Capítulo 21

143 19 4
                                        

• Boa leitura •

VINÍCIUS

Esse verme começa a falar coisas horríveis para ela e, quando ela começa a chorar, eu fico em choque, então é verdade mesmo, ela me ama. Sinto meu peito apertar por saber que não posso retribuir esse sentimento, nem desmentir tudo que ele está falando, e ver ela desse jeito me causa um sentimento estranho, ele falou da minha mulher e agora está fazendo ela chorar na minha frente.

Ele grita com ela e ela fecha os olhos, soluçando de tanto chorar, então eu escuto o disparo e me abaixo. Quando vejo o corpo do velho cair ao meu lado, de olhos abertos, com um tiro na cabeça, olho para ela e a vejo cair de joelhos no chão.

— Irene... — digo quando a vejo no chão, levanto e vou até ela, quando me abaixo para abraçá-la, ela se arrasta para longe, abraçando as pernas.

— Sai... sai daqui! — ela pede, escondendo o rosto, chorando muito.

— Irene, olha pra mim, eu... me desculpa — tento achar as palavras, mas nada vai amenizar sua dor.

Não posso dizer que o velho mentiu e que vamos ficar juntos, não posso dizer que também a amo e que vamos ser felizes, não tenho o que dizer.

— Você tá liberado — diz, levantando a cabeça um pouco e me olhando.

Estou ajoelhado na sua frente e seus olhos estão muito vermelhos, não entendo o que ela quis dizer com liberado.

— O quê? Como assim, liberado? — chego mais perto e seguro seus braços, aproximando-a mais de mim.

Ela levanta a cabeça e olha nos meus olhos, levando a mão ao meu rosto, acaricia minha barba, passa o polegar nos meus lábios e volta a chorar.

— Ele estava certo, eu te amo, Vinícius, e sei que tudo que ele falou é verdade, então eu te demito... você está liberado, você já sabe quem matou sua mulher e pode ter sua vingança, eu não vou te prender a mim sendo que quem ama é somente eu. Pode ir pra casa ficar com sua filha, eu não vou te prejudicar em nada, vou sumir com as filmagens da fazenda e com o corpo do rapaz... agora, por favor, sai daqui.

"Não acredito, ela está mesmo me mandando embora? Não, quem vai proteger ela?" 💭

— Não... você não pode me mandar embora, olha tudo que a gente passou, a gente quase morreu juntos... — digo, indignado, me levantando — Se eu for, quem vai cuidar de você? Quem vai te proteger?

— Vinícius, isso não importa, eu arrumo outro segurança...

— É lógico que importa, eu...

— Vinícius, você me ama? — pergunta, eu a olho devagar e balanço a cabeça, dizendo não — Você vai me amar? — ela levanta e vem até mim, parando na minha frente — Vai me tocar, me beijar e fazer amor comigo como um homem apaixonado? Porque eu nunca tive isso e, se não for com você, eu sei que não vai ser com mais ninguém...

— Irene...

— Você não... não vai, porque você não me ama, Vinícius. Você me culpa pela morte da sua esposa e nunca vai me perdoar por isso, mesmo eu sendo capaz de dar minha vida por você, então sim, você está demitido — ela diz firme e limpa as lágrimas que insistem em cair — O contador vai fazer as contas e vou te mandar tudo por escrito e assinado, agora pode ir embora...

Ela vira as costas, sai do escritório e eu fico ali parado, olhando para a porta. Quando saio da sala, tem alguns homens pegando os corpos da sala e outros limpando a sujeira e a bagunça, olho para os lados e não a vejo.

— Ela subiu!

Me viro e vejo o Kelvin com o braço machucado.

— Você se machucou? O doutor Cláudio está vindo aí...

— Não, eu estou bem... precisa de ajuda? — respondo.

— Não, se ela estiver te libertando, pode ir... já falamos com os contatos da polícia e está tudo certo.

Concordo e saio, indo embora, pensando em tudo que aconteceu hoje.

IRENE

Subo para meu quarto depois de toda essa confusão, vou até o banheiro e encho minha banheira, jogando alguns sais de banho, tiro minha roupa e entro, sentindo a água quente relaxando meus músculos, fecho meus olhos e fico assim por um tempo.

Então sinto seu cheiro e, quando olho para a porta, ele está em pé ao lado da banheira.

— O que você está fazendo aqui? Acabei de te mandar embora... — questiono, um pouco nervosa.

— Eu sei, mas não podia ir sem deixar uma lembrança boa...

Ele diz e se abaixa na beirada da banheira, sem tirar os olhos de mim, enfia a mão na água e pega na minha buceta, começa a fazer movimentos circulares no meu clitóris, me masturbando sem perder o contato visual, eu começo a gemer, me perdendo naquela imensidão verde que eu tanto amo.

— Aaaa... Vinícius... eu te quero tanto — gemo seu nome, fechando os olhos, e sinto ele beijar meu pescoço, dando leves mordidas.

— Gostosa... eu estava doido pra fazer isso...

— Continua... isso, aaaaa... eu te amo...

— Eu também te amo, sua peste!!!

[...]

Eu acordo assustada, olho para os lados e ele não está. Não sei que horas são, mas ainda estou na banheira e a água ainda está morna, sinto as lágrimas descerem pelos cantos dos meus olhos e lembro a sensação de ouvir ele dizer que me ama e, por incrível que pareça, meu coração dispara.

— Não seja iludida, Irene, você é uma mulher de 47 anos... — digo a mim mesma e saio da banheira.

Tomo um banho no chuveiro, me enxugo e deito na cama nua mesmo, demoro a dormir, mas durmo depois de muito rolar de um lado para o outro.

No outro dia, acordo às 06h02 da manhã, vou ao banheiro, escovo os dentes e desço com uma regata, shorts jeans, cabelo amarrado e sem maquiagem. O delegado está me esperando na sala de visita para colher meu depoimento, digo que foi uma tentativa de assalto e que os ladrões levaram alguns eletrônicos e joias minhas, mas o Antônio reagiu e eles o mataram. O delegado disse que daria o caso por encerrado após uma investigação leve, eu o agradeço com um cheque e ele vai embora feliz.

Olho no relógio e são 07h25, inevitavelmente lembro que ele chega às 07h e sempre fica na porta da mansão. O IML está tirando o corpo do Antônio, a casa está toda limpa, mas ainda tem buracos de bala em todo lugar, já foi contratada uma empresa para dar um jeito nisso e eles vão chegar às 08h para começar os reparos.

Subo para meu quarto, coloco uma roupa para malhar e desço, não quero ir à academia, mas preciso, então sento à mesa e tomo um café leve.

Quando saio rumo à academia, meus olhos passam pela entrada e eu paro, paralisada. Acho que o vi, então olho novamente e lá está ele, parado de frente para a porta de entrada, me encarando com seu uniforme de sempre e com o braço na tipoia, vou até ele, incrédula.

— O que você tá fazendo aqui? — pergunto com raiva.

— Uai, trabalhando, sou seu guarda-costas... esqueceu? — ele diz, se fazendo de desentendido.

— Você ERA meu guarda-costas, ERAAA... Vinícius, eu te mandei embora, te demiti...

— Mas eu não aceitei e não vou embora, entendeu? — diz, autoritário.

— Mas por que essa insistência toda em ser meu guarda-costas? O QUE DIABOS VOCÊ QUER DE MIM? — grito com ele, realmente muito nervosa.

— Eu não sei, tá bom? Eu não consigo ficar em casa e saber que você tá aqui, que a qualquer momento alguém pode entrar e te machucar ou coisa pior, e se você me perguntar do porquê, eu não sei, tá legal...?

— Não sabe? Então vamos descobrir... você quer ficar? Beleza, pode ficar! Mas você vai ter que me aguentar — digo, decidida a provocá-lo até ele ir embora de vez ou me levar pra cama, vamos descobrir o que ele sente por mim — Vamos, você agora vai pra academia comigo!

Saio brava com ele, indo na frente, e ele me segue como sempre.

[...]

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora