Capítulo 1

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• Boa leitura

IRENE

Hoje faz um mês que tentaram contra a minha vida na porta daquele restaurante. Ainda não sei quem foi, mas tenho um suspeito, ou melhor, uma suspeita. Graça é a primeira da minha lista e nada tira da minha cabeça que foi ela, meu faro nunca falha.

— Irene, cadê você? — ouço meu marido me chamar pela mansão.

Ele sabe perfeitamente onde estou, então não respondo, não tenho paciência. A porta do escritório se abre e ele entra.

— Até que enfim te achei.

— Você sabia perfeitamente onde eu estava, não se faça de sonso, Antônio. Agora diz logo o que você quer e saia, porque eu tenho mais o que fazer. — digo, sem parar de digitar as planilhas no computador.

— Se eu fosse você, tomava cuidado com a forma como fala comigo, Irene. Acha que está falando com quem? — ele responde, arrogante.

Tiro os olhos do computador e encaro o rosto dele, depois paro o olhar em suas mãos, que carregam um envelope branco.

— Desculpe, querido, só estou sobrecarregada. — finjo com facilidade, quando, na verdade, tenho vontade de mandar matá-lo só por ter me interrompido.

— Muito melhor assim. Acharam o rapaz de quem você falou, o que atirou e matou o homem dentro do carro naquele dia, em frente ao restaurante. — ele diz, e isso, sim, desperta o meu interesse.

— Até que enfim... Isso, sim, é uma boa notícia. — animo-me, levantando da cadeira.

— Essa é a ficha do cara, e ele não é qualquer um. — estende o envelope na minha direção.

— Tá bom, vou dar uma olhada daqui a pouco. — pego o envelope das mãos dele e volto minha atenção para a tela do computador, como se aquilo não tivesse importância alguma.

— Vou jogar no cassino com alguns amigos, não tenho hora para voltar. — ele vira as costas e sai sem esperar uma resposta.

Antônio acha que me engana, acha mesmo que eu não sei que vai se encontrar com alguma puta qualquer. Assim que a porta se fecha, volto a me sentar à mesa, pego o envelope, abro com calma e começo a ler as informações.

"Vinícius Carvana, adotado em Portugal, 33 anos, veio para o Brasil em 2011, policial do BOPE, considerado o melhor da cidade em tiro ao alvo e combate corpo a corpo, pai de Anahi, uma menina de 6 anos, viúvo há 30 dias

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"Vinícius Carvana, adotado em Portugal, 33 anos, veio para o Brasil em 2011, policial do BOPE, considerado o melhor da cidade em tiro ao alvo e combate corpo a corpo, pai de Anahi, uma menina de 6 anos, viúvo há 30 dias."

— Então a mulher que morreu no restaurante era a dele... Que pena, não?! — vou passando os olhos pelas informações, gostando do que vejo.

Naquele dia, alguns segundos antes de tudo acontecer na porta do restaurante, vi ele saindo com uma mulher alta, de traços indígenas, ao seu lado. Olhei-o de cima a baixo, alto, olhos verdes, cabelos castanhos, ondulados e na altura média, vestindo um terno preto, bem ajustado ao corpo, deixando evidente que era muito bem definido, uma verdadeira tentação.

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