O verdadeiro eu

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Brook arqueou uma sobrancelha diante da expressão resoluta de Harry.

— Não podemos remover esses bloqueios? — Harry perguntou, a determinação evidente em sua voz.

O goblin sorriu de lado, satisfeito com a urgência do jovem bruxo.

— Claro que podemos. — respondeu calmamente, inclinando-se para abrir uma gaveta oculta na mesa. Ele retirou outro pergaminho, mais fino que o anterior, e uma pena que parecia feita de cristal. — Mas antes, gostaria que o senhor realizasse um exame.

Harry franziu o cenho, confuso.

— Um exame? Para quê?

Brook não se abalou com a pergunta, ajeitando os itens sobre a mesa.

— É um exame médico. Quero confirmar o impacto que esses bloqueios causaram no seu corpo e na sua magia. Afinal, o senhor pode estar enfrentando efeitos que desconhece. — Ele pegou sua varinha e estendeu a mão para Harry. — Seu braço direito, por favor.

Embora ainda um pouco desconfiado, Harry ofereceu o braço, observando cada movimento do goblin.

— Isso vai doer? — perguntou, olhando para a varinha nas mãos de Brook.

O goblin soltou uma risada curta.

— Absolutamente nada. Este exame é completamente indolor. Apenas uma análise mágica profunda, sem qualquer reação física. — Brook explicou, enquanto começava a balançar sua varinha sobre o braço de Harry em movimentos circulares lentos.

À medida que a varinha se movia, uma leve luz prateada começou a envolver o braço de Harry, fluindo como água corrente. Pequenos símbolos brilhavam brevemente na pele dele antes de desaparecerem, como se estivessem sendo escaneados por algo invisível.

— Fascinante... — murmurou Brook, os olhos atentos às mudanças na energia mágica ao redor de Harry.

— O que está vendo? — Harry perguntou, tentando espiar, mas Brook continuou focado, fazendo ajustes no movimento da varinha.

— Estou vendo os efeitos diretos dos bloqueios. Sua magia está fragmentada, forçada a fluir por caminhos incompletos. Esses selos limitaram seu crescimento, sua força e até mesmo sua saúde. — Brook respondeu sem tirar os olhos do exame.

Harry apertou o punho, sentindo uma onda de raiva voltar.

— Então Dumbledore estava me sabotando o tempo todo?

Brook balançou a cabeça, indicando que aquilo era apenas parte do problema.

— Não apenas isso. Ele reteve seu verdadeiro potencial, Potter. Você é mais poderoso do que qualquer um imaginava, mas foi mantido como uma ferramenta limitada. Isso não é só sabotagem, é roubo.

O pergaminho diante deles começou a se preencher sozinho, linhas de texto surgindo em uma caligrafia mágica, detalhando as condições mágicas e físicas de Harry. Quando terminou, Brook pegou o pergaminho e começou a lê-lo, os olhos rapidamente se movendo pelas informações.

— Como eu suspeitava. — ele murmurou, colocando o pergaminho sobre a mesa. Ele apontou para uma linha em negrito no topo. — Sua magia está 47% bloqueada. Isso não afeta apenas seus feitiços, mas também sua vitalidade e resistência.

Harry sentiu o estômago revirar.

— E o vínculo com Tom? — perguntou com urgência.

Brook olhou para ele, a expressão severa.

— Está parcialmente funcional. Vocês podem sentir uma conexão, mas é fraca e incompleta. Assim que removermos os bloqueios, o vínculo será restaurado em sua totalidade.

Harry respirou fundo, tentando processar tudo isso.

— E a minha linhagem?

Brook apontou para outra seção do pergaminho.

— Suas heranças mágicas e títulos foram selados. É por isso que você não acessou a força plena de sua ascendência como Black, Gaunt, ou mesmo Slytherin. Removeremos tudo isso também.

Harry assentiu, os punhos cerrados.

— Vamos começar, então. Quero que tudo seja removido. Quero ser quem eu realmente sou.

Brook sorriu de canto.

— Finalmente, Potter, finalmente você verá o verdadeiro poder que Dumbledore tentou esconder de você.

A expressão de Brook se tornou sombria quando ele virou o pergaminho, lendo atentamente as linhas que surgiram no exame médico. Sua mandíbula se apertou, e o brilho habitual de sarcasmo e ironia desapareceu, substituído por algo mais pesado e sério. Ele estendeu o pergaminho na direção de Harry, a mão levemente trêmula.

— Potter... isso é... inadmissível. — sua voz era um rosnado baixo.

Harry sentiu um calafrio enquanto pegava o pergaminho e olhava para as anotações que haviam surgido, escritas em uma caligrafia mágica precisa e sem adornos. Suas mãos tremeram enquanto lia em voz alta, sentindo a bile subir na garganta a cada palavra.

"Poções detectadas no organismo do paciente:"

Poção de Fidelidade — por Alvo Dumbledore

Poção de Ignorância — por Alvo Dumbledore

Poção de Amizade — por Alvo Dumbledore, direcionadas a Hermione Granger e Ron Weasley

Amortentia — por Alvo Dumbledore e Molly Weasley, direcionada a Gina Weasley

Poção de Desnutrição — por Alvo Dumbledore

Poção de Ódio — por Alvo Dumbledore, direcionada a Sonserina, Malfoys, Severus Snape e Tom Riddle

Harry sentiu o sangue deixar seu rosto. Ele olhou para Brook, buscando alguma explicação.

— O que... o que isso significa? — perguntou, a voz saindo num sussurro trêmulo.

Brook respirou fundo, sua expressão um misto de pena e raiva.

— Significa, Potter, que você foi manipulado de todas as formas possíveis. Essas poções foram administradas em você, deliberadamente, para moldar sua visão, seus sentimentos e até sua saúde.

Harry apertou o pergaminho com tanta força que quase o rasgou.

— Fidelidade... ignorância... amizade... — ele repetiu, quase incapaz de processar. — Ele me fez confiar cegamente neles, mesmo quando tudo parecia errado.

Brook assentiu.

— Sim, e não apenas isso. A poção de desnutrição, Potter... é por isso que você sempre foi menor, mais fraco do que deveria ser. Ela impediu seu crescimento físico e mágico. E essa Amortentia... — Brook parou, a expressão endurecendo ainda mais. — Ela foi usada para forçar você a sentir algo que não era real por Gina Weasley.

Harry balançou a cabeça, incrédulo.

— Mas eu nunca... nunca me senti completamente à vontade com ela. Sempre parecia... errado.

— Porque era. — Brook interrompeu com firmeza. — Seus instintos, seu vínculo com Tom, estavam tentando protegê-lo. Mas as poções mascararam a verdade.

Harry continuou lendo, sua voz ficando mais fria a cada palavra.

— Poção de ódio... Sonserina, Malfoys, Snape, Tom... — Ele fechou os olhos, tentando conter a raiva que borbulhava dentro dele. — Ele queria que eu odiasse tudo o que estivesse relacionado a Tom.

— Ele queria moldá-lo como a arma perfeita, Potter. — Brook disse, a voz baixa, mas cortante. — O ódio a Sonserina e a seu companheiro foi cuidadosamente orquestrado para garantir que você o visse como inimigo, não como sua alma gêmea.

Harry levantou-se abruptamente, as mãos tremendo enquanto jogava o pergaminho na mesa.

— Dumbledore... — ele murmurou, os olhos brilhando com uma fúria que ele nunca havia sentido antes. — Ele não era apenas manipulador. Ele destruiu minha vida.

Brook inclinou-se para frente, sua voz assumindo um tom grave.

— E agora você sabe a verdade, Potter. A pergunta é: o que você fará com ela?

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora