Capítulo 38

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• Boa leitura •

IRENE

DOMINGO

Hoje faz 2 dias que o Caio invadiu a mansão. Mandei reforçarem a segurança, colocando o dobro de homens ao redor da casa. Nesses últimos dois dias as coisas foram tranquilas, mas eu ando uma pilha de nervos. Meu corpo anda um pouco dolorido, principalmente os seios, tô mais estressada que o normal e com muita dor de cabeça, provavelmente é pelo estresse de tudo que aconteceu.

As coisas com as fazendas andam na mesma, mandei matar dois homens da Graça e os meus que estão lá na casa dela não foram descobertos. Eles me disseram que anda tudo muito calmo há uns dias e isso eu acho estranho. O traficante não voltou à casa dela, também não ouvem mais falar em invadir minhas terras, mas eu sei que ela está esperando a hora certa para fazer alguma coisa e, por isso, estou mais esperta que nunca.

Estou no quarto da Anahi ela me pediu para fazê-la dormir hoje, coisa que está ficando mais frequente nesses últimos dias. Nesse último mês nossa ligação está muito forte, brincamos todos os dias, ela me maquia quando brincamos de salão de beleza, fazemos a tarde do chá quase todos os dias, andamos de bicicleta pela mansão e nadamos. Mandei trazer um cavalo para cá e estou ensinando ela a montar. Eu a ajudo nas atividades escolares, dou medicação, banho, levo para passear e praticamente todas as refeições fazemos juntas.

A enfermeira está em um dos quartos de hóspedes porque minha menina já está boa e pode dormir sozinha. O quarto está iluminado pela luz do corredor que entra pela porta aberta. Ela está com o pijama rosa de borboleta, abraçada ao seu ursinho favorito, com os olhos fechados, mas ainda não dormiu.

— Tia? — sussurra bem baixinho.

— Oi, meu amor! — olho pra ela e passo a mão nos seus cabelos lisos, ela me olha com os olhos de jabuticaba, bem acordada.

— A senhora gosta do papai, né? — pergunta, sentando de frente pra mim e não dá pra negar, ela é muito esperta.

— É, eu gosto sim! — respondo sorrindo pra ela.

— Então por que vocês não se casam logo? Eu ia gostar de ter você como madrasta, mas a boazinha, não a má. — diz, refletindo sobre o que está falando, como se enxergasse um futuro assim.

— Ah, meu amor, as coisas não são tão fáceis assim... a vida de adulto é muito complicada! — coloco uma mecha de seus cabelos para trás da orelha.

— Tia... — me olha e vejo seus olhos cheios d'água, me levanto e sento na sua frente.

— O que foi, minha menina? — pergunto preocupada não gosto de vê-la chorar.

— Eu sinto falta da minha mamãe... — diz triste e meu coração dói.

Pela primeira vez me sinto culpada pelo que aconteceu. Enxugo sua lágrima, que desce pela bochecha fofa e redonda.

— Eu sei, meu amor eu sinto muito por isso! — sinto meus olhos arderem.

— Eu nunca vou esquecer ela, eu sempre vou amar ela como minha mamãe, mas... — começa a falar e para, eu a pego no colo e a deito como um bebê, que ela é.

— Mas o quê, querida? Pode falar o que quiser comigo! — pergunto, passando confiança.

— Mas eu ia gostar se você fosse minha mamãe também. — diz envergonhada e eu me emociono mais ainda.

— Eu também iria amar ser sua mãe, minha pequena... você é linda, esperta e eu faria de tudo por você. — sinto a primeira lágrima cair.

— Tia... — diz e pega no meu cabelo como um carinho.

— Pode falar...

— Eu te amo... — diz com todo seu amor.

Fico em choque ninguém nunca me falou isso com tanta sinceridade e verdade. Começo a chorar silenciosamente e beijo sua testa, eu a abraço forte e sinto algo dentro de mim mudar, algo novo aparecer e, pela primeira vez desde os 13 anos de idade, eu gostaria de ser mãe de verdade.

— Eu também te amo, meu amor! Te amo muito, minha filha, e eu vou cuidar de você, te proteger de toda maldade desse mundo, custe o que me custar.. Eu te prometo... — a aperto e deito com ela na cama, ela me abraça de volta e assim ficamos até ela pegar no sono.

A felicidade que eu sinto não cabe em mim não consigo parar de chorar, não importa o que o Vinícius faça, eu nunca vou sair de perto dela, nunca vou abandoná-la e vou proteger a Anahi com minha vida, se precisar.

Depois de um tempo que ela dormiu, continuo a olhando até que decido ir para meu quarto tomar meu banho e dormir.

VINÍCIUS

Hoje é domingo e já perdi as contas de quantos dias tô sofrendo de tesão por ela, com saudade do corpo e do cheiro dela. Sonho com ela todos os dias e hoje vou procurá-la eu preciso dela, tô enlouquecendo. Nesses últimos 2 dias ela anda mais estressada e mais gostosa também não sei explicar o que é, mas algo nela está me atraindo mais que o normal.

Anahi pediu pra ela colocá-la para dormir e, depois de um tempo, resolvo subir para ver se minha filha já dormiu. Paro na porta e as duas estão conversando pelo jeito, cheguei no começo da conversa e, quando vou anunciar minha chegada, minha filha pergunta se a Irene gosta de mim.

Paro e começo a ouvi meu coração dispara até que minha filha fala da mãe dela e diz que gostaria de ter a Irene como mãe, então Anahi fala uma coisa que me tira da órbita.

Aquele "eu te amo" tão sincero que minha filha fala pra Irene me tira do eixo completamente. Ouço a Irene falar que também a ama e que vai protegê-la, a chamando de filha, visivelmente chorando e eu aqui, ouvindo elas, vendo as duas abraçadas, sinceramente não sei o que tô sentindo, se é alegria, preocupação, raiva, amor, tristeza ou alívio.

"Que confusão de sentimentos é essa...?" 💭

Vejo que a conversa acabou e saio rumo ao meu quarto, entro e fecho a porta.

Porra, minha filha se apegou de verdade na peste, minha menina a vê como uma mãe e a ama, e a Irene também. Foi tão sincera no que disse que isso me tira um sorriso de alegria, mas logo some porque a preocupação me toma, a Irene não é mulher para criar uma criança, o passado que ela tem, as coisas que ela fez e faz, sua frieza com os outros e a fome por poder não são algo saudável.

Tudo bem que ela não é a mesma mulher de 7 meses atrás mudou muito desses meses pra cá, principalmente depois que Anahi veio passar a recuperação aqui. Ela tá mais sensível e doce, releva mais as coisas e está mais educada com todos, não matou o segurança que deixou o Caio entrar, isso me surpreendeu. Kelvin disse que a vida está mais fácil agora porque até agradecer ela agradece com mais frequência.

Estou no meu quarto pensando há não sei quanto tempo, andando de um lado pro outro conto ou não conto que ouvi a conversa? Essa dúvida me consome e eu não sei nem o que sentir, o que pensar.

Ao mesmo tempo que eu quero abraçar e beijá-la, quero pegar minha filha e sair correndo dessa casa sem olhar para trás mas eu sei que não consigo fazer isso. Essa mulher me prende desde o primeiro dia, ela me leva à loucura, me faz cometer atos que eu nunca imaginei, quebrar princípios que eu nunca quebraria, revela meu lado mais selvagem e protetor, mais irado e cuidadoso. Ela tem um poder sobre mim que não entendo e que ninguém nunca teve.

Saio do meu quarto, ando pelo corredor e entro no seu quarto sem bater na porta, sem saber o que falar, fecho a porta e vejo que ela não está, mas ouço o chuveiro ligado.

Eu paro e sinto meu coração bater forte desde a hora que saí da porta do quarto da Anahi. Chego no banheiro e o box está embaçado ela está de costas, sua silhueta desenhada através do vidro, a água quente saindo em fumaça, caindo no seu corpo enquanto ela lava os cabelos.

Sou tomado pela vontade de tê-la de novo e começo a tirar a roupa, ficando totalmente nu. Sem hesitar, vou ao seu encontro, doido para amá-la mais uma vez.

[...]

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