Capítulo 36

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• Boa leitura •

VINÍCIUS

Tem uns 10 dias que ela não olha pra mim direito e só fala o necessário. Durante esses dias as coisas andam corridas pra ela, as fazendas estão passando por uma crise por conta do calor extremo, algumas pragas e alguns incêndios criminosos que foram contidos, mas ela está muito estressada. Por mais que ela esteja uma pilha de nervos com o mundo, com Anahi ela é doce e amável. As duas brincam todos os dias e gargalham, estão cada vez mais ligadas e eu, sinceramente, não sei o que dizer ou fazer.

Estou com saudade dela e estou tentando uma aproximação aos poucos. Ela está cedendo, mas confesso que não me atrevo a avançar de uma vez depois do que eu disse aquele dia, ela está sem paciência comigo. As brigas continuam, ela me alfineta sempre que pode e isso é toda hora do dia eu revido, lógico, e sempre acabamos em uma discussão, mas logo depois fica tudo bem. O batalhão me ligou perguntando quando eu voltaria e eu disse que ainda não tinha data prevista, expliquei sobre a situação da minha filha e da cirurgia, eles entenderam e me deram o tempo que fosse necessário.

Minha filha está quase 100%, já corre e brinca normalmente, toma banho de piscina com a Irene. A professora continua vindo, mas ela está doida para voltar às aulas normais e eu entendo, não é sempre que podemos estar com ela. Maria já veio na mansão umas três vezes e passou o dia com ela e a cozinheira tem uma filha pequena e, por incrível que pareça, Irene mandou trazer a menina para brincar com ela, então a menina vem alguns dias depois da escola.

Irene tem recebido ligações do tal Caio há uns cinco dias seguidos, sem parar. Ela atendeu a primeira vez e ele não disse nada, da segunda, ele perguntou quando iriam se encontrar de novo e a Irene falou que é ela quem decidiria isso e que não era pra ele ligar novamente. Não gostei da resposta dela porque deixou a entender que ela vai encontrar eles novamente, mas desde então ele não para e isso está irritando tanto ela quanto a mim ele está obcecado, isso é nítido. Ela disse que ele não é capaz de fazer nada porque a conhece, mas eu duvido muito.

21h30

Acabei de fazer minha filha dormir e ela ainda estava no escritório, resolvendo algumas coisas. Saio do quarto da minha filha e entro no meu, tiro a roupa e vou para o chuveiro tomo um banho pensando nela, no seu sorriso sincero, nos beijos e abraços que dá na Anahi, nas vezes que disse que me amava e nos seus carinhos, nas provocações e na safadeza, nela nua, com a pele lisa em cima de mim, no gosto da sua boca e nos beijos quentes que me dá. Lembro dela de quatro, gemendo meu nome, gozando no meu pau fico perdido em meus pensamentos quando, de repente, ouço o barulho de algo quebrando, o que me faz voltar à realidade.

— O que foi isso? — pergunto a mim mesmo.

Pego a toalha, me enxugo mais ou menos, visto uma bermuda rápido, pego a pistola com o silenciador e desço para ver o que está acontecendo.

IRENE

Estou no escritório terminando de ler alguns e-mails. Esses últimos dias não estão sendo muito bons, vários problemas nas fazendas, as coisas que aquele traste me disse ainda estão ecoando na minha cabeça como um gravador e minha única alegria é a Anahi. Ela está ganhando o meu coração a cada dia que passa, é carinhosa, me abraça e me beija sempre que me vê e eu nunca tive esse tipo de carinho tão sincero.

Olho no relógio e são 2h34 decido que está na hora de eu subir, tomar um banho e deitar, me lembro dele e um tesão me sobe. Não sei há quantos dias estamos sem transar e confesso que estou doida de saudade.

"Será que ele está acordado?" 💭

Um sorrisinho malicioso cresce nos meus lábios, mas logo desaparece.

— Não... você não vai atrás dele só por causa de sexo — digo a mim mesma, me recusando a prestar esse papel.

Desligo o computador e saio do escritório, vendo a casa em uma penumbra estranha todos sabem que gosto da casa iluminada. Quando estou passando pela sala, vejo alguém perto da porta e me assusto, pela primeira vez sinto medo de alguém tentar me matar ou fazer algum mal com quem está aqui, Anahi principalmente. Estou sem arma e a casa está quase vazia, o que só piora.

— Quem é você? — pergunto sem demonstrar medo.

— Oi, Irene.. Sou eu, o Caio... — ele sai da sombra e vem até mim.

— O que você pensa que está fazendo aqui, seu moleque? Como entrou? — pergunto, enraivecida.

— Desculpa, eu não queria te assustar.. Eu só estou com saudade e você não atende às ligações, não chama mais a gente pra ir no apartamento há dias, eu estou com saudade de você...

— Saudade? E desde quando te dou liberdade pra sentir saudade de mim, Caio? O que tivemos foi só sexo, e eu te pagava muito bem para isso...

— Tivemos? Porque tivemos? Você não vai voltar a ficar com a gente? — pergunta com a voz embargada.

— Não seja ridículo, Caio. Quem decide se vai ou não continuar sou eu e, com certeza, você não será mais um dos meus meninos!

— Não... não faz isso, me perdoa! Irene, eu te amo. Eu sempre estive lá pra você, te satisfazendo e obedecendo suas ordens. De uns meses pra cá você anda tão distante, não liga mais pra gente e isso começou depois que aquele português de merda chegou — ele vai falando e chegando mais perto de mim, me causando uma sensação ruim.

— Me ama? Que porra de amor, Caio, tá louco? Sai de perto... — digo, dando um passo para trás. — E muito cuidado com o que fala do meu segurança, quem você pensa que é? — aponto o dedo na cara dele, já pensando em como vou matá-lo.

— Meu Deus... você realmente o ama, né? Ama ele, Irene? Quando vi você beijando ele, achei que talvez tivesse mudado de ideia sobre o beijo na boca e, quando disse que amava ele, não achei que era sério... mas você ama mesmo ele! — diz nervoso, passando as mãos na cabeça e no rosto.

— Se eu fosse você, ficava calmo e iria embora, Caio. Eu não quero fazer nada contra você, mas você está pedindo para ser morto...

— Morto? Vai me matar, Irene? — avança sobre mim e me segura pelos braços, juntando nossos corpos.

— Me solta, Caio! — falo mais alto, me debatendo, tentando sair.

— Eu te amo, Irene, e quando falo isso você fala em me matar? Por que você não me ama também? Por que não me beija igual beijou ele e diz que me ama? Se me der uma chance, você não vai se arrepender, meu amor. Eu prometo — diz, tentando me beijar, e me agarra, apertando minha bunda.

— Me larga, seu filho da puta! Eu nunca vou te amar, Caio... ME SOLTA! — quando vou gritar, ele tapa minha boca.

Mordo a mão dele e, quando vou correr, ele me agarra por trás, tapando minha boca novamente. Me debato e acabo batendo o pé em um vaso de vidro que tem na mesinha, fazendo o vaso cair e quebrar.

— Sua vagabunda, você vai me amar sim! — ele me joga no sofá, subindo por cima de mim.

— Caio, eu vou te matar! — exclamo, dando tapas nele, e ele leva a mão ao meu pescoço, apertando-me e tirando totalmente o ar.

— Depois de tantos anos te servindo, te amando, você me ameaça? Eu nunca neguei um desejo seu, larguei minha vida por você, minha noiva... pra você se apaixonar por outro e me abandonar? — ele diz com ódio, chorando enquanto aperta meu pescoço.

Ele puxa minha blusa social, arrebentando os botões e levando junto meu sutiã.

— N... não! — me debato e ele segura meus braços.

— Pela primeira vez vou te comer como você merece e sei que você vai gostar...

Meus olhos se enchem d'água, sinto as lágrimas escorrerem pelos lados e não consigo acreditar que isso está acontecendo comigo. Começo a perder a consciência pela falta de ar e então sinto ele me soltar, saindo de cima de mim. Estou mole, completamente aérea, tentando puxar o ar com força, tossindo. Quando olho pra minha frente, vejo o Vinícius só de bermuda.

Ele me olha cheio de ira nos olhos por me ver nesse estado. Olha para o Caio, levanta a pistola e, sem hesitar, dispara contra ele.

[...]

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora