• Boa leitura •
VINÍCIUS
Entro no meu quarto e, mais uma vez, sei que fui um idiota com ela, mas não era para Anahi ter me visto lá. Eu gosto de estar com ela, ela é gostosa e nosso sexo é o melhor que já tive, mas não vai passar disso. Ela é uma assassina, bandida, que tortura homens e fabrica drogas minha filha não vai crescer tendo ela como mãe
Mas sei que peguei pesado e que ela tem sentimentos por mim, e eu sabia que isso aconteceria. Entro no banheiro, faço minhas necessidades, tomo meu banho, lavo o cabelo, saio e coloco minha roupa de trabalho, camiseta preta, calça preta e coturno. Coloco meu relógio, passo um perfume e um creme nos braços, protetor solar no rosto, porque hoje ela tem compromisso e sei que vamos sair
Desço e vejo minha filha na mesa, com o café servido
— Papai, cadê a tia? — pergunta, com um short rosa que faz conjunto com a blusa, os cabelos lisos e os olhos puxados, a coisa mais linda
— Está descendo, meu amor! — respondo, acariciando seu rosto
Ela está comendo frutas e vendo desenho no tablet. Eu respondo algumas mensagens do Miguel, perguntando como estava tudo. Vejo que se passam 20 minutos e ela não aparece, 30 e nada, 40... e já estou olhando para a escada de 1 em 1 minuto
— Esperando alguém, querido? — Kelvin fala atrás de mim, me assustando
— Ôh, assombração, precisa chegar assim?! — digo grosso, e ele sorri brincalhão — É claro que estou, sua imperatriz tem coisas para fazer hoje!
— Humm... então agora pode olhar, porque ela chegou — ele diz, sorrindo
Sinto seu perfume marcante, esse cheiro é tão dela que não dá para não saber quando ela chega no lugar. Eu olho e a vejo andando até a mesa, cabelos soltos, calça preta, camisa social branca, sandália preta e bem maquiada
Nem parece a mulher que deixei no quarto há uma hora e meia, ela não me olha e sorri para Anahi quando chega
— Você deixou frutas para mim, mocinha? — pergunta e dá um beijo na cabeça da minha filha
Ela me ignora, parecendo que não existo. Sua indiferença me atinge em cheio, mas não posso julgá-la nem questionar, porque eu fui um filho da puta com ela mas confesso que vê-la linda assim me deixa bobo
— Nossa, tia, a senhora tá tão linda... não tá, papai? — pergunta, olhando para ela com admiração e amor
— Tá muito linda sim, filha! — respondo, sabendo que estou com cara de bobo, mas ela nem olha na minha direção
— Hiii... o que você aprontou, guarda-costas? — Kelvin pergunta no meu ouvido, divertido, vendo o clima
— Cuida da sua vida, Kelvin! — exclamo, sussurrando, e ele sorri, mas para assim que ela chama por ele
— Kelvin...
— Sim, imperatriz? Bom dia! — Kelvin corre para o lado dela, como o bom cãozinho que é
— Bom dia. Já confirmou a reunião com o comprador da soja? — ela pergunta, autoritária como sempre, mas o que me surpreende é ela responder ao bom dia dele
— Já sim, imperatriz. Às 10h, e agora são 08h03 — responde, prestativo como sempre
— Ótimo, está liberado por enquanto! — ela senta e pega um pão de forma integral, ovos mexidos e um suco de laranja, e Kelvin sai
— Tia, a senhora vai sair hoje? — Anahi pergunta, curiosa que só ela
— Vou sim, pequena. Hoje o dia vai ser longo para mim...
Eu a observo preparar seu café e falar com minha filha. Vejo seus olhos um pouco vermelhos e inchados pelo choro e, então, ela me olha ainda com a cabeça baixa. Vejo a tristeza dela, meu coração dói e, nesse momento, me arrependo de ter falado aquelas coisas para ela
— Iren...
— Como estão sendo suas aulas, pequena? Está gostando da professora? — ela me corta, puxando assunto com a minha filha, que se anima em conversar
— Eu adoro! Ela é muito divertida e fala que sou inteligente.. Ela perguntou o que eu quero ser quando crescer... — Anahi responde, feliz
— Nossa, que bom! E o que quer ser quando for mais velha? — Irene pergunta, olhando para ela e bebendo o suco
E minha filha fala algo que me surpreende e tira a Irene do eixo
IRENE
— Nossa, que bom! E o que quer ser quando crescer? — pergunto, bebendo um gole do suco, olhando para ela e sorrindo
— Eu quero ser dona de fazenda como a senhora, ser bem rica e bonita! — diz, sincera, me olhando com os olhos brilhando
Meu sorriso vai diminuindo e dando lugar à emoção. A resposta dela me deixa surpresa e, confesso, saio do meu trilho. Ela diz tão certa de que sou apenas dona de fazendas, e o seu desejo é tão lindo e meigo
— Ôh, minha pequena... — passo a mão na bochecha fofa dela, fazendo um carinho — Se depender de mim, você vai ser dona da maior e mais bonita fazenda do Mato Grosso, vai ter muitos bichos para cuidar e muitas frutas para comer quando quiser. Uma piscina grande, com uma família linda e feliz, filhos que vão te fazer companhia sempre, um marido que vai te amar acima de tudo. E você vai ser rica, sim, mas não só de dinheiro, você vai ser rica de tudo que o dinheiro não compra: amor, confiança, paz e tranquilidade. Você já é muito linda, então isso não é um problema
Ela sorri, e a enfermeira chama para tomar os remédios e fazer algumas atividades
Ela vai correndo, dando tchau, e eu a olho subir as escadas
— Irene... — ouço o Vinícius me chamar, e meu estado de emoção vai embora
— Não tira mais uma vez minha paz, Vinícius. Você acabou com meu dia, e a Anahi fez ele bonito de novo, então não abre sua boca! — exclamo, grossa e sem paciência para ele — Aliás, como um ogro, grosseiro, babaca, insensível e egoísta, como você foi capaz de fazer uma menina tão doce e meiga como ela?
Olho para a cara dele, incrédula
— Larga de ser grossa, mulher... — me responde, indignado
— Ahhh, cala a boca, Vinícius, e vamos, que já estou atrasada — levanto da mesa, pronta para sair
— Mas você nem terminou seu café... — diz, chamando minha atenção, como se ele se importasse com isso
— Oh, que fofo! Você preocupado com minha alimentação, que lindo!!! — digo, debochada e cínica, olhando para a cara dele — Quem vê de fora até acredita que você se importa!
— Precisa ser grossa assim? — diz, levantando da cadeira, nervoso, e vindo até mim
— PRECISA! Ainda estou sendo boa e educada com você, seu traste, então cala a boca e não me dá o desprazer de ouvir sua voz hoje, porque você já falou demais no quarto. Então, xiiii... Eu ainda sou sua patroa e você, meu guarda-costas. Agora vamos, seu canalha...
Não espero resposta e saio andando na frente, rebolando o quadril, sabendo que ele ficou parado no lugar, cheio de raiva
— VOCÊ É UMA PESTE, SABIA?! — ele grita, e eu continuo meu caminho, pego a bolsa no sofá e ele vem correndo até mim
E saímos para os compromissos do dia...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu guarda costas
FanficIrene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
