Capítulo Dezenove

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William

Pisar nas minhas bolas doeu menos... Eu teria saído por conta própria, mas o choque da surpresa de ouvir o que aquela ingrata falou, me paralisou por alguns segundos; tempo suficiente para eu ser empurrado para fora do quarto, por aqueles dois, sem a menor cerimônia. Eles realmente acharam que precisavam me expulsar depois da patada que a mimada me deu!? Quem eles pensam que eu sou!? Eu não corro atrás de mulher! Elas correm atrás de mim.

E para piorar Alex estava saindo do elevador, "William, William, William, pela sua cara alguém colocou você em seu lugar, novamente. E você não está gostando desse lugar específico. Venha, vamos almoçar, quero conversar com você".

Passei direto por ele, não estava a fim de conversar. "Vai lamber o chão daquela mimada e me esquece".

Depois de uma gargalhada ele me empurrou para dentro do elevador, "Almoço. Por sua conta".

O desgraçado não falou mais nada até chegarmos ao restaurante. Acomodados e servidos, com o garçom já longe, ele foi direto ao ponto: "Se afaste da Bella. Ela tem coisas complicadas demais para lidar, não pode perder tempo com namoros".

"Quem foi que disse que quero namo...".

Ele me cortou sem a menor cerimônia, "Olha William, eu não gosto de você. Mas não gosto de nenhum homem perto dela. Coisa de irmão, sei que você entende. Mas ela é complicada. Pensa uma coisa e age de maneira diferente. Se comporta de maneira ingênua e boba quando tem o raciocínio mais rápido que boa parte dos homens que conheço. Mas ela não se envolve, ela não namora, ela não tem relacionamentos. Está todo mundo em cima dela por conta do casamento com o Devlin e tenho certeza que foi o relacionamento mais chato da história, porque, repito, ela não se envolve. Você não sabe aonde está tentando se meter".

Eu não sabia se dava risada ou se batia em Alex, "Quem disse que quero namorar aquela mimada?".

"Namorar só não, companheiro. Você quer casar, ter lindos fedelhos mimadinhos e povoar o planeta com mais crianças do que a prudência aceita. Eu conheço essa expressão, já vi em outras pessoas antes. Paixão é cega para quem sente", e com isso ele se levanta, mas antes de ir embora e me deixar ali, olhando para o nada, ainda disse "Eu sei que você não vai seguir meu conselho. Então, quando a merda for maior do que você conseguir aguentar... sabe onde me encontrar. Talvez, e apenas talvez, eu possa te ajudar se achar que você merece e será capaz de fazê-la feliz."

"Casar?", repetia aquela palavra baixinho como se ele tivesse ofendido minha mãe.

***

Faz duas semanas desde aquele dia no hospital e aquela conversa no almoço e eu não consegui parar de repassar as cenas da minha mente nem um só dia. Claro que passar a noite inteira pensando em porque motivo eu deixei aquela ruiva escapar ontem, também não ajudou nada.

Meu humor piora praticamente a cada segundo e o trânsito parado, buzinas para todos os lados não estava ajudando nem um pouco a minimizar isso.

Estava pronto para fazer uma bobagem, como ir à casa da Bella tomar satisfação do fato dela não ter enviado nenhum pedido de desculpas por ter se comportado daquela forma, quando fui fechado em um cruzamento. "Ei imbecil, comprou carteira por correspondência?".

A porta do carro se abre, uma loira monumental desce do veículo. Ela não era só de parar o trânsito, como literalmente parou o movimento em toda a rua com uma manobra desastrada.

"Desculpe, meu carro travou. Alguma coisa com o computador de bordo, não tive culpa", a voz dela era puro veludo. Não que tivesse me afetado, mas isso seria fácil de resolver.

Flor da PeleOnde histórias criam vida. Descubra agora