• Boa leitura •
VINÍCIUS
Hoje fez um mês que enterrei minha mulher e a dor que sinto é insuportável. Sonho com ela todas as noites, lembrando do seu olhar quando tudo aconteceu, ainda sinto o sangue dela nas minhas mãos e choro na cama, pedindo ao universo que diminua essa dor, essa saudade. Dormir sozinho, depois de tantos anos, foi a pior sensação que já senti. O cheiro dela continua pela casa toda e não vê-la sorrindo, cantando e enchendo este lugar de vida é torturante.
Nossa filha chora todos os dias de saudade e eu não sei o que fazer para aliviar essa dor. Abraço Anahi tentando consolá-la, estou tentando ser forte por ela, perder uma mãe tão cedo é um trauma que carregamos para sempre, eu sei muito bem o que é isso.
Pedi afastamento do trabalho por um tempo e estou investigando por conta própria para descobrir quem foi o mandante daquele tiroteio. Tenho dinheiro para isso, a polícia me paga muito bem. Minha casa é grande, confortável, e tenho a Maria, uma senhora de 51 anos que trabalha comigo há cinco anos e que, agora, está sendo uma mãe tanto para mim quanto para a minha filha.
Já descobri que o alvo eram os Lá Selva, mais especificamente a madame. Minha mulher morreu no lugar daquela maldita e eu seria capaz de matá-la com as minhas próprias mãos. Meu ódio por essa gente só aumenta a cada dia, minha sede de vingança é tão grande que chega a me cegar. Ainda não sei o motivo exato, nem quem mandou fazer aquilo, mas vou descobrir e vou matar todos eles, inclusive a madame, que continua vivendo no luxo sustentado por dinheiro sujo.
25 de junho
São 18h34 e estou sentado na poltrona da sala. Maria foi ao parque do condomínio com Anahi e eu fiquei em casa, bebendo uma dose de Royal Salute 21 anos, só assim para aguentar essa dor.
Meu celular toca e é um número desconhecido. Penso em recusar, mas acabo atendendo.
— Alô.
— Olá, falo com o senhor Vinicius Carvana?
— Sim. Quem é?
— Meu nome é Kelvin, sou secretário da Sra. Irene Lá Selva. Estou ligando para marcar uma reunião amanhã, às 9h, na mansão, a pedido dela.
"O que essa maldita quer comigo? O ódio que sinto só aumenta... Como ela tem tanta certeza de que eu vou?" 💭
— E o que ela quer comigo? — pergunto, direto.
— Isso ela não me informou, desculpe.
Talvez o que ela tenha para me dizer possa me ajudar na investigação. Talvez seja bom ir... Fiquei curioso.
— Ok, amanhã às 9h.
— Vou mandar o endereço...
— Não precisa. Eu sei onde é.
— Ah, ok, então. Tenha uma boa noite!
Desligo sem retribuir o "boa noite" e escuto a porta de casa se abrir. Minha filha entra cabisbaixa, calada, sobe para o quarto sem nem perceber que estou ali. Maria vem logo atrás, também com um semblante triste, e eu já imagino o que tenha acontecido.
— Maria? — eu a chamo e ela leva um leve susto, mas logo sorri para mim.
— Oi, filho. — diz, vindo até mim, dando um beijo na minha testa e sentando-se no sofá.
— Ela viu quem dessa vez com a mãe? — pergunto, tomando a última dose da minha bebida.
— A Marcela, da escola. Ela estava andando de bicicleta com a mãe e acabou caindo, aí a mãe dela, claro, foi socorrê-la. — explica a situação. — Desculpa, Vinicius, eu não soube o que fazer, só a abracei quando ela começou a chorar e pediu para vir embora. — completa, com uma tristeza evidente no olhar.
— Tudo bem, você fez o que pôde... Vou lá falar com ela.
Ultimamente as coisas andam assim, tudo em preto e branco, e eu odeio essa situação, porque é algo sobre o qual não tenho controle, e ver a minha menina sofrendo só aumenta ainda mais a minha dor.
Vou até o quarto dela e bato na porta.
— Entra! — ela responde.
Abro a porta e a encontro deitada, olhando para o teto, enxugando os olhos rapidamente ao perceber a minha presença.
Entro e fecho a porta. Vou até ela, sento ao seu lado na cama, puxo-a para mim em um abraço e ela desaba a chorar.
— Xiii... eu sei, minha menina, pode chorar, eu estou aqui. — digo, pegando-a no colo e fazendo um ninho para que ela se aconchegue.
— Papai... quando isso vai passar? — pergunta entre soluços.
— Infelizmente não passa, meu amor. Não posso te dizer que essa dor vai embora, porque não vai, mas posso te garantir que ela diminui. Vai doer toda vez que você se lembrar da mamãe, só que, com o tempo, essa dor vai ficando menor, até chegar um dia em que ela vai machucar só um pouquinho. E tá tudo bem chorar quando sentir saudades dela, você pode fazer isso sempre que essa dor aparecer, porque eu vou estar sempre aqui para te proteger.
Ela envolve meu pescoço com os bracinhos e me abraça forte. Ficamos ali por alguns minutos... ou talvez horas, eu nem sei dizer.
Maria entra devagar e avisa que o jantar está pronto, diz que fez pudim de sobremesa. Um sorriso nasce no rosto da minha pequena, que é apaixonada por pudim, então descemos para jantar.
[...]
Já está tarde. Acabei de colocar Anahi para dormir, vou para o meu quarto, tomo um banho gelado, visto uma cueca preta, pego o celular e me deito. Entro no Instagram e procuro pelo nome da madame. Eu já a tinha visto em algumas investigações, mas, olhando agora, realmente é uma mulher muito bonita.
— Bonita? Uma bandida, isso sim... — falo irritado, encarando a foto dela.
É por causa dessa mulher que minha Iraê está morta, e isso não vai ficar assim.
Saio da rede social, bloqueio a tela, coloco o aparelho na mesa de cabeceira e durmo. Amanhã o dia vai ser longo.
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Meu guarda costas
FanfictionIrene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
