Ansiedade

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Tom suspirou, o coração pesado, ao ver a fachada fria e controlada de Evan Rosier finalmente desmoronar. Durante anos, Evan fora o retrato da compostura implacável — um homem moldado pela dor, endurecido pela perda. Mas ali, diante da verdade crua, ele caiu de joelhos, os ombros sacudindo-se com cada soluço abafado que escapava por entre os lábios.

Mary, sua esposa, não hesitou. Aproximou-se silenciosamente e o envolveu com os braços, apertando-o contra o peito como se quisesse protegê-lo de um passado que já não podiam mudar. Estivera ao lado dele desde o desaparecimento de Annie, desde as buscas incansáveis, desde as noites em claro repletas de promessas vazias de que ela talvez estivesse viva.

Eles tinham se apoiado um no outro.
Eles tinham chorado juntos.
Eles tinham se perdido juntos... naquela única noite.

Ambos drogados, vulneráveis, emocionalmente quebrados — e naquela fraqueza, acabaram por compartilhar uma cama. A consequência veio meses depois: Ethan Rosier, um garotinho de cabelos escuros e olhos atentos, que cresceu cercado por carinho, mas não por paixão.

Para manterem as aparências e honrarem suas famílias, Mary e Evan decidiram se casar. Um acordo silencioso, baseado em lealdade e respeito mútuo, mas nunca em amor. Ainda assim, Mary ficou. Criou Ethan com dedicação, mesmo sabendo que o coração de Evan jamais deixara de pertencer à desaparecida Annie Rose.

Agora, com a verdade revelada, com a confirmação da tortura, da prisão e do fim trágico de Annie, a dor sufocava qualquer dignidade que Evan ainda tentava sustentar.

— Minha doce Annie... como puderam fazer isso com ela? — soluçou o homem, enterrando o rosto no ombro de Mary, as lágrimas finalmente livres.

Tom permaneceu em silêncio por um momento, respeitando o luto que se manifestava ali não como fraqueza, mas como a mais brutal das verdades:
o amor ainda vivo mesmo depois da morte, e o peso de ter seguido em frente sem jamais ter dito adeus.

Mary ergueu o olhar para Tom, os olhos marejados agora brilhando com um ódio tão cortante quanto uma lâmina recém-afiada. Sua expressão era a de alguém que estava cansada da dor, cansada da culpa, cansada de esperar por justiça.

— Queremos vingança, meu senhor! — disse com firmeza, a voz baixa, porém fria como o inverno mais cruel.

Tom a encarou em silêncio, reconhecendo a intensidade daquele olhar. Mary não falava apenas por Evan, falava por si mesma, pela amiga que amara como uma irmã, pela garota doce que um dia dividira confidências, sonhos, risos.

Mary nunca se esqueceu do sorriso de Annie Rose — aquele sorriso meigo, que aquecia os ambientes mais sombrios. Ela se lembrava dos olhos vivos, do toque delicado, do jeito que Annie fazia até a dor parecer menor com um simples abraço. Eram irmãs de alma, mesmo sem sangue, unidas por laços que o tempo não conseguiu apagar.

E era exatamente por isso que a culpa a corroía.

Mesmo que soubesse que aquela noite com Evan fora consequência de feitiços e drogas, mesmo que os dois estivessem vulneráveis e despedaçados… Mary nunca se perdoou. Nunca conseguiu apagar a imagem do rosto de Annie de sua mente enquanto embalava Ethan nos braços. O filho que nasceu do caos. O filho que ela amava… mas que sempre a lembraria do que foi perdido.

Agora, ali, com o diário de Annie em mãos e a dor exposta como uma ferida aberta, Mary sentia que não podia mais viver com apenas memórias e arrependimentos. Ela precisava de justiça. Ela precisava de sangue.

— Ela era boa demais pra esse mundo, — murmurou, a voz trêmula. — E eles a destruíram. Dumbledore... aquele monstro... ele precisa pagar.

Tom assentiu lentamente, os olhos ainda sobre ela, sentindo que aquele momento não era apenas o início de uma guerra — era o despertar de um fogo antigo, aceso agora nas almas de todos que amaram Annie Rose.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora