Capítulo 30 : Noite Após Noite

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Júlio César

Eu acordei com minha cabeça rodando. Havia uma luz forte dentro do lugar onde eu tava. Eu ergui meu braço instintivamente para proteger meus olhos da luz e meu rosto doeu quando franzi as sobrancelhas.

-Doutora, ele tá acordando...- eu ouvi uma voz dizer.

Eu tentei me levantar mas fui segurado na cama, tinha um homem em cima de mim me segurando, quando minha visão turva se voltou pra ele o rosto dele se tornou o do Vaguinho, aqueles olhos verdes olhando pra mim e eu entrei em desespero. Comecei a gritar igual um louco e ame debater, acredito que até soquei alguém nesse surto.

Foi quando eu senti braços me segurarem, senti uma picada no meu braço e fiquei sem forças, minha visão foi ficando escura de novo.

Eu me vi dentro daquela sala de novo, tudo estava escuro e eu ouvia a voz do Vaguinho ao redor de mim.

-Pode gritar a vontade. Ninguém vai te ouvir! Ninguém vem te salvar!

-NÃO! NÃO! ME DEIXA EM PAZ! SAI DE PERTO DE MIM! - eu gritava e esperneava no meu sonho.

Eu não via seu rosto mas eu sentia as mãos dele em mim, eu sentia o hálito dele lambendo meu rosto, sentia até o seu maldito membro roçando em mim. Eu gritava e me debatia, acordei num pulo e sai correndo de dentro do quarto onde eu tava, corri sem destino até ser agarrado por 2 homens de branco e novamente senti uma picada mas dessa vez foi na minha nádega e meu corpo amoleceu novamente e tudo ficou escuro.

Eu acordei de novo, a luz do sol entrava pela janela do quarto. Havia uma janela ali? Eu nem tinha percebido. Ao meu lado tinha uma senhora me olhando, o rosto dela me parecia familiar, acho que eu conheço ela de algum lugar.

-Bom dia, meu amor! - ela disse.

Eu tentei erguer meu braço mas fui impedido, eu estava amarrado a cama.

Minha visão foi se ajustando e eu comecei a ver os contornos do rosto daquela mulher sentada ao meu lado. Uma mulher morena de traços belos, os cabelos negros ondulados e soltos com alguns fios brancos que davam a ela um toque de realeza, seu sorriso gentil enquanto acariciava minha mão.

-Tia? - eu perguntei.

-Sim, sou eu Julinho!

-Tia....- eu comecei a sentir as lágrimas inundarem meus olhos.

Eu comecei a chorar e a soluçar ali com ela acariciando minha mão.

-Onde eu tô? Eu quero ir pra casa.... - eu dizia entre os meus soluços.

-Você tá no hospital, Júlio. Tá tudo bem agora. Você tá seguro, ninguém vai fazer mal pra você aqui. - ela dizia com uma voz calma e acalentadora.

-Que horas....que horas são? Eu tenho que ir trabalhar, tia... - eu dizia.

-Não se preocupa com isso, meu amor! A gente já resolveu tudo com teu trabalho. Eles ficaram preocupados mas tá tudo bem agora. Tudo vai ficar bem. - ela dizia suavemente,quase como uma mãe falando com um filho pequeno.

Eu queria me levantar mas não conseguia, meus pés e meus braços estavam amarrados a cama e eu comecei a me desesperar.

-Calma, meu filho! É pro teu bem! É pra você não se machucar como da última vez. - ela disse.

-Última vez? Há quanto tempo eu tô aqui? - eu perguntei com a voz fraca.

-Duas semanas. - ela respondeu.

-Duas semanas? Eu tenho que voltar pro trabalho. Cadê meus óculos? -eu disse.

Uma moça toda vestida de branco entrou no quarto e se aproximou de mim com um sorriso, pelo menos eu acho que ela tava sorrindo já que eu não tava enxergando direito.

O Dono do Morro : Eu Odeio Amar VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora