um enorme avanço, mesmo que em relação aos garotos nada tenha mudado. Ele limita nossas amizades aos muros da escola e nada além disso. Claro que, no estúdio, é impossível evitá-los, mas Leny deixa passar batido, contanto que eu me mantenha como nas últimas semanas: obediente e focada demais para me distrair.
Mesmo com a patrulha frequente do diretor na escola — a pedido do meu pai — e com os olhos dele sobre nós no estúdio, eu e Tom sempre conseguíamos dar um jeito de sumir por um momento. Além disso, o diretor é ocupado demais para servir de babá; ele governa mais de oitocentos alunos.
Hoje é sexta-feira. Eu estava animada, já que nesta semana pude comprar algumas roupas livre de regras, e também porque é meu aniversário. Vesti uma calça jeans e um cropped soltinho que deixava à mostra a barra do meu top da Calvin Klein. Coloquei um cinto combinando com o cinza da blusa e calcei meus tênis, que tenho usado com muito mais frequência do que as sapatilhas.
Desci até a cozinha e encontrei Eva. Seria estranho chegar ali e não vê-la fazendo exatamente a mesma coisa; era quase um looping de tarefas.
— Bom dia, minha querida! — ela sorriu, estendendo os braços em minha direção. — Feliz aniversário!
— Bom dia, Evinha, obrigada! — Sorri, sentindo o calor do seu abraço, o tipo de carinho que eu sempre desejei.
— Quer que eu prepare algo especial hoje? — perguntou ela, afastando-se, mas ainda segurando firme as minhas mãos.
— Tudo o que você faz é especial. Mas hoje vou ficar só no iogurte. — Respondi, sentando-me e começando a preparar a taça.
Mexi no celular, lendo algumas mensagens de aniversário e conferindo sites de fofoca. Vi páginas publicando a notícia como se tivessem descoberto a cura do câncer, mas era apenas o anúncio de que eu completaria quinze anos hoje.
— Sem celular na mesa. — Leny entrou ordenando. Ele se sentou à minha frente e esboçou o que parecia ser um sorriso. — Bom dia, princesinha.
— Bom dia, pai. Desculpe. — Bloqueei a tela e coloquei o aparelho sobre as pernas.
— Cancelei sua aula de piano de hoje; você irá apenas à de francês, ok? — Ele repassou minha agenda, como faz quase todas as manhãs desde que insistiu em enchê-la de tarefas.
— Ok. Já vou indo. — Peguei a mochila na cadeira ao lado. — Tenha um bom dia, pai.
— Você também — respondeu ele, sem tirar os olhos do jornal enorme.
Voltei a me distrair no celular enquanto caminhava até o carro. Era um trajeto tão gravado no meu sistema que sequer precisava da minha atenção. Mas, quando senti as pedras sob a sola do sapato, guardei o aparelho no bolso traseiro.
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Amor impossível
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Sarah Campbell tem 14 anos, e sua vida está prestes a mudar completamente. Ela se mudará para a Alemanha com seu pai, Leny Campbell, diretor de uma das maiores empresas de música do mundo, que busca novas oportunidades. É lá...
