Pequeno Mestre da morte

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A fumaça ainda pairava sobre os destroços de Hogwarts, o castelo que por séculos fora símbolo de proteção e aprendizado agora jazia em ruínas, queimando sob os resquícios de feitiços e maldições. O chão rachado, o céu tomado por relâmpagos mágicos que ainda crepitavam em alguns cantos. O lado das trevas havia vencido.

Comensais celebravam em meio à destruição, brindando, rindo, alguns já conjurando mesas de banquete improvisadas entre as pedras caídas do grande salão.

Mas Severus Snape não ria. Seus olhos vasculhavam a multidão, a névoa, os escombros.

— Hadrian... onde está Hadrian?! — sua voz cortou o barulho ao redor, carregada de pânico.

James Potter, com a expressão transtornada, cambaleava entre os corpos e os sobreviventes, agarrando qualquer pessoa pelo braço.

— Cadê meu filho?! ALGUÉM VIU O MEU BEBÊ?!

O clima de celebração cessou por um segundo. Todos se entreolharam, confusos.

Então, o ar ficou pesado, uma presença gelada cortou o campo de batalha como uma lâmina invisível.

Um redemoinho escuro formou-se entre os destroços, e de dentro dele emergiu uma figura imensa e monstruosa, feita de sombras e carne espectral, com vestes que pareciam feitas da própria noite. Em seus braços, um pequeno feixe de luz.

Hadrian.

O bebê risonho, de bochechas gorduchas, estava coberto de sangue, mas não parecia ferido — ao contrário, ria alto, seus olhos brilhando de uma alegria pura e inocente.

— Papa! Mamã! — gritou, acenando com as mãozinhas para Severus e James, enquanto o monstro abaixava-se gentilmente e o colocava no chão.

James arregalou os olhos.

— T-tá coberto de sangue... — ele murmurou, pálido.

Hadrian bateu palminhas.

— Tia Morte me levou pra me vingar daquele velho safado! — disse rindo, referindo-se a Dumbledore. — Ele gritou engraçado!

Severus caiu de joelhos, o rosto em choque.

— Mas como...?

A figura monstruosa — Morte — apenas fez um aceno respeitoso com a cabeça e, antes que alguém pudesse se aproximar, dissolveu-se no ar, deixando apenas uma leve brisa.

— Acho que vou desmaiar... — James murmurou, branco como papel, segundos antes de cair inconsciente de costas, os braços abertos, derrotado pela surpresa.

O silêncio durou apenas alguns segundos, até que Harry apareceu ao lado de Tom, observando a cena com um sorriso.

— Esse é o meu irmãozinho! — ele gargalhou, pegando Hadrian no colo e girando com ele no ar.

— Meu irmãozinho demônio vingador. — completou, com orgulho.

E então, como se nada demais tivesse acontecido, Hadrian abraçou Harry pelo pescoço e murmurou com ternura:

— Te amo, maninho.

Tom riu pela primeira vez naquele dia, um riso leve, genuíno.

— Esse menino vai ser pior que todos nós juntos.

Severus, finalmente recuperando a voz, murmurou:

— Só se puxar a você, Riddle.

E a guerra, embora vencida, ganhou um novo motivo para continuar viva... em forma de um bebê risonho e sangrento.
O salão improvisado na antiga mansão Black estava silencioso, todos reunidos após os eventos caóticos da batalha. Tom Riddle estava sentado ao lado de Harry, com Hadrian no colo, o pequeno comia um biscoito como se nada mais no mundo importasse.

Foi quando o ar ficou frio novamente, e uma presença etérea se manifestou no centro da sala. Uma figura encapuzada, feita de sombras e luz prateada, com olhos que brilhavam como estrelas mortas, surgiu diante deles. Era Morte.

Todos pararam.

Hadrian ergueu os bracinhos e sorriu.

— Tia Morte! — gritou animado, batendo palminhas.

Harry se levantou devagar, instintivamente ficando entre a entidade e seu irmãozinho. Mas Morte ergueu as mãos em sinal de paz.

— Não tema, Harry... não estou aqui por mal. — sua voz parecia vir de todos os cantos, suave e poderosa como um trovão contido.

Morte se aproximou devagar, os olhos fixos em Harry.

— Harry, meu fiel mestre... — ela disse com reverência, curvando-se levemente. — Agradeço profundamente pelos anos em que me guiou, em que foi meu senhor e companheiro nas transições entre mundos.

Harry engoliu em seco, seu coração apertado. Nunca esperou que esse momento chegaria.

— Mas o título de Mestre da Morte... — Morte prosseguiu, com um tom mais suave — ... foi passado.

Todos se entreolharam confusos. Tom arqueou uma sobrancelha.

— Como assim, passado?

Morte sorriu de forma curiosa.

— Esse pequeno rapazinho, — ela disse, apontando com delicadeza para Hadrian, — estava brincando com as três Relíquias da Morte. A Varinha das Varinhas, a Pedra da Ressurreição e a Capa da Invisibilidade... todas ao mesmo tempo. Algo que nem mesmo você, Harry, fez com tanta naturalidade.

Harry olhou chocado para o irmão. Hadrian apenas chupava o dedinho, completamente alheio à profundidade de sua ação.

— E como as leis antigas determinam, aquele que une as três relíquias de forma instintiva, sem desejo de poder, apenas por curiosidade e pureza... torna-se o novo Mestre da Morte. — Morte disse com um brilho orgulhoso na voz.

Ela então se curvou com respeito diante do bebê, que em resposta jogou o biscoito no chão e começou a brincar com a capa invisível que arrastava no chão.

— Hadrian é o novo mestre agora. — Morte concluiu. — Eu seguirei outro caminho ao lado dele. Mas Harry...

Ela se virou uma última vez para o jovem Potter.

— Você foi o melhor mestre que já tive. Um amigo. Um guia. Um protetor. Obrigado.

Harry não conseguiu conter as lágrimas que desciam silenciosamente. Tom o segurou pelos ombros, apertando-o suavemente.

— Ele vai cuidar bem de você. — Harry sussurrou, a voz embargada, olhando para Morte.

Morte assentiu.

— E eu cuidarei dele.

Com um leve toque na cabeça de Hadrian e uma última reverência, a entidade sumiu em uma neblina prateada, que acariciou o rosto de Harry antes de se dissipar.

O silêncio que se seguiu foi quebrado por Hadrian, que sorriu e balbuciou:

— Mamãe disse que sou especial...

E naquele instante, todos souberam que o futuro da magia, da vida... e da própria Morte, havia mudado para sempre.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora