Capítulo 7

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• Boa leitura •

IRENE

Depois daquela sexta de fotos e piscina, o Vinicius ficou mais distante, ele está fugindo de mim e isso é visível. Eu estou amando esse jogo de cão e gato entre nós, já percebi que ele sente duas coisas por mim, ódio e tesão, o ódio porque eu tenho quase certeza de que ele me culpa pela morte da esposa, e o tesão porque quer me provar. Sei que não posso confiar nele, muitas vezes vejo em seus olhos uma ira quando me olha, mas realmente eu preciso dele, ele é treinado, um policial treinado, bem discreto, sem falar na vontade que eu estou de transar com ele, e isso virou uma missão pra mim. Sábado agora tem o Tecnoeste IFC, um evento importante que reúne em torno de 32 mil pessoas em Brasília, e eu já avisei a ele.

Hoje é quarta e ontem de manhã o Marcio, meu gerente de produção, me ligou de uma das fazendas que produz as drogas e falou que tem um dos caras da Graça dando informações para ela, disse que pegou o cara em uma ligação passando a quantidade de produtos que fazemos por semana. Eu já mandei puxarem a ficha dele ontem mesmo e sei da vida toda dele, disse para o Marcio não triscar nele, que amanhã eu vou lá. Estou tão nervosa que vou pessoalmente olhar na cara desse desgraçado e arrancar informações dele, só para ter o gostinho de matá-lo e mandar um recado para a viúva, ela conseguiu me irritar.

05h da manhã

Acordo e vou tomar um banho, visto um macacão de short azul-marinho, tomo meu café da manhã e venho para o meu treino. Olho no relógio e já são 06h32, hoje o Erik não está comigo, treino sozinha. Vinicius chegou às 07h em ponto, Kelvin disse que eu estava na academia e agora ele está na porta, do lado de fora, me esperando

— Vinícius? — o chamo e pego a barra com peso para fazer agachamento

— Sim, madame — ele entra, me olhando pelo reflexo do espelho

— Amanhã cedo vamos a uma das minhas fazendas, preciso resolver um problema! — digo, ofegante, descendo até o chão com a barra nas costas

— Tudo bem — ele responde sério, com o olhar na minha bunda

Ele sai da academia e eu continuo meu treino. Quando termino, vou para dentro da mansão e o Antônio está na sala, falando ao telefone

— Sábado agora temos um evento importante para ir em Brasília, mas no domingo te confirmo, ok, meu querido? Muito obrigada!

Chego mais perto, ele me olha de cima a baixo, me puxa pela cintura e beija minha boca, apertando minha bunda

— Antônio... — eu o repreendo, me afastando um pouco e sentindo minha bunda doer pelo apertão, ele olha para trás, vê o Vinicius e abre um sorriso sacana

— Estou beijando minha mulher, e é bom para ele saber que você tem dono...

— Tá bom, Antônio, agora com quem estava falando? — pergunto, desgrudando nossos corpos, realmente curiosa

— Com o Tadeu, ele disse que tem algumas ações e quer negociá-las — responde

— Humm... cuidado com ele, é um homem esperto, um pilantra — falo, alertando-o

— Eu sei, eu que te ensinei o que você sabe hoje, minha querida! — diz, se vangloriando

— Vou subir e tomar um banho, estou toda suada — olho para o Vinícius e vejo suas sobrancelhas juntas, a cara mais fechada ainda

— Vai levar o guarda-costas para o chuveiro também, já que onde você vai ele está atrás... — diz, irônico, e eu paro, olho para ele e vejo que está encarando o Vinícius, que o encara de volta sem abaixar a cabeça

— Não seja indiscreto, Antônio, olha a educação, mas, respondendo à sua pergunta... não, meu guarda-costas vai ficar aqui — viro as costas e saio, mais nervosa do que já estou

VINÍCIUS

Ela sai da academia usando um macacão curto, justo ao corpo, marcando suas curvas e a bunda redondinha, toda suada. Caminha na minha frente e, desde ontem, percebi que está mais estressada, parou com os olhares e as provocações. Sempre que fala ao celular, se tranca no escritório, e eu consigo ouvir seus gritos, alterada, falando coisas que não dá para entender muito bem

[...]

Entramos na mansão e o Antônio está na sala, conversando com alguém pelo telefone, esse cara nunca está em casa e, quando está, é grosso e mal-educado com ela e com todos ao redor, um homem criado naquela época em que mulher só servia para obedecer, um grande idiota machista

Ela se aproxima e ele desliga o celular, agarra sua cintura, beija sua boca e aperta sua bunda com força. Me sinto incomodado com a cena, ela o repreende e os dois conversam sobre um tal de Tadeu, até o velho idiota abrir a boca e falar de mim quando ela diz que vai tomar banho

— Vai levar o guarda-costas para o chuveiro também, já que onde você vai ele está atrás? — diz, me olhando com ironia, e eu retribuo o olhar com raiva, mantendo minha postura

Ela para no caminho e olha para mim, depois para ele, e diz, nervosa

— Não seja indiscreto, Antônio, olha a educação, mas, respondendo à sua pergunta... não, o Vinícius vai ficar aqui — ela vira as costas e sai batendo o pé

Eu continuo encarando-o e ele não desvia o olhar, como se fosse o dono do mundo

— O que é, rapaz? Quer me falar alguma coisa? — pergunta, chegando mais perto, me desafiando

Fecho os punhos, me controlando para não acertar um murro nele, lembro que preciso ficar nessa casa até encontrar e matar o responsável pelo tiroteio

— Não, senhor — respondo, trincando os dentes de ódio

— Acho bom mesmo, e só reforçando o que você viu aqui agorinha, fique longe da minha mulher, você é só o segurança de merda dela, então, se gosta da vida, mantenha suas mãos longe dela... — me ameaça, mas mal sabe ele que, se eu pudesse, matava os dois sem remorso

— Entendi, sim — respondo e viro as costas, saindo para fora da casa com o sangue fervendo

[...]

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora