Capítulo 6
A noite de ontem foi perfeita. Eu fui a uma festa, beijei um garoto e quebrei uma regra do meu pai. Eu poderia morrer agora e estaria feliz; já havia realizado três desejos em um único dia.
Mas acordar para o pesadelo é sempre desanimador. Hoje é domingo, o que significa "dia da família". A proposta é passarmos o tempo juntos, livres de tarefas ou da rotina regrada; o domingo é para relaxar.
Quando desço para o café, já são dez da manhã. A primeira coisa que vejo é Lia, sentada, rolando a tela do celular com seu suco verde à frente.
— Bom dia, queridinha — ela sorri, balançando os dedos no ar. — Vamos ao cinema hoje. O que acha?
— Eu tenho alguma opção? — resmungo, servindo suco de laranja em uma taça.
— Sabe que não — ela dá de ombros, voltando a atenção para o aparelho.
— Por que está balançando a mão desse jeito?
— Para secar o esmalte mais rápido, acabei de pintar as unhas.
Bebo o suco em silêncio. A mesa está arrumada, mas não há movimentação ao redor. Apenas Lia e sua bagunça.
— O que tem para comer? — pergunto.
— Frutas, pode ser? — Ela ergue os olhos novamente. — Seu pai deu folga para a empregada.
— Não a chame assim, ela é da família — reclamo.
— Que seja, garota. O que é isso na sua testa? — Ela estreita os olhos.
— O que é o quê? — Passo a mão, confusa, e sinto uma pontada de dor.
— Está roxo. Um hematoma — a desconfiança já mudou o tom de sua voz.
— Ah... eu bati a cabeça — respondo rápido.
Pensei que só tivesse machucado o topo da cabeça, mas agora está explicado por que doía tanto; eu praticamente bati em todos os lados até conseguir sair da geladeira.
— Onde?
— Ah... fo-foi na pia. Na pia do meu banheiro — minha voz quase me trai.
— "Fo... foi na pi-pia do banheiro". O que é isso? Está ficando gaga? — ela debocha.
— Não amola, vai.
— Bom dia, amor. — Meu pai entra usando roupas casuais e beija Lia. Depois, seus olhos se voltam para mim. — Bom dia, princesinha. Como foi sua noite?
Ah, não. Ele sabe.
— Como assim? — Eu me armo imediatamente.
— Como assim o quê, Sarah? Você não assistiu aos filmes ou algum programa que gosta até tarde? Foi dormir logo que chegou?
Ah, sim... ele não sabe.
— Claro! Claro... eu fui dormir por volta das três da manhã.
Ele sorri e eu faço o mesmo, por mais que me sentisse prestes a desmaiar de nervoso.
— Assistiu ao quê? — De repente, ele passou a me notar nesta casa, justamente quando eu mais queria ser invisível.
— Ahm... era aquele filme, sabe? A garota perde a memória e o rapaz tenta reconquistá-la todos os dias — digo o primeiro que me vem à cabeça.
— Do Adam Sandler? Oh, sim, esse filme é ótimo — ele concorda, relaxado. Por mais que ele fosse um poço de mau humor nos dias úteis, os domingos eram alegres porque ele deixava tudo de lado.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Amor impossível
Fanfiction🍒HISTÓRIA FINALIZADA🍒 Sarah Campbell tem 14 anos, e sua vida está prestes a mudar completamente. Ela se mudará para a Alemanha com seu pai, Leny Campbell, diretor de uma das maiores empresas de música do mundo, que busca novas oportunidades. É lá...
