Capítulo 31: Oração

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Júlio César.

Eu acordei com a luz do sol da manhã trazendo sua luminosidade dentro do meu quarto, eu dei um bocejo e estiquei minhas pernas sentindo a pressão em cima delas, pude sentir ali o calor do corpo que me aquecia. A mão dele estava presa na minha cintura e eu sentia sua respiração na minha nuca e agradeci aos céus por aquela sensação.

Eu senti ele depositar um beijo no meu pescoço que arrepiou minha pele.

-Bom dia, meu amor. - Renato sussurrou no meu ouvido.

-Bom dia! - eu disse com a voz rouca.

Renato se levantou da cama devagar e procurou seu sapato para vestir. Após calçar ele coçou a barba e foi ao banheiro, quando ele voltou eu pude ver bem o rosto dele na luz do dia, parecia cansado e envelhecido como se há muito tempo não dormisse direito, sua barba por fazer e o cabelo grande lhe davam uma aparência envelhecida.

Eu lembrei do dia que vi ele no Baile funk coberto de cordões de ouro e anéis, parecia muito diferente do Renato que eu via ali agora na minha frente. Ele parecia cansado e exausto mas ainda sim sorria ao olhar pra mim, os olhos dele estavam carregados de amor como eram naquela vez que nos beijamos na frente do meu prédio.

-Eu vou esperar tua tia chegar pra eu ir pra casa dormir um pouco. - ele disse.

-Tu não conseguiu dormir, moreno? - eu perguntei

-Só dei uns cochilos. Mas eu tô bem, precisa se preocupar não, Baixinho. - Renato me disse com um sorriso no rosto.

Minha tia demorou um pouco pra chegar, enquanto isso eu e o Renato tomamos café da manhã no quarto que foi trazido pela doutora. Ela conhecia Renato e de alguma maneira eu acreditava que ela era uma das "associadas" dele, um eufemismo pra dizer que ela tinha ligações com o tráfico de drogas, e não era só ela. Todos que vinham ao quarto e viam o Renato o tratavam como "Senhor Renato" ou "Senhor", pareciam todos serem empregados dele. Eu estava literalmente num SPA médico com tudo pago pelo meu namorado lorde do tráfico.

-Eu não te perguntei, moreno, mas onde a gente tá?

-Aqui é um hospital particular, Baixinho. A Doutora é uma das donas e ela é minha amiga. Ela me ajudou a resolver tudo com teu serviço, você tá de licença médica até se recuperar.

-Mas e tudo o que aconteceu? Eu quero dizer, o que vamos dizer pra políc... - eu me calo e não termino meu pensamento.

-Eu já resolvi isso também, meu neguinho. Não precisa se preocupar com nada, só se preocupa em se recuperar, tá bom?

Renato se sentou na borda da cama comigo e me abraçou, beijando minha testa suavemente, nós dois ficamos ali abraçados naquele dengo gostoso por muito tempo, eu abraçava ele e não queria mais o soltar, eu sentia meu coração apertar por saber que daqui a pouco ele teria que ir embora pro Morro, mesmo sabendo que ele voltaria a noite para me ver.

-Quem tá cuidando das coisas na Rocinha? - eu perguntei abraçado a ele.

-Barão tá cuidando da maior parte. Pode não parecer mas aquele idiota é mais inteligente e responsável do que aparenta.

Eu dei uma risada.

-E qual é a dele e do Mário? - eu perguntei dando uma risadinha.

-Tu já percebeu foi? - Renato diz me dando um sorriso cansado.

-Só um cego não ia perceber hahaha.

Renato deu um beijo na minha cabeça e me abraçou forte.

-Ah, sei lá.Barão tem o péssimo costume de contar as putarias que ele faz mas ele não disse nada sobre teu primo até agora mas eles dois vivem pra cima e pra baixo o tempo todo agora. - Renato disse.

O Dono do Morro : Eu Odeio Amar VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora