Capítulo 19

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• Boa leitura •

VINÍCIUS

Por alguns segundos, achei que ela iria atirar. Ela está mesmo com ódio de mim, e eu não gostei de ver isso nos seus olhos quando me olhou. Saio do escritório e paro do lado de fora, escutando ela chorar. Pego na maçaneta para entrar, mas o Kelvin me puxa.

— Você não vai querer entrar aí, deixa ela se acalmar primeiro — diz, e eu volto para meu lugar, vencendo a vontade de entrar.

— Preciso falar com você. Ela está, desde ontem, organizando uma proteção para a mansão porque soube que o Antônio se juntou com a Graça e mandou matar você e levar ela. Vai ter uma invasão hoje, os peões da fazenda chegaram e estão cercando a casa junto com vários seguranças, então se prepara porque vamos entrar em uma guerra hoje!

Ele joga a bomba e sai sem dizer mais nada.

Mais que porra está acontecendo na minha vida nesses últimos dois meses? Está tudo uma bagunça. Perdi a minha mulher, comecei a trabalhar para a pessoa responsável pela morte dela para investigar sua morte, sinto tesão e ódio pela inimiga e, do mesmo jeito que quero matá-la, quero proteger e comer ela. Já vi ela nua, ela já deixou claro que quer transar comigo, eu quis matar o marido dela por bater nela, participei de dois tiroteios e levei um tiro por ela.

MEU DEUS, EU ESTOU ENLOUQUECENDO.

O dia passa e ela nem olha na minha cara, isso está me incomodando, mas não falo nada, ela grita com todos e finge que eu não existo, olho no relógio e já são 19h30, está bem escuro, eu estou com duas pistolas e ela subiu para tomar banho, a casa está silenciosa.

Então, de repente, a luz acaba e tudo começa, ouço o primeiro tiro, o vidro da janela quebra e, logo em seguida, vários disparos. Olho para cima e ela está no quarto, corro, subindo as escadas, e, quando chego no corredor, um cara abre a porta de um dos quartos correndo, parando na minha frente, então escuto o disparo e ele cai no chão, olho para frente e ela está de camisa social preta, com um shorts preto, os cabelos amarrados para cima, olho para o quarto e vejo a janela aberta, por onde o safado entrou.

— Você está de colete? — pergunto, me aproximando dela, ela me olha e vira a cara emburrada, passando por mim.

— É sério que vai ficar emburrada comigo logo agora? — a questiono, e ela vai rumo às escadas, descendo correndo.

— Você pode, por favor, não falar comigo? Eu agradeço! — ela diz, me ignorando.

— AHHHH, sua peste! Não desce as escadas assim, você vai levar um tiro... IRENE!

Chegamos no último degrau e eu a puxo pelo braço, levantando sua blusa, verificando se ela está de colete.

— Satisfeito? Porque tanta preocupação? Pense pelo lado positivo, se eu morrer você se livra de mim... AGORA ME SOLTA! — exclama, puxando o braço, e um dos homens da viúva entra pela porta.

Em um movimento rápido, eu a agarro pela cintura, ela coloca as mãos no meu quadril pelo susto, e eu a arrasto, encostando-a na parede que fica de frente para as escadas, protegendo-a com meu corpo enquanto ele dispara vários tiros com a metralhadora, ele para e eu miro, atirando nele e acertando sua cabeça.

Sinto aquele corpo pequeno grudado no meu, e ela é tão baixinha que sua cabeça bate no meu peito.

— Se eu quisesse você morta, eu já teria te matado, sua praga! — digo, olhando entre seus olhos e sua boca, e ela faz os mesmos movimentos.

Os tiros não param, e ela desvia o olhar do meu, me empurrando.

— Eu que deveria te matar, você me machucou, maldito — ela diz, saindo de perto de mim e olhando ao redor.

— Eu fiquei com raiva, tá? Você foi na minha casa, eu não estava esperando... — digo, me justificando.

— VOCÊ FOI UM GRANDE FILHO DA PUTA, VINÍCIUS!!! — ela diz, apontando a arma para mim, chateada.

— ABAIXA ESSA ARMA! Não aponta isso para mim.

Quando termino de dizer, um dos nossos entra, mas é atingido na porta.

Entram três homens atirando em nós, e eu mando ela correr, ela corre rumo ao escritório, e eu troco tiro com dois, matando o primeiro, minhas balas acabam, pego a outra pistola e atiro nele, matando o segundo.

— IRENE, CADÊ VOCÊ??? — eu grito por ela, correndo rumo ao escritório.

Quando entro, dou de cara com o velho desgraçado, com uma arma apontada para minha cara.

— Ahhh, chegou quem eu queria... — ele diz, com um sorriso diabólico no rosto.

Eu olho para os lados, mas não acho ela, e um desespero me atinge.

Continua...

Meu guarda costas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora