Tom ficou imóvel, o olhar perdido no reflexo opaco do espelho. A sensação de desorientação, estranha e desconcertante, parecia tomar conta dele de forma quase assustadora. As lágrimas que ele havia enxugado há pouco não eram o único sinal de sua fragilidade, mas a pontinha de uma inquietação muito maior que se formava em sua mente. Ele se perguntava, de forma quase desesperada, o que o fazia humano. Quem era ele realmente, além do personagem que havia se construído ao longo dos anos?
Era difícil acreditar que, ali, diante daquele espelho, ele era o mesmo homem que havia devorado a alma de tantos outros em sua busca por poder. O mesmo homem que agora se via imerso em questões existenciais que nunca pensou que precisaria enfrentar. Quem sou eu? A dúvida se espalhou como um veneno por sua mente, fazendo com que ele se perguntasse se ainda havia algo dentro dele que pudesse ser chamado de "humano."
Ele tinha moldado sua identidade por tantos anos, mas em que ponto ele se perdera completamente? Tom Riddle, o nome que ele usava, era apenas uma máscara. A construção de um personagem cuidadosamente elaborado, uma fachada para esconder tudo o que ele realmente era, ou talvez o que ele realmente não era. Ele não se lembrava de quando deixou de ser Tom Riddle, o garoto que crescera nas ruas e orfanatos, e se tornara Voldemort, a imagem de um monstro que todos temiam. O problema era que ele não sabia mais quem ele era por trás dessa figura aterradora. O que ele gostava de fazer? O que o fazia sorrir, ou sentia prazer, ou até mesmo paz?
Essas perguntas o consumiam, mas ele não tinha respostas. Ele passava a vida calculando, manipulando, destruindo tudo e todos ao seu redor, sempre em busca de mais poder. Mas por quê? O que ele queria com tudo aquilo? O que ele sentia no fundo de sua alma além da necessidade insaciável de controlar tudo? O que ele amava, se é que ainda podia amar alguma coisa?
E nesse momento de introspecção, Tom sentiu uma raiva crescente de si mesmo. Ele estava sendo fraco, pensando demais, se perdendo em questões que não deveria. Não era isso que ele queria, não era isso que ele planejava para sua vida. Mas ele não conseguia parar de pensar. Não conseguia parar de questionar.
Ele se lembrava de quando ainda era criança, daquelas primeiras lembranças de uma vida antes da magia, antes de se tornar quem era agora. Mas aquilo parecia tão distante, tão irreconhecível. Quem era Tom Riddle além de Voldemort? Ele havia se tornado um homem de ação, calculista, capaz de massacrar, mentir, trair. Ele não se permitira ser vulnerável, nem mesmo humano. Ele havia se convencido de que a fraqueza era algo que deveria ser eliminado.
Mas e se eu não soubesse mais quem eu sou? A pergunta reverberou dentro dele com força. Ele havia se perdido em sua própria construção. Ele não se lembrava de quando deixara de ser um garoto com sonhos e se tornara um monstro. O que ele desejava de fato? Ele sabia o que queria, sabia o que precisava, mas ao olhar para si mesmo, parecia que havia algo faltando.
Talvez fosse a solidão. Ele sempre tinha as pessoas ao seu redor, servindo a ele, temendo-o, mas nunca o amando de verdade. Seu único companheiro era o poder, mas isso o deixava vazio. Ele não sabia mais o que era o amor, a amizade, a aceitação. Ele se afastara tanto disso tudo que não sabia como seria possível retornar.
Será que eu posso ser algo além disso?
Essa questão ficou ecoando em sua mente, e ele quase sentiu uma ponta de desespero. Ele não sabia o que significava ser alguém além do que ele havia se tornado. Tom Riddle ou Voldemort, os dois nomes soavam igualmente vazios agora. Ele se sentia preso em uma personagem que ele mesmo criara, para agradar os outros, para dominar, para conquistar, mas que não tinha mais sentido. Como ele havia se perdido nesse papel? Como ele poderia se encontrar novamente?
Ele fechou os olhos por um momento, a pressão crescendo em sua cabeça. Talvez a resposta fosse simples: ele não sabia quem ele era, porque nunca teve permissão para ser quem ele realmente poderia ser. A própria construção de sua vida tinha sido uma reação contra os outros, uma forma de se proteger do abandono, do sofrimento, da rejeição. Tudo o que ele fizera havia sido uma resposta àqueles que o descartaram, mas agora ele não sabia mais onde terminava o personagem e começava a pessoa que ele poderia ter sido.
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Herdeiro das trevas
Fiksi PenggemarQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
