Quase dois meses depois...
Melissa:
A chuva caía pesada e incessante sobre Londres, encharcando as ruas e apagando qualquer resquício de cor do céu. Era o tipo de dia que eu odiava: um cinza melancólico que parecia penetrar nas paredes da minha alma. Sem treino por causa do temporal, fiquei em casa, encurralada pelos meus próprios pensamentos. Não havia para onde fugir. A solidão, que eu tinha tentado ignorar nas últimas semanas, agora pesava mais do que nunca.
Quase dois meses aqui. Duas competições conquistadas. Campeã da Champions League e da Copa da Inglaterra. Na teoria, eu deveria estar exultante. Mas a verdade é que, mesmo cercada de troféus e aplausos, o vazio era um companheiro insistente. A casa enorme onde eu morava mais parecia uma prisão. Sem amigos de verdade no Chelsea, sem ninguém que realmente me entendesse. As meninas da equipe não gostavam de mim, e isso tornava cada dia mais pesado.
Suspirei, olhando pela janela embaçada. As gotas de chuva escorriam pelo vidro, como se imitassem as lágrimas que eu tentava segurar. A distância de casa era mais cruel do que eu tinha imaginado. Mesmo com as videochamadas diárias com Joaco, meu namorado, ainda era como se houvesse um abismo entre nós. Ele ligava todos os dias antes do treino no Palmeiras, mas não era a mesma coisa. Eu precisava de algo mais que pixels em uma tela.
O peso no meu peito ficou insuportável. E então aconteceu. Sem aviso, comecei a chorar. Um soluço profundo rompeu do meu peito, seguido por uma torrente de lágrimas. Não consegui me conter. Chorei até perder o fôlego, o corpo se curvando como se tentasse se proteger da dor invisível.
Sozinha. Completamente sozinha. Era isso que eu era naquele momento.
Peguei o celular com as mãos trêmulas e, sem pensar muito, abri o grupo de mensagens dos meus amigos do Palmeiras.
— Atendam, por favor... — sussurrei, a voz embargada. Apertei o ícone de videochamada, torcendo para que alguém estivesse disponível.
A resposta veio quase de imediato. A tela do celular se encheu com as imagens deles: Veiga, Scarpa, Deyverson, Zé Rafael, Weverton, Dudu, Lívia, Alessandra, e todas as meninas do time.
— Melzinha! Finalmente! — gritou Veiga, rindo, como se estivesse comemorando um gol. — A rainha dos verdes apareceu!
Mas assim que eles perceberam o meu rosto inchado de tanto chorar, a alegria deu lugar a preocupação.
— Mel... o que aconteceu? Por que você tá assim? — perguntou Veiga, com a expressão séria, enquanto os outros ficavam em silêncio, esperando por uma explicação.
Tentei respirar fundo, mas era como se o ar não quisesse entrar.
— Eu não aguento mais... — comecei, com a voz quebrada. — Não aguento mais ficar sozinha aqui. Não tenho ninguém pra conversar, pra desabafar... As meninas do Chelsea me odeiam e... — engasguei nas palavras, fechando os olhos com força. — É tão doloroso, vocês não fazem ideia. Ficar nessa casa enorme, só eu e a TV, os treinos pela manhã e o celular.
O silêncio do outro lado da tela foi quebrado por um suspiro irritado de Veiga.
— Isso é um absurdo. Como pode sua equipe não te apoiar? Deixar você assim, sozinha? — ele resmungou, os olhos brilhando de raiva.
— Mel, isso não tá certo. — disse Scarpa, balançando a cabeça. — Você é incrível. E eles... são um bando de invejosos.
— Não dá pra continuar desse jeito, amiga. — acrescentou Lívia, com a voz suave. — Você não tá sozinha, mesmo que pareça.
O carinho deles foi como um bálsamo nas minhas feridas. Cada palavra me puxava um pouco mais para fora daquele buraco escuro onde eu tinha caído.
— Sabe o que você precisa? — sugeriu Deyverson, com um sorriso maroto. — Uma boa zoeira pra lembrar quem você é! A Melissa Jade que nunca perde uma batalha!
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Meu estresse preferido
FanfictionJogam no mesmo clube, personalidades igualzinhas, mas os santos não se batem por nada nesse mundo. Melissa e Piquerez, duas pessoas que não se dão bem de jeito nenhum. Motivos que fizeram nascer esse desentendimentos? Até hoje ninguém sabe, é um mis...
