Capítulo 16

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• Boa leitura •

IRENE

Aquele abusado foi embora ontem e simplesmente sumiu, não me mandou uma mensagem e não me ligou. Ontem, quando o médico estava olhando o Vinícius, o diretor do evento me ligou, eu mandei ele apagar as imagens do corredor dos banheiros e me mandar as imagens do evento do início ao fim e de todas as câmeras, ele disse que faria isso.

Vejo o Antônio na hora do almoço e pergunto onde ele estava ontem, antes de tudo acontecer, ele disse que passou mal e veio embora mais cedo, me perguntou como eu estava, vi a falsidade na sua preocupação, fingindo que acreditei. Umas 14h, as imagens chegaram no meu e-mail, encaminhei as gravações para minha equipe de filmagem, que faz o controle das câmeras nas fazendas, e pedi para me mandarem qualquer movimentação estranha do Antônio, da Graça ou de qualquer outra pessoa, eu já suspeitava que ele estava armando para tentar me matar, e essas imagens seriam minha confirmação.

De noite, por volta das 20h, os cortes com os momentos mais suspeitos da festa chegaram prontos para mim, em uma das imagens, meu querido marido está conversando com a viúva, meu sangue ferve, mas minha raiva aumenta quando ele aponta o Vinícius.

— Esse desgraçado mandou matar o Vinícius... — digo, nervosa, e bato na mesa.

A viúva fala alguma coisa no celular, e eles saem da festa, logo em seguida, tudo começa. Antônio se juntou com a viúva para me matar e mandou matar meu guarda-costas junto, mas ele vai pagar por isso. Ligo para todos meus capangas mais fortes e mando invadirem a casa da viúva, vamos ver como ela vai reagir, porque até agora eu não tinha começado a brincadeira, mas ontem ela mandou matar meu segurança, e isso não vai ficar assim, não vai mesmo.

Depois que termino de ver as imagens, fico com a respiração pesada e doida para enfiar uma bala na cabeça do Antônio, mas não entendo toda essa raiva por ele ter tentado matar o Vinícius.

"O que está acontecendo comigo? Que sentimento de proteção é esse por esse homem... que desejo louco e descontrolado é esse? Sinto que sou capaz de tudo por ele, de matar qualquer um que o ferir, e isso é algo que eu realmente não entendo, nunca senti, é um sentimento desconhecido para mim, e eu odeio tudo que foge do meu controle..." 💭

Segunda, 18h

Estou no meu escritório, andando de um lado para o outro, olhando meu celular de 10 em 10 minutos, à procura de mensagem dele, estou agoniada, e ele só volta na quarta ainda, quando penso nele, meu peito dói e parece saudade dele.

"Mas por quê? Ele é grosso comigo, deixa claro que não me quer, nunca trocamos um beijo e ainda me desobedece, me chama de peste, diz que sou bandida e cruel, corre de mim sempre que pode e se nega a tocar em mim. Por que eu estaria com saudade dele? Há anos não sei o que é sentir saudade de alguém, nem lembro quando foi a última vez, estou com medo dele não voltar, e nunca senti medo de perder alguém, nunca senti a necessidade de cuidar de alguém além de mim mesma. Eu não sei cuidar dos outros, então por que essa vontade doida de ligar para ele, ver ele e cuidar dele... por quê?" 💭

— MAIS QUE INFEEEEERNOOO!!! — grito, descontrolada.

Jogo no chão tudo que está em cima da mesa, Kelvin entra correndo na sala, preocupado.

— Imperatriz, o que foi? O que aconteceu? — pergunta, olhando ao redor, vendo a bagunça.

— Aquele desgraçado do Vinícius não ligou, não mandou uma mensagem... UMA!!!! E agora eu tô sentindo meu peito doer, tô com vontade de ver ele, mas ele só vem quarta e nem fui eu quem liberou, foi ele que disse que iria e foi...

— Ô, Imperatriz, isso é saudade! A senhora está sentindo falta dele — me diz, calmo.

— Por quê? Por que eu estaria com saudade daquele ogro? Não faz sentido para mim.

— Quer mesmo saber? — pergunta, receoso.

— CLARO. Se não eu não perguntaria!!! — falo, irritada, mas Kelvin já é acostumado com meu jeito.

— A senhora está apaixonada por ele, só não está sabendo lidar com isso ainda!

— Apaixonada? Como eu me apaixonei por ele, sendo que não transamos, nem sequer nos beijamos? — pergunto, pensativa, encostando na mesa, totalmente confusa.

— Não precisamos transar para se apaixonar por alguém, Imperatriz, e eu entendo a senhora se apaixonar por ele. Ele é um homem lindo, cuida de você e te protege, me contaram como ele ficou na sua frente no tiroteio em Brasília, dando a vida por você, ele te dá carinho do jeito dele, mas dá, ele é gentil, e eu observei o jeito que ele te olhou no dia da piscina, vi o jeito que ele quis defender você do senhor Antônio aquele dia, ele não faz todas as suas vontades e te desafia, mas, pelo pouco que eu sei, a senhora não teve nada disso, e aí ele chegou e te deu o que faltava, carinho e amor. Ele tá ensinando a senhora a amar, mesmo não sabendo disso.

— Meu Deus... como sei que estou apaixonada por ele? — pergunto, pensando em tudo que o Kelvin me disse.

— É complicado de explicar, mas a gente tem vontade de ver e estar com a pessoa o tempo todo, e, quando estamos só, brigamos, claro, nem sempre, mas, quando não estamos, sentimos falta, reconhecemos o cheiro a metros e queremos protegê-lo do mundo, se possível. O medo de perder é constante, e você não sabe o que faria da vida se essa pessoa simplesmente sumisse.

Ele para de falar, e já ouvi o suficiente.

— Kelvin, me deixa sozinha... — peço, seca, olhando para o chão.

Ele sai da sala, e minha respiração tá pesada, meus olhos se enchem d'água, eu olho o celular de novo, e já são quase 19h.

— Foda-se, vou lá... — saio do escritório e vejo o Antônio na sala.

— Onde você vai, Irene? — pergunta.

— Resolver um problema! — respondo, sem dar muita explicação.

Chego no estacionamento e vejo o Ramiro e o Kelvin conversando.

— Ramiro, para de papo furado e vamos ali — falo, e ele corre, abrindo a porta para mim.

— Boa noite, dona Irene! — ele diz, entrando no carro, e saímos.

Passo o endereço, e uns 20 minutos depois, paramos na porta do condomínio, Ramiro fala com o porteiro e é liberado muito rápido.

— Como conseguiu entrar tão rápido? — pergunto, curiosa.

— Tenho um amigo meu de infância que mora aqui, então eu tenho liberação!

Ele para na porta da casa, e é uma casa bonita, com dois andares, marrom, com uma bela iluminação e árvores perto dos muros, não tem portão, as janelas são grandes, e vejo seu carro na garagem, as luzes ligadas, e mando o Ramiro esperar no carro mesmo, desço e vou até a porta principal, toco a campainha e espero.

2 minutos depois, uma menina de pele morena, cabelos lisos e olhos puxados abre a porta.

— Oi, boa noite! — ela diz, depois do meu silêncio.

— Boa noite, menina, o Vinícius mora aqui?

— Sim, é meu pai... quem é você?

— Ah... eu sou a patroa dele, Irene Lá Selva.

— Você é a peste! Papai falou de você... e ele tá certo! — ela diz, me olhando de cima a baixo, com um sorrisinho travesso.

— Certo em quê? — pergunto, curiosa e um pouco nervosa.

"Até essa menina me chama de peste? Vou matar o Vinícius..." 💭

— Você é muito bonita! — ela diz, e um sorriso cresce nos meus lábios sem eu nem perceber, e o nervosismo vai embora. — Entra, vem! Vou chamar meu pai...

Ela pega minha mão e me puxa para dentro da casa, olho ao redor, e os móveis são modernos, a sala é grande e, junto da cozinha, tem uma escada grande que leva ao segundo andar, e seu cheiro está impregnando por toda a casa.

— Você quer alguma coisa? Papai fala que tem que oferecer coisa pra visita... eu não sei o que tem, mas posso pro...— ela para de falar quando ouve a voz dele.

— Filha, quem tá a... — ele pergunta, descendo as escadas só de bermuda, e para quando me vê. — O QUE TÁ FAZENDO NA MINHA CASA??? — questiona, nervoso, e isso me assusta um pouco.

[...]

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora