• Boa leitura •
VINÍCIUS
Quarta-feira
Hoje estou indo para a mansão e confesso, não consegui ter paz depois que expulsei ela de casa na segunda à noite. Quando ela saiu, minha filha perguntou, e eu disse que ela teve um compromisso, e naquela noite não dormi direito. O dia ontem foi maravilhoso com a Anahi, fomos ao parque e à sorveteria, mas eu não conseguia parar de pensar nela.
Chego à mansão e estaciono o meu carro, vendo que estou uns minutos atrasado, saio e, quando me viro, dou de cara com o Kelvin.
— Que susto, Kelvin!!! — exclamo, assustado, olhando para ele.
— O que você fez com ela? — pergunta, bravo, e eu nunca tinha visto ele assim antes.
— Não é da sua conta, agora sai da minha frente — falo, tentando passar, mas ele me impede.
— É da minha conta, sim, é da conta de todo mundo dessa casa, porque você despertou o demônio que vive nela, e agora todo mundo tá pagando o preço... — ele diz, nervoso, eu não entendo muito bem.
— Do que tá falando? — pergunto, e escuto o grito dela dentro da casa, começo a entender.
— Segunda à noite ela estava toda nervosa, querendo saber como você estava, você não mandou mensagem e nem ligou, ela estava confusa, sem saber o que estava sentindo, então conversei com ela, e ela viu que está apaixonada por você, só que isso é novidade para ela, pois minha Imperatriz nunca amou ninguém de verdade, ela disse que estava com saudade de você e então saiu para te ver, e voltou em prantos. Desde ontem à tarde, depois que saiu do quarto, ela parou de chorar, nós estamos vivendo num inferno, E A CULPA É SUA!!! — ele respira fundo, e eu fico incrédulo com tudo que ele disse.
— Ela descobriu o quê? Apaixonada? Não, Irene Lá Selva não ama ninguém, Kelvin — digo, certo disso, essa mulher não seria capaz de amar alguém que não fosse ela mesma.
— Olha, eu trabalho com ela tem muitos anos, e sim, ela é má, não tem dó das pessoas, mas ela foi criada assim, sem amor e sem carinho. Ela é órfã, cresceu em um bordel, casou nova e comeu o pão que o diabo amassou na mão do Antônio. Ele abusava e batia nela todos os dias, ele ensinou ela a não amar. E então você apareceu, cuidou dela e a protegeu, em dois meses mostrou para ela que o amor existe, acolheu ela no medo de avião e a protegeu com a vida no evento em Brasília, mesmo sem ter motivos para isso, mesmo odiando ela como você diz que odeia, você fez por ela em dois meses o que ninguém fez em 47 anos, e eu nunca pensei que falaria isso... mas sim, a Imperatriz do soja, a megera sem coração está amando, e você simplesmente pisou nela sem piedade. — ele só pode estar de brincadeira comigo.
Estou digerindo tudo que ele me falou e então ouço o grito ensurdecedor bem perto da gente.
— KEELVINNN!!!
Quando olho, ela está caminhando na nossa direção, eu a olho de cima a baixo e, porra, tá muito gostosa, ela está com uma blusa social preta colada ao corpo, com 2 botões abertos, mostrando um decote lindo, uma saia de couro preta com uma fenda na perna esquerda, que vai até em cima, o scarpin de solado vermelho, os cabelos soltos, a maquiagem leve e o celular na mão. Quando me vê, ela para, e vejo nos seus olhos que realmente ela está possessa.
— Mais que merda... — digo baixo, sentindo o frio na espinha.
— Boa sorte, gato! — Kelvin diz, correndo até ela.
E ela me encara como se quisesse comer meu fígado cru.
IRENE
Estou com os nervos à flor da pele, não estou com paciência para nada e nem ninguém, ontem de manhã, meu peão Márcio, da fazenda que produz drogas, me informou que o Antônio lhe ofereceu dinheiro para ele e alguns capangas matarem o Vinícius e me levarem viva até ele, em uma invasão à minha mansão essa noite, e que todos eles aceitaram e depois concordaram em me contar. Meus peões invadiram a casa da Graça poucas horas depois dessa informação, mas não conseguiram matar a maldita.
Olho no relógio e já são 07h20, o desgraçado do meu guarda-costas está 20 minutos atrasado, e isso só me irrita ainda mais. Saio gritando o Kelvin e vou matá-lo quando encontrar.
— KEELVINNN!!!
Grito novamente, indo para frente da casa, e, quando acho ele, vejo o Vinicius, meu ódio só aumenta, meu secretário vem correndo até mim e para do meu lado.
— Desculpa, Imperatriz, não ouvi a senhora me chamar! — diz, com a voz baixa.
— Lógico que não ouviu, estava ocupado demais conversando, não é mesmo? — digo e olho para ele.
— Desculpa! — abaixa a cabeça, e isso me irrita.
— PARA DE PEDIR DESCULPAS, KELVIN, E PROVIDENCIA MEU RELATÓRIO AGORA!!! — grito, e ele sai correndo, volto meu olhar para o Vinicius, e ele me encara sério, seus olhos descem pelo meu corpo pela terceira vez. — Por que você está 20 minutos atrasado?
— Vim mais devagar por causa do braço e tinha um acidente na estrada — ele responde, calmo e firme, quando vou respondê-lo, meu celular toca.
Olho e vejo o nome do meu peão que invadiu a casa da viúva ontem, preciso atender, viro as costas para ele e volto para dentro da casa. Meu peão me diz que pegou um dos seguranças da viúva e que, depois de muita tortura, ele informou que vão invadir minha mansão hoje, a mando da Graça e do Antônio, e o serviço é matar o Vinicius e me levar, me confirmando a história de ontem do outro peão.
— Maldito... Antônio desgraçado... — digo, quebrando um vaso na parede da sala. — MATA ESSE SEGURANÇA DE MERDA!!! Pode deixar que do Antônio cuido eu...
Desligo o telefone e minha cabeça lateja, não durmo há duas noites, e hoje é meu segundo dia em agitação para pegar meu querido marido. Meus peões estão do meu lado, e o Antônio não sabe, jura que comprou eles, isso já é uma grande ajuda, mas não sei quantos homens da Graça vão vir, e o ataque dessa noite, tenho que pensar como vai ser.
— Irene, quem você mandou matar? O que o verme do seu marido fez? — ouço a voz do Vinícius atrás de mim, não quero nem olhar na cara dele.
— Cala a boca, Vinícius, preciso pensar! — sigo para o escritório, mas ouço ele vir atrás de mim.
— Pensar? O que está acontecendo? Quem você mandou matar? — entramos no escritório e ele não para de perguntar, minha cabeça dói cada vez mais. — Tá vendo por que eu digo que você é cruel? O porquê de eu não querer você perto da minha filha, você não tem coração e manda matar pessoas como se fosse a coisa mais normal do mundo. Você é má, fria e cruel, e eu aqui achando que você estaria realmente apaixonada por mim, mas você só me prova que não é capaz de amar ninguém! — ele ri da minha cara, bem próximo a mim.
Eu estou de costas para ele, com as mãos apoiadas na mesa, sou guiada pela raiva, em um movimento rápido levo a mão embaixo da mesa, pegando a pistola que fica grudada no suporte ali, me viro rápido, ficando de frente para ele, apontando a arma embaixo do seu queixo, e destravo.
— Quem você pensa que é para falar comigo assim, seu policial de merda? Da próxima vez que você rir da minha cara e falar assim comigo, vou dar um tiro na sua cabeça, e você tem razão, eu não tenho sentimentos, nunca me apaixonaria e não sou capaz de amar ninguém, quando eu fui tola em achar que isso era possível, você me mostrou que não, que eu sou má, fria e cruel, uma peste, como você mesmo diz, então sai da minha frente antes que eu foda com sua vida, seu desgraçado... — digo, calma, olhando nos seus olhos, e ele me encara incrédulo, eu abaixo a arma e aponto para a porta. — SAAAAI!!!
Ele vira as costas e sai da sala em silêncio, e eu choro, choro de raiva, choro de dor, choro por amar ele e choro por estar sendo tão fraca, me perdendo de mim mesma.
[...]
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Meu guarda costas
FanfictieIrene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
