Júlio César
Eu acordei, minha vista estava turva. O lugar onde eu estava era uma penumbra iluminada apenas por uma luz de vela. Meus braços estavam erguidos e amarrados por alguma coisa. Eu estava de joelhos no chão.
Havia uma figura que andava de um lado para o outro com algo na mão, algo que brilhava prateado enquanto ele andava e assobiava.
Quando eu me lembrei do que ocorreu eu tentei gritar mas havia algo cobrindo a minha boca, eu comecei a me debater e tentei me levantar mas meus pés estavam presos e eu não conseguia me levantar.
-Acordou, Baixinho. - Ele disse sorrindo com seus olhos verdes malignos.
Eu comecei a me debater quando ele chegou perto de mim, ele passou o dedo em meu rosto e quando eu afastei ele me deu um tapa forte que me deixou tonto, depois seguiu-se uma série de tapas e socos na minha cabeça.
-Fica quieto porra! Se tu for bonzinho a gente acaba com isso logo. Se tu for malcriado então tu vai sofrer mais. A escolha é tua.
Eu comecei a chorar. Vagner estava de pé na minha frente, com seu óculos grande demais para seu rosto ele ria e me olhava.Senti uma brisa fria percorrer a minha pele e agora eu percebi que estava apenas de cueca na frente dele. Ele me olhava com os olhos cheios de lascívia e lambia os beiços.
"Não, isso é um pesadelo. Só pode ser um pesadelo!"eu pensava sem poder falar.
-Pode chorar a vontade, baixinho. Ninguém vai vir te buscar. Teu namoradinho traficante tá bem longe e o filho da puta do Barão também. - Vagner disse e começou a rir.
Eu chorava cada vez mais, eu não devia ter brigado com o Renato. Se eu tivesse tentado me explicar eu ia passar a noite com ele e nada disso teria ocorrido.
"Renato....meu amor....eu te amo....vem me buscar por favor!Não me deixa sozinho por favor!"eu pedia em pensamentos mesmo que ele não pudesse me ouvir.
-Enganar aquele idiota do Barão foi mais fácil do que eu pensava sabia? Foi só ter uma coincidência que ele foi seguindo o rastro e já criou toda a verdade na cabeça dele! Ele foi como um lobo atrás do Rinaldo, eu só precisei dar um empurrãozinho final nele. - Vagner se vangloriava.
Eu tentava falar mas não conseguia por causa da mordaça.
-Oi? Tu quer falar, amorzinho? Não tô te ouvindo. - ele se divertia com aquilo tudo. - Olha vou tirar tua mordaça, pode gritar a vontade, ninguém vai te ouvir aqui!
Vagner tirou a mordaça.
-SEU DOENTE! SEU PLANO VAI DAR ERRADO! BARÃO JÁ SABE QUE NÃO FOI O RINALDO! - eu gritei com toda a força.
-Ah ele já sabe? Poxa que pena! Vou ter que fugir de novo igual eu fugi de Sergipe quando tavam quase me descobrindo lá...
-Você matou uma criança....matou um rapaz que tinha toda a vida pela frente... - eu disse em pânico.
-E agora vou matar você, Julinho. - ele disse isso olhando fixamente nos meus olhos.
Eu senti meu corpo arrepiar. Então era isso? Eu ia morrer ali?
"Nunca mais vou ver meus pais....nunca mais vou ver minha família....Mário...Tia Aninha....Renato..."eu pensei caindo em desespero.
-Mas tu não vai assim rápido não! A gente vai se divertir muito ainda, Julinho.
Vagner se levantou e pegou algo em uma mesa no canto daquela sala. Era algum tipo de madeira, um pedaço enorme de madeira. Uma enorme ripa de madeira. Ele a admirava como se estivesse pensando no que viria a seguir.
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O Dono do Morro : Eu Odeio Amar Você
Fanfiction[CONCLUÍDA!]Júlio César é um rapaz de Recife que se muda para o Rio de Janeiro após receber um cargo melhor no órgão público que trabalha. Ele passa a conviver com sua tia Ana e seu primo Mário e descobre que os dois moram na Favela da Rocinha. Além...
