Harry olhou orgulhoso para o caldeirão diante de si. O líquido borbulhante tinha a coloração exata descrita no livro: um dourado brilhante que exalava um aroma suave de hortelã e mel. Era perfeito, e ele sabia disso.
Olhando de soslaio, Harry percebeu que Hermione estava paralisada ao lado dele, segurando um frasco de ingredientes. Suas bochechas estavam vermelhas, e seu olhar oscilava entre o caldeirão de Harry e o próprio caldeirão, cuja mistura apresentava um tom levemente errado de âmbar. Ela mordeu os lábios, claramente frustrada. Hermione sempre foi a melhor em poções, e parecia inconcebível que Harry pudesse superar suas habilidades em algo tão técnico.
Ron, que estava ao lado de Hermione, parecia tão surpreso quanto ela. Ele inclinou a cabeça para olhar o caldeirão de Harry mais de perto.
— É sério que você fez isso? — sussurrou Ron, incrédulo. — Isso está... perfeito.
Harry deu de ombros, tentando parecer despreocupado, mas no fundo estava satisfeito com o reconhecimento.
— Só segui as instruções, Ron. — respondeu, tentando manter o tom casual.
Do outro lado da sala, Snape se aproximou em seu habitual manto negro que flutuava ligeiramente ao caminhar. Seu olhar intenso escaneou cada caldeirão, detendo-se por mais tempo no de Hermione antes de alcançar o de Harry. O professor parou ao lado dele, inclinando-se ligeiramente para observar a poção.
Harry segurou a respiração, sentindo o peso do olhar do mestre de poções. Snape ficou em silêncio por longos segundos, analisando a mistura dourada com uma expressão impassível. Finalmente, ele ergueu os olhos para Harry, e, para a surpresa do jovem, a expressão rígida do professor suavizou-se por um momento.
Harry poderia jurar ter visto um leve sorriso curvar os lábios de Snape, algo quase imperceptível, mas ainda assim real.
— Notável. — murmurou Snape, em um tom que era quase um elogio.
Hermione apertou o frasco de ingredientes com tanta força que parecia à beira de explodir.
— Mas professor, eu... — começou ela, mas Snape ergueu a mão para silenciá-la.
— Silêncio, senhorita Granger. — disse ele, seu olhar ainda fixo em Harry. — Senhor Potter, sua poção está impecável. É raro ver um trabalho tão bem executado nesta sala.
Harry piscou, incrédulo. Era a primeira vez que recebia um elogio direto de Snape.
— Obrigado, professor. — respondeu, tentando esconder o sorriso que ameaçava aparecer.
Enquanto Snape se afastava, Hermione cruzou os braços, sua expressão uma mistura de raiva e confusão.
— Não sei como você fez isso. — disse ela, irritada. — Mas eu vou descobrir.
Harry riu baixinho, satisfeito. Pela primeira vez, ele se sentia no controle, e, pela primeira vez, ele gostava disso.
Hermione estava visivelmente irritada, uma tempestade de emoções claras em seu rosto. Sua frustração com Harry e Snape era palpável. Ela estava determinada a usar qualquer artifício para retomar o controle, mesmo que isso significasse recorrer a uma ideia que beirava o absurdo.
Ela olhou para Harry, suspirando dramaticamente.
— Harry, eu não queria te falar isso, mas... — Hermione hesitou, como se estivesse prestes a revelar algo doloroso. — O professor Snape é gay. E ele era apaixonado pelo seu pai. Talvez ele esteja... interessado em você agora.
Harry congelou, quase deixando escapar uma risada incrédula, mas rapidamente disfarçou. Ele sabia que Hermione era manipuladora quando queria algo, mas essa era uma acusação inesperada até para ela. Ele colocou sua melhor expressão de choque e temor.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
