• Boa leitura •
IRENE
Hoje estou com ódio dele pelo que me falou, ele sempre fala barbaridades pra mim quando está com raiva e, no caminho pra cá, aconteceu de novo. Eu entendo o nervosismo dele e realmente não sei o que é perder alguém que amo, mas sei o que é o medo disso acontecer, porque o desespero me tomou no dia que o Antônio quase o matou, então ele não tinha o direito de me falar aquilo, mas, mesmo com raiva, não consigo deixá-lo aqui e ir embora. Vejo seu desespero e meu coração dói, o médico chega e fala que a menina está praticamente morta, fico triste sem nem mesmo entender o porquê, mas me afeiçoei à menina.
Eu, é claro, tenho a solução, mas não digo nada, ele anda de um lado para o outro, não aceitando o que o médico disse e, na hora que passa por mim, ele para, respira fundo e olha pra frente como se tivesse sentido meu cheiro, dá um giro, me procurando, e quando me acha vem até mim.
— Você!!! — ele diz, grudando nos meus braços, os olhos vermelhos e inchados de chorar — Irene, você consegue um coração pra ela... — me olha esperançoso.
Minha vontade é de dizer que vai ficar tudo bem, que vou providenciar tudo que a menina precisa, e é o que realmente vou fazer, não deixaria ela morrer assim tão nova, podendo ajudar a garota. Mas ele não pode achar que, em toda briga ou sempre que ficar com raiva, pode me humilhar, me fazer chorar e, quando precisar de mim, vir correndo e eu ajudá-lo, então decido dar uma lição nele.
— Eu? Por que eu te ajudaria? Por que ajudaria ela? — digo, puxando meus braços, tirando as mãos dele de mim e me afastando, fico com dó, mas mantenho minha pose.
— Irene... — ele diz em um sussurro, vejo o brilho nos seus olhos sumir.
— Irene nada, eu não sou a mulher cruel e fria, sem coração, que você humilha e joga na cara sempre que fica com raiva? A mulher que não sabe o que é o amor e que se importa somente com ela mesma? Por que tá me pedindo ajuda agora? — o questiono, fria e insensível.
— Por favor! Você não vai deixar uma menina de 7 anos morrer assim, né? Me perdoa, eu fico nervoso porque não sei o que sinto por você e confesso que tô fugindo disso, mas é a vida da minha filha que está em jogo, por favor! Eu faço o que você quiser, é só falar que eu faço... — vejo seu desespero, ele implorando, mesmo eu já tendo mandado mensagem pro doutor Cláudio falando a situação, resolvo tirar proveito.
— Qualquer coisa? — pergunto, chegando mais perto — Sabe que não vai sair barato, não é?
— Qualquer coisa, só não deixa ela morrer — ele diz, sério, certo do que quer.
— Você vai voltar comigo no apartamento e vai fazer tudo que eu mandar, vai me obedecer e fazer o que jurou nunca fazer comigo! — exclamo, séria, me aproximando dele e olhando pra sua boca, ele fica incrédulo e parece pensar, mas não dá dois segundos e responde.
— Combinado! — sorrio, vitoriosa.
E sim, me aproveitei da situação para conseguir o que quero há meses desse homem.
Desvio dele e vou até o médico.
— Boa noite, doutor, me chamo Irene Lá Selva! — o cumprimento, estendendo a mão.
— Boa noite, dona Irene, sei quem é a senhora — sorri simpático, retribuindo o aperto de mão.
— Ótimo, envia a ficha dela para o meu médico imediatamente e transfere a menina para o
albert einstein, meus médicos já estão cientes da situação e vão cuidar dela a partir de agora! — digo, pegando o celular do bolso da calça jeans que estou usando.
— Sim, senhora, vou preparar a transferência dela... passa o e-mail do seu médico para a moça da recepção. Ela vai encaminhar os exames e a ficha da criança, com licença — ele diz e sai.
Vou até o balcão e passo as informações que ela pede. Alguns minutos depois, ela diz que foram enviados todos os exames e que a transferência da menina vai ser feita ainda hoje, Vinicius chega atrás de mim para falar com a moça.
— Eu posso vê-la? Ir com ela na ambulância? — ele pergunta, mais calmo.
— Pode ir com ela, sim, só não dá para ver ela agora porque o doutor está preparando tudo para levá-la — a moça responde, simpática.
— Obrigada! — agradeço e puxo ele, saindo do balcão.
Meu celular toca e vejo o nome do doutor Cláudio.
— Boa noite, doutor!
Ele me cumprimenta e diz que levará algumas horas pra conseguir o coração.
— Quanto tempo? — pergunto, e ele diz umas 12h para achar um órgão compatível ao dela — Tudo bem, ela está indo pro albert einstein, traga o melhor médico cardiologista para tratar ela, tudo por minha conta!
Ele diz que farão o melhor serviço e o mais rápido possível, eu agradeço antes de desligar.
— O que ele disse? — Vinícius pergunta, apreensivo.
— 12h até achar um coração para ela, até lá vão fazer uma bateria de exames e confirmar o que disseram... — respondo.
Quando vou passar por ele, sem esperar resposta, ele me segura pelo braço, paro e ele me puxa até eu ficar de frente pra ele, chega perto e eu olho para cima, estou de rasteirinha, o que me deixa mais baixa do que já sou, minha cabeça pega um pouco abaixo dos seus ombros, olho para os olhos verdes que tanto amo e ainda estão vermelhos pelo choro.
Meu coração acelera quando ele leva a mão ao meu rosto, acariciando minha pele, beija minha testa e eu fecho os olhos, aproveitando aquele contato, ele se afasta um pouco e me olha, colocando uma mecha de cabelo pra trás da minha orelha.
— Obrigado, obrigado e me desculpe, desculpa porque eu sei que pego pesado com você quando fico com raiva, mas eu nem sei explicar o que você desperta em mim. Tudo com você é forte, com muita intensidade, a raiva, as brigas, provocações, a vontade que tenho de proteger e cuidar de você, tudo que eu sei sobre você, toda sua frieza e crueldade que já vi de perto, mas também a mulher engraçada e divertida que você é, me deixa confuso e eu pareço um adolescente que não sabe como agir ou lidar com isso. Saber que você me ama me deixa desorientado, então tudo que posso te pedir é desculpa por ser um filho da puta muitas das vezes! — ele diz tudo isso olhando nos meus olhos e meu coração derrete por ele.
"Então essa é uma das sensações que o amor nos faz sentir? Eu não sei explicar... é brega." 💭
Sinto minhas pernas falharem, as borboletas no estômago se agitarem, meu mundo para e a vontade de chorar vem, mas mantenho minha pose, não vou chorar na frente dele. Levo as mãos nos seus cabelos e os penteio pra trás com os dedos, seguro sua nuca com uma mão e acaricio seu rosto com a outra.
— Eu te amo tanto, sabia? Sou capaz de tudo por você, mas não se iluda, eu ainda sou fria e cruel — digo, sorrindo diabolicamente pra ele, e dou um beijo em seu pescoço — Agora vamos, porque temos muito o que fazer!
[...]
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Meu guarda costas
FanfictionIrene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
