Mário Torres
Eu não estava nem um pouco feliz com tudo isso. Júlio e aquele bandido maldito não combinavam nem um pouco, ele ia sem dúvida causar a morte do Júlio. Quando minha mãe chamou ele pra jantar eu estava pronto pra fazer uma loucura. Eu ia impedir de alguma maneira essa merda que o Júlio estava fazendo na vida dele.
Mas eu fiquei tão tocado quando o Renato apareceu no hospital para visitar o Júlio, por um momento ele me lembrou do Renato da minha adolescência. O mesmo Renato que eu...
"Chega, isso já passou!"
Júlio me ligou para propor uma trégua, ele não queria nenhum problema na noite do jantar e me pediu por tudo que era mais sagrado pra eu cooperar.Nós Passamos quase 40 minutos discutindo no telefone antes dele me dizer:
-O Barão também vai pro jantar. - Júlio disse.
-Ele?
-Sim! Sério!.
"Barão..."
No dia que eu peitei o Renato ele ficou me encarando de um jeito que deixou meu estômago revirando mas não foi algo necessariamente ruim. No dia que o Júlio saiu do hospital ele também levou eu e minha mãe de volta pra Rocinha, no caminho ele ficou várias vezes olhando pra mim no retrovisor do carro. Por algum motivo eu não conseguia desviar o olhar dele toda vez que ele me olhava.
Nós ficamos nos olhando o caminho todo praticamente do apartamento do Júlio até a Rocinha.
O Barão parou o carro um pouco longe da entrada da Rocinha e pediu pra gente descer, um cria tava esperando e ia pegar o carro pra guardar em outro lugar. Quando descemos a minha mãe começou a falar.
-Valeu pela carona Israel!
Ele fechou a cara na hora, ele detestava mesmo ser chamado pelo nome de verdade.
-De nada, Aninha!
Antes que eu pudesse sair andando ele me chamou.
-Ei, Marinho.
-Oi?
-Pega leve com eles dois. O Renato realmente gosta do teu primo, eu conheço ele desde que a gente era jovem. Isso que o Renato sente pelo teu primo eu nunca vi ele sentir por ninguém. - Barão disse. - Só tenta pegar leve.
Barão estendeu a mão pra mim, um aperto de mão para selar uma paz.
Quando eu retribui a mão ele apertou e senti uma coisa na minha mão. Quando eu olhei era uma folha de post-it com um número de telefone e o nome "Barão" embaixo. O Barão deu uma piscadinha pra mim e seguiu o caminho dele em uma moto que um cria tinha trazido.
Quando eu cheguei em casa me arrumei pois mais tarde iria trabalhar e ficaria de plantão na empresa. Quando eu me arrumei e botei a farda de vigilante e saí pegando a minha moto, chegou a hora de ir pra empresa.
Quando eu passei em uma das saídas da Rocinha o Barão estava lá encostado com alguns crias e me viu passando, quando me viu fez um sinal de "me liga", meu coração acelerou e eu quase caí da moto.
No trabalho eu fiquei o tempo todo olhando o post-it e pensando se devia mandar mensagem ou não. Eu sentia meu coração acelerado e uns tremeliques estranhos, eu sentia isso quando pensava no Júlio, essas sensações estranhas e agora tô tendo quando olho pra esse número de celular do Barão.
Não posso negar que inclusive eu cheguei até a pensar em me tocar pensando no Júlio, foi um fundo de poço terrível.
Eu olhava o número e olhava pro meu celular.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Dono do Morro : Eu Odeio Amar Você
Fanfiction[CONCLUÍDA!]Júlio César é um rapaz de Recife que se muda para o Rio de Janeiro após receber um cargo melhor no órgão público que trabalha. Ele passa a conviver com sua tia Ana e seu primo Mário e descobre que os dois moram na Favela da Rocinha. Além...
