Capítulo 9

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• Boa leitura •

IRENE

Percebo Vinícius me olhar com ódio, perdido em pensamentos, digerindo a confirmação que queria sobre o tiroteio e também tudo que foi dito sobre as drogas, agora que tenho ele nas minhas mãos, não me preocupo em esconder essas coisas dele

— Isso não vai ficar assim... — o menino diz, com tristeza nos olhos

— Ahhh, não fica triste, foi uma morte rápida... não tive outra escolha, ele já iria morrer de qualquer jeito naquele dia. Quando ele me falou que se apaixonou por mim foi só um motivo a mais, pessoas apaixonadas fazem idiotices. Mas pensa pelo lado bom, fiz ele gozar gostoso dizendo que me amava antes de matá-lo, morreu feliz — digo, sarcasticamente, me inclinando na direção do menino e colocando as mãos nos joelhos — Mas agora responde, quem mais está aqui com você?

Ele me olha nos olhos, tomado pelo ódio, e não diz nada. Me levanto e resolvo pegar mais pesado

— Márcio, pega o alicate... — mando, e meu peão vai até a gaveta da mesinha pegar o que mandei

Vinícius observa tudo, reparo em seu olhar incrédulo quando dou a ordem e ele vem até mim, em passos pesados

— O que vai fazer, Irene? — ele pergunta, segurando meu braço com firmeza

Olho para sua mão e vou subindo os olhos até chegar naqueles olhos verdes

— Você vai ver, agora volta para o seu lugar e fica como estava, quieto — ele continua me olhando por alguns segundos, depois solta meu braço, volta para o lugar e Márcio me entrega o alicate

— Pode fazer o que quiser, eu nunca vou dizer — o moleque diz, cuspindo sangue com raiva

— Ahhh, você vai sim, Márcio, abre a boca dele — mando, e Vinícius dá um passo para frente

Enfio o alicate na boca do safado, colocando toda a minha força e arrancando um dente dele na marra

— AAAHHHHHHH! — ele grita, se debatendo. Olho para o dente preso no alicate e sorrio, satisfeita

— Você vai me contar por bem ou por mal, moleque!!! — exclamo

Já tem quase uma hora que estamos aqui, já arranquei três dentes da boca dele, já dei mais duas coronhadas e nada, ele sabe que vai morrer e não está nem aí. Olho no relógio e são 12h10

— Seu merda! Eu estava tentando do jeito fácil, mas você não ajuda, então vamos para o jeito difícil... — digo com raiva, minha paciência com ele acabou

— Qual é o jeito difícil então, sua vaca? — ele pergunta, sorrindo debochado — Não adianta, não vou falar!

— Isso é o que veremos! Eu tenho toda sua ficha, sei da sua vida e também sei que tem uma irmã, e você tirou minha paciência, moleque — pego meu celular no bolso de trás da calça

— O QUÊ? Do que você está falando, sua vadia? — ele pergunta, assustado, vendo que não estou brincando

— Ester, o nome dela, né? Tem 16 anos, sua mãe morreu no parto, que triste, sinto muito... sei também que ela mora em Goiânia com sua tia — falo, debochando, e ele fica mudo

Chega uma mensagem no WhatsApp e vejo a foto da menina

— Aliás, uma menina muito bonita — viro o celular, mostrando a foto dela saindo da escola, e ele arregala os olhos

— Eu não sei quem é essa — ele mente, desesperado, tentando proteger a irmã

— Não? Então posso mandar matá-la e procurar a certa, né? Espera aí — falo, ligando para meu capanga, e ele grita

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora