O diário da curandeira

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Tom suspirou ao ver sua imagem refletida no espelho do corredor. A maquiagem mágica que tentou aplicar era excelente — para qualquer outra coisa que não fosse esconder as marcas quentes e escuras deixadas por Harry Potter em seu pescoço. Ele resmungou algo baixo e puxou uma blusa de gola alta do armário, vestindo-a com movimentos irritados e ainda um pouco trêmulos.

Assim que se recompôs, atravessou os corredores da mansão com passos firmes, recuperando sua postura de Lorde das Trevas. No grande salão, seus Comensais já começavam a se reunir, cada um assumindo sua posição ao notar a presença dele. Bellatrix sorriu, ansiosa. Lucius ajustava discretamente as luvas. Draco estava concentrado, sem ousar desviar os olhos.

— Vamos. — Tom disse apenas isso, e em instantes todos aparataram em conjunto.

O grupo surgiu diante da antiga e imponente Mansão Grindelwald. Embora o lugar estivesse sob camadas densas de feitiços protetores, era notável que algo havia sido alterado. A energia mágica no ar estava distorcida, como se tivesse sido moldada por intenções ambíguas.

— Narcisa, analise os limites mágicos da propriedade. — ordenou calmamente. — Evan, Rodolphus, comigo.

Eles avançaram pelos corredores empoeirados e silenciosos da mansão. Tapetes antigos e pesados cobriam o chão, mas mesmo o silêncio da construção parecia carregado de vozes fantasmagóricas. As paredes vibravam com uma magia antiga, que resistia ao tempo.

No antigo escritório de Grindelwald, Tom parou. Ele ergueu a varinha e lançou um feitiço revelador. Por um momento, nada aconteceu. Então, linhas brilhantes começaram a surgir pelas paredes, como veias pulsando — sinais de que a magia havia sido alterada recentemente.

— Alguém esteve aqui — murmurou Tom. — E sabia exatamente onde pisar.

Draco entrou logo depois, com uma expressão tensa.

— Encontrei vestígios de Aparatação recente nos fundos, senhor — relatou. — Mas foi disfarçada. Precisei usar três feitiços diferentes para rastrear.

Tom franziu o cenho, os olhos se estreitando. Ele estendeu a mão, tocando a estante que guardava os diários de Grindelwald. Um deles estava ligeiramente fora do lugar.

Puxou-o.

Um estalo ecoou.

Um compartimento secreto se abriu atrás da estante, revelando uma sala escura onde o ar era pesado demais — como se a própria magia estivesse sufocando o espaço. Lá dentro havia um altar rudimentar, com velas apagadas e marcas no chão que lembravam símbolos de sangue.

Bellatrix entrou atrás dele, olhos arregalados de excitação.

— Isso não é obra de James nem de Hadrian. — Tom falou com frieza. — Alguém mexeu aqui… e estava fazendo magia antiga. Proibida.

Ele virou-se para seus Comensais.

— Limpem tudo. Quero cada traço de energia catalogado. Se alguém ousou usar esse lugar sem permissão, vai aprender o verdadeiro significado de medo.

Mas por dentro, Tom sabia: isso era um aviso. E a guerra já havia começado — mesmo que ainda não houvesse sangue derramado.

Com passos firmes e determinados, Tom atravessou os corredores da mansão Grindelwald, os olhos atentos varrendo cada canto como um predador silencioso. Havia algo no ar — uma vibração antiga e desesperada que fazia sua magia formigar na pele. Ele seguiu o chamado instintivo até uma pequena sala escondida atrás de uma tapeçaria encantada, onde um velho armário de madeira escura repousava, quase intocado.

Ao abri-lo, seu olhar foi imediatamente atraído por um diário encadernado em couro desgastado, repousando entre velhos frascos vazios e pergaminhos embolorados. Ele o pegou com cuidado, sentindo a energia pulsar das páginas — era antiga, porém viva, carregada de emoções cruas.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora