Medalhão

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A madrugada era fria e silenciosa, com a escuridão envolvendo cada canto de Hogwarts. Harry deslizou pelas sombras do castelo como um fantasma, evitando qualquer contato com outros residentes. Ele sabia exatamente para onde estava indo e o que precisava fazer. Carregava consigo o medalhão de Salazar e a carta de Regulus, escondidos cuidadosamente sob a capa de viagem que usava.

Após usar a chave de portal que havia preparado com antecedência, Harry sentiu a familiar vertigem de ser puxado pelo espaço até aparecer do lado de fora da mansão Gaunt. A imponente construção parecia ainda mais sombria à noite, com suas torres e paredes envelhecidas quase se fundindo à escuridão. A única luz vinha de uma janela no andar superior. Harry sabia exatamente onde Tom estaria.

Ele entrou silenciosamente na mansão, os passos leves e calculados, subindo as escadas que rangiam levemente. Quando alcançou o quarto principal, encontrou a porta entreaberta. Ele parou por um momento, respirando fundo antes de empurrá-la lentamente.

Tom Riddle estava deitado na cama, sua postura descontraída contrastando com a imagem de um poderoso e temido Lorde das Trevas. Vestia um short curto que acentuava perfeitamente as curvas de seu corpo, especialmente a forma arredondada de sua bunda, que parecia quase provocativa demais para ser intencional. Sua camisa era larga, caindo de um ombro e revelando uma parte pálida de sua pele. Apesar da roupa desleixada, Tom mantinha sua elegância natural, com os cabelos escuros bem penteados e os olhos fixos em um livro que estava lendo.

A visão era surreal. Harry não pôde deixar de ficar parado por alguns segundos, observando o contraste entre a imagem que tinha de Tom como o poderoso Voldemort e o homem à sua frente, tão casual e tranquilo em um momento de intimidade.

— Vai ficar parado aí me admirando ou tem algo a dizer, Harry? — A voz de Tom quebrou o silêncio, baixa e carregada de sarcasmo, mas havia um leve sorriso brincando em seus lábios. Ele não tirou os olhos do livro, embora claramente estivesse ciente da presença de Harry desde o momento em que ele entrou.

Harry corou levemente, mas se recompôs rapidamente, fechando a porta atrás de si e caminhando em direção à cama. Ele colocou os itens que havia trazido sobre a mesa de cabeceira, atraindo finalmente o olhar de Tom. Os olhos escuros examinaram os objetos antes de subirem de volta para o rosto de Harry.

— O medalhão de Salazar —, disse Tom, sua voz agora mais baixa, quase reverente. Ele se sentou na cama, deixando o livro de lado e pegando o medalhão com cuidado. Seus dedos deslizaram sobre o metal frio, os olhos brilhando com um misto de admiração e algo mais profundo, algo que Harry não conseguiu identificar de imediato.

— E uma carta de Regulus —, completou Harry, observando a reação de Tom. — Ele... deixou isso para você antes de morrer.

Tom olhou para a carta, mas não a pegou imediatamente. Em vez disso, ele voltou sua atenção para Harry, seus olhos fixando-se nos verdes intensos do rapaz. Por um momento, o ambiente pareceu congelar, como se o tempo tivesse parado para os dois.

— Você realmente é impressionante, Harry, — disse Tom, sua voz suave, mas carregada de algo indecifrável. — Não sei se eu deveria agradecê-lo ou desconfiar de você por estar sempre um passo à frente.

Harry deu de ombros, tentando manter a compostura.

— Eu estou aqui porque confio em você, Tom. E porque acredito que juntos podemos fazer a diferença. Agora, leia a carta. É importante.

Tom pegou a carta com cuidado, como se fosse algo sagrado, e começou a lê-la em silêncio. Harry observou enquanto a expressão de Tom mudava gradualmente, os olhos ficando mais sombrios, e a linha de seus lábios se apertando. O peso do que estava na carta parecia impactá-lo de uma maneira que Harry nunca tinha visto antes.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora