47 - A ultima investigação

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Valentina

Faz três dias que Luiza não me atende. Não tentei ir até a sua casa, não cogitei procurá-la na empresa.

Na verdade, sinto desgostosa em precisar provar, mais uma vez, que ela pode confiar em mim. Por isso a minha insistência tem sido vaga, apenas pelo celular.

Mandei um pequeno texto para ela, me expressei da forma que eu desejava para que ela entendesse que eu nunca seria capaz de entregá-la, nunca seria capaz de fazer qualquer mal a ela. Não houve respostas.

Me sentia extremamente conectada a Luiza. Sentia, mesmo de longe, sua dúvida corroendo suas veias. Não conseguia acreditar que ela poderia questionar o meu amor, depois de tudo o que vivemos.

Mas por certo lado, conseguia entender que talvez, sua confiança nunca se estabeleceu. Ela se deixou levar pelo sentimento forte que temos em comum, mas o receio de tudo o que aconteceu sempre esteve lá, dormente, inativo, estagnado. Somente na espera de um único gatilho despertá-lo. Como lutar para reconquistá-la se ela ainda não confiava em mim?

Nesse tempo, sofrendo sozinha com minha indignação e com a dor de não tê-la, eu acabei pesquisando por conta própria, e com a ajuda de alguns colegas e um pequeno favor do meu pai, como a denúncia chegou até aquele departamento.

Eu estava à espera de um email para ligar todas as informações já captadas e finalmente compreender o que tinha acontecido, porém, eu não esperava ler o que estava diante de meus olhos.

No corpo do email, o anexo revelava todo o dossiê que eu havia montado contra Luiza, com todas as notas e imagens, exatamente todos os arquivos que eu havia dado um fim. Mas o que fez o meu coração palpitar a mil por hora. O remetente que enviou aquele email não era desconhecido por mim. Não, não era de quem eu pensava, não era do Igor. Era meu.

A minha primeira reação foi querer ligar para Luiza, mas o que dizer além de tudo o que eu já havia tentado? Era o meu próprio email ali, naquela tela. Se ela soube daquela informação, era mais do que certo que ela não acreditaria mesmo em nada que eu dissesse. E muito provavelmente ela já sabia, seus advogados eram ótimos em tudo, eram capazes de encontrar o que quer que fosse para livrá-la de uma acusação. Com certeza foram a fundo, ela estava certa que eu a entreguei.

Minha respiração estava descompassada e eu andava de um lado para o outro. Tremi de nervoso. Não tinha nem o que cogitar, eu já sabia quem seria capaz daquilo. Só ele poderia ter hackeado o meu email, nossos emails de trabalho tinham um sistema bem complexo e seguro que ninguém seria capaz de acessar, só ele mesmo saberia quebrá-lo.

Igor me traiu.

Além de lidar com a situação horrível entre Luiza e eu, agora eu também tinha o fato que meu próprio irmão havia me traído. Por quê? Depois de todo o apoio que eu lhe forneci durante sua pior fase, eu dei a oportunidade dele não cair nas ruas como um viciado qualquer. Teve todo o suporte necessário, sem precisar se internar. Eu me sentia tão mal. Tão frustrada e decepcionada.

Me deixei desabar. O choro saia descompassado, eu me sentei naquele sofá, na verdade me deitei. Eu já não entendia mais as minhas reações. O sentimento de total vazio me atingia em cheio e eu soluçava entre lágrimas e lamentos que saiam de dentro de mim. Estava sozinha. Sem meu único amor, sem aquele que um dia eu chamei de parceiro, de irmão.

Ali eu permaneci durante pouco mais de uma hora. Era o que eu precisava para me recompor. Toda a minha vida eu me mantive forte, eu segurei a barra de muitos ao meu redor, eu apoiei e aconselhei a todos os meus sempre que necessário. Sempre que se trata dos meus problemas, sou eu por mim mesma. Eu só preciso de alguns minutos para desaguar, para aliviar o sentimento e deixar que ele percorra para fora, e então, eu me recomponho. No momento eu só tinha a mim, precisava ser forte. Eu seria forte. Não me abalaria tão fácil. Sou muito mais do que qualquer um pode ver.

LILACHistórias para pegar e não largar. Descubra agora