Capítulo 7 : Minha História

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Renato Oliveira

Acordei hoje meio zoado, tô com uma puta dor nas costas, devo ter dormido de mal jeito.

Saí da cama só de cueca pra fazer meu café da manhã, hoje é mais um dia na favela da Rocinha e tenho muito corre pra fazer hoje.

Depois de tomar meu café da manhã eu já recebi uma mensagem do Barão me informando que o carregamento tava chegando e eu tinha que me preparar. Nóis tá meio afastado porque discutimos faz umas 2 semanas, depois disso o Barão passou a me tratar só formalmente e nós não conversamos tanto como era antes.

A gente já teve vários atritos ao longo dessa vida, já são mais de 15 anos trabalhando juntos, nóis cresceu junto nessa favela, crescemos juntos no movimento mas nunca um desentendimento nosso tinha durado tanto tempo.

Depois de tomar meu café eu vou pra lage fumar um baseado. Faz muito tempo que eu não fumo, traficante esperto não usa o produto que ele vende. Essa regra é básica nos negócios. Eu só fumo quando tô muito estressado ou ansioso e não consigo descontar isso comendo uma vadiazinha da favela.

"Hummmm bando de puta interesseira do caralho"

Eu já perdi as contas de quantas das minas da favela se jogaram pra cima de mim. Essas vadiazinhas não podem ver um cria com um cordãozinho dourado e uma pistola na cintura que ficam assanhadas. Tem muita mina responsa na favela e é pra elas que bato palma. Mina que estuda, que trabalha, que curte o baile funk mas no dia seguinte tá 7 da manhã pegando no batente pra sustentar sua casa. Pra essas eu daria tudo o que eu pudesse.

Agora pra essas putinhas que juram que vão conquistar o Dono do Morro, virar a "fiel" e ter uma vida de rainha, pra essas eu nem dou ideia. E se me estressar demais eu meto é bala no pé.

Do alto da lage eu via toda a Rocinha, dava pra ver até o oceano ao fundo.

"Olha, pai! Olha como é bonita a praia! Quando a gente vai lá?"

-Pai....meu velho.... - digo soltando a fumaça.

"Se o senhor tivesse aqui, coroa, o que ia pensar de mim?"

Meu pai era a pessoa mais honesta,gentil e trabalhadora que eu conheci e eu sou a mais cruel,mentirosa e ardilosa que eu conheço. Meu coroa ia morrer de desgosto se pudesse me ver agora. Hoje eu vivo uma vida totalmente diferente de tudo o que ele sonhou pra mim e trabalhou tanto pra tentar me oferecer.

"Chega, isso não importa mais..."

Um bip no rádio:

-Patrão, o Barão chegou.

-E vamo começar mais um dia, bandidagem! - digo jogando a bituca do cigarro fora.

Fui pro galpão, um local restrito no meio da mata no topo da Rocinha. É lá o nosso lugar, o lugar que só os mais altos na hierarquia tem acesso. Na entrada do galpão o Barão já tava com a carga, um carregamento de armas vindo direto do Paraguai.

Ele fica agora toda vez me olhando com essa cara de cu e essa barbicha de viadinho dele. Cada dia que passa esse mano fica mais boiola, tá doido! Lembro da vez que um morador pegou ele comendo o cu do filho dele na cama dos pais na casa do moleque. O velho chegou e tava o Barão empurrando vara no leke, o moleque até de igreja era, viado!

O coroa veio falar comigo me pedindo providência, né foda? O filho dele gosta de dar cu e eu tenho que resolver? Tá de sacanagem comigo, caralho?!

Eu dei uma prensa no Barão só pra ele ficar ligado e eu não ficar falado que tava passando pano pra desrespeito com morador. Foi por causa do desrespeito com morador que eu fuzilei o Metralha na primeira oportunidade que eu tive e tomei o morro pra mim.

O Dono do Morro : Eu Odeio Amar VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora