Sede de vingança

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Harry fechou a porta do quarto com um toque suave, o som abafado como se o próprio ambiente respeitasse o momento. A penumbra acolhedora do cômodo era quebrada apenas pela luz fraca da lareira, lançando sombras dançantes pelas paredes. Nagini, enrolada como uma almofada viva na poltrona próxima, dormia profundamente, a barriga volumosa subindo e descendo em um ritmo preguiçoso — a digestão lenta e satisfatória após mais uma caça bem-sucedida.

Harry guiou Tom até a cama com cuidado, como se ele fosse feito de cristal. O corpo do Lorde ainda tremia levemente, vestígios da crise que o assombrara minutos antes. Assim que os dois se deitaram, Harry puxou os cobertores até seus ombros e envolveu Tom em seus braços com a delicadeza de alguém que segurava o bem mais precioso do mundo.

Tom encolheu-se contra o peito de Harry, a respiração ainda instável, mas já menos dolorosa. Os dedos de Harry traçavam círculos lentos e reconfortantes pelas costas do companheiro, a mão livre afagando os cabelos negros, úmidos de suor e lágrimas. O silêncio entre eles era denso, mas carregado de conforto.

Por longos minutos, ficaram assim. Até que a voz de Tom, pequena e rouca, rompeu o ar com hesitação:

— Harry... o que foi isso? — Ele ergueu levemente o rosto, os olhos vermelhos e brilhando à luz da lareira. — Eu... eu perdi o controle. Eu não conseguia respirar... parecia que... parecia que tudo ia acabar.

Harry o encarou com ternura e dor no olhar. Ele sabia. Sabia exatamente o que era aquele vazio sufocante. Já havia sentido aquela mesma escuridão rastejando por dentro, já havia lutado contra ela.

— Foi uma crise, Tom, — respondeu com a voz baixa e firme, apertando-o de leve. — Uma crise de ansiedade. Às vezes, quando o coração e a mente não aguentam mais, o corpo entra em colapso. É como se você afundasse, mesmo estando em terra firme.

Tom permaneceu em silêncio, digerindo aquelas palavras. A noção de que até ele — o poderoso, o temido Lorde das Trevas — pudesse quebrar daquele jeito, o deixava vulnerável... e humano. Isso o assustava. Mas também, de um jeito estranho, o fazia se sentir... real.

Harry roçou os lábios na testa de Tom e sussurrou contra a pele quente:

— Você não precisa enfrentar tudo sozinho, amor. Eu estou aqui. Sempre estarei.

Tom fechou os olhos, permitindo-se mais uma lágrima silenciosa. Pela primeira vez em anos, ele sentiu que talvez... não precisasse ser forte o tempo todo.

E naquela cama, com o som baixo da respiração pesada de Nagini ao fundo, Tom Riddle adormeceu nos braços de Harry Potter — seguro, amparado e, pela primeira vez em muito tempo, em paz.

Tom o encarou em silêncio por alguns instantes, os olhos azuis ainda marejados, mas agora mais calmos — como se aquele mar revolto de emoções finalmente tivesse encontrado abrigo. O brilho do fogo dançava em seu olhar, refletindo sentimentos que ele nunca foi acostumado a reconhecer, muito menos expressar.

Sem dizer uma única palavra, ele levou a mão até o rosto de Harry, seus dedos trêmulos roçando a pele quente da bochecha dele com reverência. Harry sequer teve tempo de perguntar o que estava acontecendo — os lábios de Tom se encontraram com os seus em um beijo lento, profundo e carregado de tudo o que ele não sabia como verbalizar.

Era um beijo de alívio, de necessidade e gratidão. Era amor sem máscaras. Um pedido silencioso para nunca ser deixado novamente.

Quando os lábios finalmente se separaram, Tom manteve a testa colada à de Harry, respirando fundo, absorvendo cada segundo de proximidade. Então, em um sussurro rouco, ainda com a voz marcada pelo choro anterior, ele murmurou com carinho:

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora