Irene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
Ouço o barulho do carro, acho que eles chegaram, vou até a porta, vejo aquele deus grego perto do carro, parece que ele sente quando estou perto, porque sempre olha me procurando, nossos olhares se cruzam e ele me devora, então ouço uma voz gritando "TIA", e uma mini querida vem correndo até mim, pulando no meu colo, eu a pego e os braços pequenos entrelaçam meu pescoço com afeto, as mãos fazem um carinho nos meus cabelos e eu a abraço de volta. Não entendo o porquê de ela gostar tanto de mim, mas confesso que meu coração se amolece por ela.
Mando os meninos andarem logo com as malas e ela também fala com o pai, toda marrenta, eu acho engraçado seu jeitinho, e entramos pra dentro de casa.
— Nossa, tia, você é uma princesa de verdade, né? — ela diz, olhando a casa, e eu paro com ela no colo, a olho e ela está me olhando com admiração.
Me emociono e ela sorri pra mim.
— Você acha? — pergunto, e ela balança a cabeça, confirmando.
— Eu acho, você é muito linda e mora num castelo, então é uma princesa! — ela confirma, certa disso.
— Então sim, e, a partir de hoje, você também é uma princesa. — Ela sorri, feliz.
Vou com ela para a mesa de jantar, onde tem várias frutas e sucos, ela pega os morangos, dizendo que é sua fruta favorita. Ela come com tanta fome que acabo pegando um também, eu a observo e acabo me lembrando da minha infância, com a idade dela eu estava no orfanato, vendo várias crianças serem adotadas e eu ficando, eu nunca entendi o porquê de ninguém me querer, e a dor que eu não sentia há mais de 30 anos volta, meu coração dói ao lembrar de algo que achei ter esquecido há muito tempo, as humilhações das tias que deveriam cuidar de mim, o bullying das outras crianças, as surras que levei por fazer xixi na cama ou porque eu quebrava alguma coisa. Nunca entendi por que a vida foi tão dura comigo e, depois de tantos anos, tenho vontade de chorar vendo essa menina tão amada pelo pai e que teve o amor da mãe na minha frente, tão feliz e sorridente. Me lembro que, quando eu tinha 12 anos, eu sonhava, sim, em ser mãe e fazer pelos meus filhos o que não fizeram por mim, me lembro desse meu sonho de ser mãe morrer depois de começar a viver no bordel da Tereza.
Depois dos 15 anos, não tive muito contato com crianças e, às vezes que tive, odiei, mas com essa menina é diferente, vejo seu sorriso e sorrio junto, seu jeito meigo e doce me deixa feliz.
— Pronto, onde vamos colocar tudo? — Vinícius para atrás da filha e beija sua bochecha.
— Vamos subir? Mandei fazer um quarto lindo e cheio de brinquedos pra você... — digo, piscando o olho pra ela, e vejo seu sorriso aparecer.
— VAMOS!!!! VAAMOOS!!! — ela tenta levantar da cadeira, correndo, e o pai a segura.
— Nada disso, mocinha... o médico disse que você não pode correr, ainda está de recuperação, filha, não pode fazer tanto esforço assim, vem... — ele a pega no colo.
Eu vou na frente e subimos as escadas, paramos um quarto antes do meu e eu abro a porta para eles entrarem.
— Meu Deus! — Vinícius entra com a menina no colo, olhando tudo, vejo a cara de encanto dos dois e meu coração fica quentinho.
— PAPAI, ME SOLTAAA!!! — ela diz, se debatendo para descer.
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Ele coloca ela no chão, ela entra devagar, olhando tudo ao redor, o quarto é todo no rosa, a cama é de casal, baixa, para ela subir e descer sem problemas, na cabeceira tem vários brinquedos, acima da cama tem uma casa de boneca que ela consegue entrar e brincar lá em cima, feita de madeira. De um lado tem escadas para subir e, do outro, um escorregador, tem uma cozinha com mini fogão e armários com panelinhas, na sala, um mini sofá, tem janelas grandes, uma casinha para ela brincar. Tem bichos de pelúcia por todo canto, girafa, leão, gato, macaco e vários outros. Uma televisão enorme e vários livros de desenhar e pintar, um quadro de giz e uma mesinha para ela estudar quando a professora vier. Sim, eu contratei uma professora para dar aulas em casa enquanto ela se recupera.
— Irene? Por que fez isso? — Vinicius pergunta, incrédulo, me olhando.
— Esse era o quarto que eu sonhava em ter quando era criança e vivia no orfanato, nunca tive coragem de mandar fazer depois que cresci e me mudei pra cá — respondo, olhando a felicidade da menina andando pelo quarto — Quando você disse que ela ficaria em recuperação, não pensei duas vezes e mandei fazer pra ela!
A menina vem correndo até mim e eu a pego no colo.
— E aí, gostou? — pergunto, já sabendo a resposta.
— Tia, eu amei... posso morar aqui pra sempre? — ela pede pra mim, cheia de esperança — Por favor, papai, vamos ficar aqui! — pede, juntando as mãos, fazendo biquinho, e nós dois rimos.
— Vai brincar que já, já vamos almoçar! — ele diz, rindo, e ela desce do meu colo e vai brincar.
O dia passou rápido, a menina, mesmo operada, é agitada. Estamos no quarto dela, olho no relógio e são 20h03, Vinícius dá um banho nela e a coloca na cama, poucos minutos depois ela está dormindo, a enfermeira chega e nós saímos do quarto, paramos no corredor e eu o olho com malícia.
— Por que tá me olhando assim, peste? — pergunta, contendo o sorriso.
— Chegou a hora de você cumprir sua parte do acordo... — chego perto dele e passo as unhas no seu peito.
— Certo, vamos acabar logo com isso... — diz, sério e firme, e eu sorrio, vitoriosa.
— 21h30 lá na sala, quero você arrumado pra sair... — ordeno e viro as costas, indo pro meu quarto.