Capítulo Trinta e Um

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E finalmente é quarta-feira. Dia de capítulo fresquinho...

Esse é bem revelador, então se você gostar, deixa um comentário. Se não gostar, comenta também!

Beijos e estrelinhas também são bem-vindos! rsrsrsrsrs

Vamos logo com isso autora má, publica logo que quero ler...

* * * * *

Sentado em uma desconfortável cadeira velha e quebrada, cercado por homens mal encarados e com aparência suja, eu pensava no quanto odiava aquele lugar, aquele escritório fedorento e tudo o que ele significava em minha vida.

Com claras intenções de desafiar o marginal sentado à minha frente, eu o olhava de maneira a desafiar sua posição de comando. Mesmo sabendo que não deveria, eu na verdade estava distraído, pensando em uma menina que deveria trair, mas que na verdade, ansiava proteger. Melhor afastar logo esses pensamentos. Demonstrar fraqueza é a morte nesse mundo.

"Senhor Antonov, vai contar o dinheiro para terminarmos logo essa transação?", perguntou o homem sentado a minha frente.

"Ygor, traga a máquina para conferirmos", eu não tirava os olhos dele. Medo gelando minhas veias, esse não é o tipo de gente com quem gosto de lidar.

Ygor colocou maço após maço na máquina e podia notar, por seus olhares e a maneira como observava atentamente as notas sendo contadas que tudo o que ele não queria era que era queestivesse faltando alguma nota. Não pelo dinheiro, ele não me importava tanto assim, afinal, nem dele era, mas porque se estivesse faltando alguma coisa ele sabia que aquela negociação terminaria de maneira violenta. Isso seria péssimo para a operação.

"Tudo certo, senhor Antonov", Ygor olhava diretamente para mim, fingindo não notar as outras pessoas na sala.

"Entregue as chaves dos veículos aos nossos... parceiros comerciais". Virando-me para os homens desagradáveis, que se levantavam devagar demais para meu gosto, rosnei "Espero não fazer mais negócios com vocês. Esse foi o último carregamento".

O mais baixo, que era claramente o chefe da organização me lançou um olhar frio, "Esse não era o acordo que tínhamos com seu irmão, Antonov. Já aceitamos que com a morte dele perdemos nossas escravas, a melhor e mais valiosa mercadoria que ele nos fornecia. Mas ficar sem os carregamentos de armas e munições está fora de cogitação. Seu irmão era um homem de palavra, honrava nossos acordos. Talvez essa seja a hora de escolher entre seus pudores e sua vida".

Em uma atitude que vi Yuri assumir vezes sem conta, me encostei descuidadamente à parede, desabotoei o paletó e depois de um suspiro de tédio falei a ninguém em especial, "Não sou o melhor no que faço porque não acredito na mesma merda que acreditam. Isso não é por Allah ou por política. Vocês são mesquinhos, querem poder, dinheiro e perversão. Se eu digo que é o último carregamento que colocam a mão é porque esse É o último carregamento que trago para vocês", então abro completamente meu blazer para deixar minha arma à vista daqueles idiotas, "ou talvez porque vocês não consigam chegar vivos ao seu destino. Saiam antes que eu mude de ideia".

Quando a sala esvaziou e os homens estavam acomodados nos caminhões com as armas, estrategicamente inúteis, porque faltavam pequenas peças – coisa que só descobrirão tarde demais –, viro-me para o agente disfarçado que me acompanha nas missões, trabalhando como se fosse meu secretário, "Ygor, gravou tudo?". Ele apenas acenou para mim e também saiu da sala.

Essa porcaria tem que acabar. Não suporto mais sustentar a fachada de imbatível, de intocável. Todos temem a organização que Yuri criou e comandava com mão de ferro, mas cada vez que tenho que aparecer e fazer as negociações, os acertos, fico certo de minha morte. Apesar com todas as precauções. Não sou tão arrogante quanto meu irmão era, não sou tão imbecil para achar que uma bala não pode me matar. Mesmo que eu nunca entre em uma dessas salas sem um colete a prova de balas.

Fiquei pensando que essa era apenas mais uma noite; amanhã teria que fazer isso novamente e novamente, até que conseguisse acabar com alguns desses monstros. Já foram tantas noites representando, que até mesmo perdi as contas. Só de saber que agora trabalho para acabar com essas malditas quadrilhas, quase vale a pena a ameaça que paira sobre minha cabeça. Caso os homens do meu irmão desconfiem do que faço, me torno um cadáver que respira. Ajudar os governos internacionais a prender esses monstros é pouco, perto do mal que eles causam, mas é alguma coisa.

Aprendi cedo que minha família não a melhor do mundo, mesmo que me mate admitir isso, não há nada que eu possa fazer, nasci nesta família. Meu irmão Yuri passou anos mentindo e me enganando, fingindo que meu pai era um homem bom e honesto.

Meu até então querido e amado irmão mais velho, já era considerado um homem frio, cruel e terrível aos 15 anos, apenas se transformou em um monstro quando mais velho. Sei o que ele passou, ouvi as conversas sussurradas. Durante anos, Yuri e meu tio me mantiveram no escuro, afastado dos negócios da família. Até aquele maldito sequestro.

Nunca quis fazer parte deste negócio, mas não tive escolha. Tudo que eu quero é que o império de terror da organização de Yuri chegue ao fim e mesmo que o preço seja muito alto, eu tenho coragem para pagá-lo. Temo apenas por Bella, ela não merece mais sofrimento.

Ligo para ela e aguardo por longos segundos que me atenda, nem mesmo calculando o fuso horário, a única coisa que preciso saber é se está realmente bem. Bella se acha muito esperta, pensa que está segura com todos os amigos em torno. Isso a torna mais fácil de ser abatida do que pensa. A segurança dela é ridícula e ineficaz.

Depois de conversar rapidamente, me assegurando que está bem, por enquanto, fiquei me lembrando de como entrei nessa confusão. Escutei os planos de Yuri, me esgueirei até o galpão que ele alugou e quando vi o que pretendia fazer com uma menina pendurada em uma barra no teto, meu estômago revirou. Acabei fazendo barulho e fui descoberto.

Depois disso, de conhecer esse lado do meu irmão, fui obrigado por ele e por meu tio a entrar para a organização.

No início nem era assim tão ruim, eu era apenas o menino de recados, não tinha que me envolver em nada que fosse ilegal, mas as coisas escalonaram depressa demais.

Lembro até hoje da sensação de ter que pegar uma arma e atirar pela primeira vez.

Já estava no "serviço de mensageiro" havia alguns meses, talvez um ano e Yuri achou que já era hora de aprender a me defender. Sua principal alegação era que nossa família não havia nascido para garotos de recado e sim para líderes e como tal eu precisava aprender um pouco de tudo – foi assim que descobri que fui colocado como como garoto de recado para que conhecesse um pouco de como as trocas de informações eram trocadas e assim pudesse fiscalizar melhor no futuro.

Começamos com aulas de lutas variadas com ênfase não apenas na defesa pessoal, mas também no ataque ao inimigo. Depois do treino corpo a corpo veio o combate com armas brancas e, por último, as aulas com armas de fogo.

Como qualquer irmão mais novo eu ansiava em dar orgulho ao meu irmão e me esforçava ao máximo em cada lição para mostrar um desempenho cada dia melhor. Sendo um garoto novo não fazia a conexão de que quanto melhor me saísse, mais rápido terminaria o treinamento e mais cedo Yuri iria querer me levar para um mundo que eu não queria que se tornasse o meu. O ataque que ele deu o dia que comuniquei que faria medicina e não administração foi assustador, mas isso foi muito depois.

Passei anos me torturando com o que me tornei por culpa da minha curiosidade e da maldade de Yuri. Depois de seu desaparecimento no submundo e que foi dado como morto, achei que seu império finalmente ruiria. Como me enganei. Agora, escondido no submundo, Yuri está ainda mais cruel, e como se finge de morto, usa meu nome e meu rosto para praticar seus crimes. Finjo fazer parte dessa loucura com um único propósito, destruir completamente essa porcaria de organização.

O pior de tudo isso é nunca ter a certeza de que ele está realmente morto. Seus homens afirmam que ele foi assassinado por Kotaro, o ninja louco que me persegue e diz que terei o mesmo fim do meu irmão se não fizer o que ele quer. Esse homem é ainda mais doente que Yuri. Meu irmão achava que precisava se vingar de Connley. Kotaro? Ele é apenas mau.

Flor da PeleOnde histórias criam vida. Descubra agora