Futuro

1K 86 2
                                        

Harry dormiu profundamente a tarde inteira após tomar a poção. Seu corpo parecia relaxado, finalmente livre dos efeitos das substâncias que o manipulavam. Tom, porém, não arredou o pé do quarto. Ele se acomodou em uma poltrona perto da cama, comendo em silêncio as refeições que os elfos domésticos trouxeram. Em momentos de distração, ele se debruçava sobre uma tela que estava finalizando, pincelando traços precisos, ou lia um dos vários livros empilhados em sua mesa de cabeceira.

De vez em quando, ele lançava um olhar para Harry, que dormia profundamente, com a respiração suave e ritmada. Tom sentia o peso de sua responsabilidade mais forte do que nunca. Ele não permitiria que ninguém o machucasse novamente.

Enquanto isso, em Hogwarts, Dumbledore estava tomado por um ódio ardente. Ele caminhava de um lado para o outro em seu escritório, o rosto contorcido em uma expressão sombria.

— Maldito garoto... — Ele murmurava, seus pensamentos fervilhando de frustração. — Como as amarras dele puderam se romper?

A verdade era que, sem os efeitos das poções, Harry estava cada vez mais distante de seu controle. O que piorava a situação era a notícia que havia recebido horas antes: a mansão de Grindelwald havia sido invadida. O velho diretor apertava o punho com tanta força que as unhas marcavam sua pele.

— Aqueles tolos sequer sabem o que fizeram! — Ele exclamou, a voz carregada de fúria. — Toda aquela informação... toda aquela história...

Ele respirou fundo, tentando se acalmar.

— James Potter e aquele pirralho imbecil estão mortos há muitos anos. Essa é a única sorte que ainda tenho.

Dumbledore olhou para o retrato de Phineas Nigellus Black, que o observava com uma expressão zombeteira.

— O passado está enterrado, Albus. — Phineas comentou com uma voz arrastada. — Mas parece que o futuro está voltando para assombrá-lo.

O diretor lançou um olhar furioso ao quadro, mas se calou. Ele sabia que precisava agir rápido antes que Harry, agora livre, acabasse com seus planos de vez. O clima no escritório de Dumbledore estava pesado, cada detalhe daquela reunião parecia calculado. Hermione, Ron, Molly e Ginny estavam sentados em poltronas confortáveis, mas a atmosfera era tudo menos acolhedora. A expressão de Dumbledore era grave, os olhos azuis brilhando de determinação por trás de seus óculos de meia-lua.

— Precisamos agir rápido. — Dumbledore começou, sua voz baixa e autoritária. — Harry está se afastando de nós, e isso é perigoso. Ele é a peça central no jogo contra Voldemort, e não podemos perder o controle sobre ele.

Hermione, normalmente confiante, parecia hesitante.

— Mas professor, Harry não é... quer dizer, ele nunca foi fácil de manipular. Se ele percebe o que estamos fazendo... — Ela mordeu o lábio, inquieta.

— Não subestime minha experiência, senhorita Granger. — Dumbledore cortou, sua voz cortante. — Ele está sob influência de algo. Uma força externa está o afastando, e precisamos descobrir o que é.

Molly Weasley, que até então estava em silêncio, cruzou os braços.

— O que sugere que façamos, Albus? — Ela perguntou, uma preocupação genuína em sua voz.

— Vamos criar uma armadilha. — Ele respondeu com um sorriso frio. — Um evento que o force a retornar e, com sorte, a confessar o que está acontecendo.

Ginny franziu a testa.

— E como vamos fazer isso? — Ela perguntou, com uma mistura de curiosidade e irritação.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora