Capítulo 35: Ouça o Mar

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Júlio César

Eu estava esperando como um adolescente que o Renato chegasse, eu já estava imaginando o tipo de surpresa que ele teria preparado pra mim mas nada do que eu imaginei chegou sequer perto do que aconteceu.

Quando eram em torno de umas 18:00, Renato me avisou que estava indo me buscar, quando saí da casa da minha tia com minha mochila tinha um carro de luxo ainda mais bonito do que o que o Montanha usou para me buscar no hospital. Quando os vidros escuros abaixaram o Renato estava lá dentro, vestido com uma camiseta preta, uma corrente de ouro fina com um crucifixo na ponta, seu cabelo estava perfeito e sua barba retocada. Eu me senti um mendigo olhando meu namorado daquele jeito e eu todo básico com uma calça jeans e uma camisa polo cinza.

Eu dei a volta e entrei no carro do Renato, quando eu entrei estava meio acanhado e Renato beijou minha mão para me acalmar e passou a mão no meu rosto me dando um beijo logo em seguida. Saímos da Rocinha rápido e seguimos pelas ruas, o Renato dirigiu por muito tempo e eu percebi que estávamos saindo da cidade do Rio de Janeiro.

-Onde nós vamos, Renato? - eu perguntei.

-É uma surpresa mas te garanto que tu como recifense vai adorar. - ele me disse.

-Sério?

-Sério. - ele disse.

Nós dirigimos por umas 2 horas e chegamos no meio da noite. Eu vi uma placa na estrada indicando o local.

"Bem vindo a Angra dos Reis"

Angra dos Reis, um lugar que eu só tinha visto em filmes e em novelas. Eu nem podia acreditar.

-TU TEM UMA CASA AQUI? - eu parecia uma criança fascinada.

-Tenho uma casinha sim. - Ele diz com um sorrisinho sacana.

NÃO ERA UMA CASINHA

ERA PRATICAMENTE UMA MANSÃO

Diversos homens estavam nos esperando na entrada da propriedade. Havia uma verdadeira equipe de segurança protegendo a casa. A mansão era enorme, tinha até uma praia particular e um píer. Eu tava me sentindo dentro de uma novela da Globo mas aquilo era real e era tudo do Renato.

Havia uma enorme sala de jantar com paredes de vidro que davam pra enseada e já havia um jantar posto a mesa, pratos belos e porcelana que eu julgava ser francesa. Os empregados saudavam o "Senhor Oliveira" para todos os lados e eu agora me sentia totalmente um mendigo naquela mansão chique.

Um empregado levou minha mochila para o meu quarto enquanto eu me sentei para jantar com o Renato. Nossa refeição foi bela e pelo que ele me disse estava sendo preparada por um chef que ele contratou para aquela noite e estava na cozinha.

"Quanto custou tudo isso? O Renato tem tanto dinheiro assim?Acho que nem o Fábio e a família dele devem ter tanto dinheiro assim..."eu pensei.

-Eu fiz tudo isso pra você, baixinho. - Renato disse.

-Essa casa é sua? Isso tudo aqui é seu mesmo? - eu ainda não conseguia acreditar.

-É sim,meu neguinho. A única pessoa que sabe que esse lugar existe é o Barão e agora você. Sabe, eu nunca trouxe ninguém aqui... - Renato me disse.

Eu me sentia tão envergonhado, eu nem sequer sabia como reagir aquilo tudo.

-Fala alguma coisa, Júlio.

-Eu não sei o que dizer...

-Então vem cá. - Renato me chamou

Eu levantei e ele segurou minha mão e fomos passear pela propriedade. A grama era tão macia e molhada que meus pés estranharam a sensação, Renato me levou até o píer onde havia uma lancha enorme e me disse que era dele também mas que ele não vinha aquela mansão porque tinha preguiça de sair do Rio, inclusive estava pensando em vender ela.

O Dono do Morro : Eu Odeio Amar VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora