• Boa leitura •
VINÍCIUS
Hoje faz dois dias que tudo aconteceu e ela nem olha na minha cara, eu falo com ela e ela ignora. Passa a maior parte do tempo trancada no escritório ou gritando com as pessoas no telefone, eu não vou pedir desculpa, muito menos ficar correndo atrás dela.
Estou na sala, olho o relógio e são 15h36, ela finalmente sai do escritório e vem até mim.
— Cadê o Kelvin? — pergunta, séria.
— Não sei, não vi ele por aqui! — respondo, olhando nos seus olhos.
Ela respira fundo e vira as costas, nessa hora meu celular toca e pego no bolso, vendo o nome da Maria.
— Oi, Maria! — ouço um barulho alto, ela gritando entre choro.
— VINÍCIUS, CORRE PRO HOSPITAL SÃO MATHEUS! A ANAHI COMEÇOU A SENTIR FALTA DE AR E DOR NO PEITO, ACABOU DESMAIANDO!
— O quê? Onde vocês estão? — sinto meu sangue gelar e meu coração parar, a Irene, que não está longe, vira me encarando e, quando me olha, vem até mim.
— Vinícius? O que foi? — pergunta preocupada, colocando as mãos nos meus braços.
Ouço a sirene da ambulância pelo telefone.
"Ela está parando..." alguém fala ao fundo da ligação.
— MEU DEUS, VINÍCIUS, CORRE PRA LÁ!!!
Ela não precisa dizer mais nada, saio correndo, deixando o celular cair no chão.
— Vinícius... espera!!! — não paro, destrancando o Volvo que está na porta.
Entro no motorista e vejo a porta do passageiro abrir, não me importo quando a Irene entra, ligo o carro e saio cantando pneu.
— O que aconteceu? Fala alguma coisa!
— Minha filha!!! Irene, minha filha!!! — digo desesperado, quase derrubando o portão da mansão.
— Calma... Vinícius, vai com calma, o que aconteceu com ela?
— EU NÃO SEI! Maria só disse que ela desmaiou e ouvi a ambulância, alguém dizendo que ela tinha parado... MEU DEUS, MINHA FILHA, NÃO! Já levou minha mulher, minha menina não!!!
Bato no volante com a vista embaçada, desviando dos carros à minha frente e ouvindo as buzinas.
— Vinícius, vai com calma, se você morrer no trânsito não vai adiantar de nada!!!
— VOCÊ NÃO ENTENDE, IRENE! VOCÊ NÃO TEM FILHOS E NINGUÉM QUE AME DE VERDADE, NÃO SE IMPORTA COM NINGUÉM A NÃO SER COM VOCÊ MESMA, NÃO SABE O QUE É AMOR E O QUE É PERDER QUEM AMA, VOCÊ JÁ MATOU MINHA MULHER E AGORA ESTOU PERDENDO MINHA FILHA!!! NÃO ME PEDE CALMA, PORRA, PORQUE VOCÊ NÃO SABE O QUE TÔ SENTINDO!!!
Grito com ela, desesperado, e ela fica calada, não consigo me importar com nada agora e a voz da pessoa que disse que minha menina tinha parado não sai da minha cabeça.
Chegamos no hospital, eu desço correndo, chego na recepção e vejo a Maria em prantos.
— Maria, o que... cadê minha filha? O que aconteceu?
— Ah, filho, eu não sei o que aconteceu, ela teve uma parada cardíaca na ambulância e eles conseguiram ressuscitar, agora correram com ela lá pra dentro e não me falaram mais nada... — chora, e eu vou até a recepção.
— Oi, eu sou o pai da menina que entrou agora, a Anahi, eu preciso saber o que está acontecendo com minha filha! — falo, olhando pra moça negra, de cabelos cacheados.
— Preciso que se acalme, preenche a ficha e, assim que o médico terminar o atendimento dela, ele vem falar com você.
— Tá, tá bom...
Preencho a ficha com os meus dados e os dela. Quando termino, sinto meu coração doer, me inclino sobre o balcão, me lembrando do dia que perdi a mãe dela nesse mesmo hospital, peço a todos os Deuses pela vida da minha menina. Aqui eu choro, choro como chorei quando perdi a Iraê, choro com a possibilidade de perder minha indiazinha, só de imaginar uma vida sem ela, eu não aguentaria perdê-la.
Estou sentado na cadeira do hospital, não sei há quanto tempo, essa é a pior espera da minha vida, estou com as mãos apoiando minha cabeça, que parece que vai explodir, então ouço o nome da minha filha.
— Os responsáveis por Anahi Carvana? — um médico branco, baixinho e gordinho me chama.
— Eu, aqui... — me levanto rápido, indo até ele.
— Senhor Vinícius, certo?
— Sim, doutor, o que aconteceu? Posso ver minha filha?
— Preciso que se acalme, sua filha está viva — diz, calmo, e eu volto a respirar, passo as mãos nos cabelos, aliviado, mas ele continua — Mas não está bem.
— Não tá bem? Como assim? Por quê? — pergunto, sem entender.
— Senhor Vinícius, sua filha tem uma doença rara no coração chamada cardiomegalia, é uma doença que faz o coração da criança crescer, também conhecida como coração dilatado. Ela ocorre quando o coração fica maior do que o normal para o tamanho do paciente. E o caso dela é raro porque ela não apresentou sintomas, como diabetes, arritmia, anemia, entre outros, o que ajudaria na descoberta há mais tempo.
Ele vai falando e eu não consigo acreditar nisso, minha menina tão feliz e saudável, que corre e brinca, agora está morrendo.
— Eu vi ela hoje de manhã, doutor, ela tava feliz, como isso pode acontecer assim?
— Boa pergunta e, infelizmente, não consigo te responder!
— O que podemos fazer, doutor? — pergunto, esperançoso.
— O caso dela não tem cirurgia que ajude, existe a doação de órgãos no Brasil, mas infelizmente a lista de pacientes é muito grande e tem muitos na frente dela, não temos tempo! — ele diz, com pesar.
— Não... tem que ter outra saída, eu faço o que for, doutor!
— Uma outra solução seria comprar um coração, mas no Brasil é proibida a compra e venda de órgãos, então é colocar ela como prioridade na lista e aguardar — ele dá a única solução, mas eu não aceito.
— Não, o senhor acabou de falar que ela não tem tempo... não aceito.
Começo a andar de um lado para o outro, com as mãos nos cabelos, minha cabeça dói.
— Eu vou achar uma solução, tem que ter outra saída e só eu pensar e...
Então eu paro quando sinto o cheiro dela, ela está aqui. Como eu pude esquecer da Irene? Olho pra frente e não a vejo, para o meu lado direito, para trás, dou um giro em 360 procurando ela e acho ela em pé do meu lado esquerdo.
— Você!!! — digo, indo até ela e seguro seus braços — Irene, você consegue um coração pra ela... — digo, olhando nos seus olhos, e ela está com um olhar frio, e eu não entendo o porquê!
[...]
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Meu guarda costas
FanfictionIrene lá selva uma CEO (diretora executiva) do agro fria e cruel conhece Vinicius em uma tentativa de assassinato. Vinicius Carvana um policial do BOPE um homem tranquilo e que luta pela justiça, após uma tragedia envolvendo sua esposa aceita trabal...
