Banho

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O sol da manhã filtrava-se pelas cortinas escuras do quarto, lançando uma luz suave sobre o ambiente. Harry piscou algumas vezes, sentindo a familiaridade do quarto de Tom e o calor confortável contra seu peito. Ao abaixar o olhar, encontrou Tom deitado ali, o rosto sereno enquanto dormia.

Os traços do Lorde das Trevas, geralmente tão calculados e frios, pareciam absurdamente delicados naquele momento. Os lábios de Tom estavam levemente entreabertos, formando um pequeno beicinho, como o de uma criança contrariada. Harry não conseguiu evitar o sorriso que surgiu em seu rosto. Ele soltou um riso baixo, quase inaudível, enquanto sua mão acariciava de leve os cabelos sedosos de Tom.

Tentando não incomodá-lo, Harry começou a se mover devagar, deslizando para sair da cama. No entanto, antes que pudesse se levantar completamente, sentiu algo agarrar seu pulso. Ele olhou para baixo, surpreso, e viu os longos dedos de Tom enlaçando-o com firmeza, apesar do sono. O rosto de Tom franziu-se ligeiramente, como se temesse que Harry fosse fugir.

— Não vá... — Tom murmurou com a voz rouca, ainda em um estado entre o sono e a vigília.

Harry deixou escapar uma risada curta, sentindo o coração aquecer com a vulnerabilidade inesperada de Tom. Ele se deixou cair de volta na cama, puxado por aquele toque, e viu os lábios de Tom relaxarem em um pequeno sorriso satisfeito.

— Você realmente não gosta de acordar sozinho, não é? — Harry perguntou em um tom brincalhão, mas baixo o suficiente para não perturbá-lo.

Tom abriu os olhos parcialmente, o azul deles brilhando sob a luz do amanhecer. Ele não respondeu, apenas se acomodou novamente no peito de Harry, apertando-o como se fosse um travesseiro.

— Você é quente. — Tom murmurou, com a voz ainda carregada de sono.

Harry riu, passando os braços ao redor do corpo mais magro de Tom. Ele inclinou-se levemente para beijar a testa dele, deixando-se levar pelo conforto daquele momento.

— Está bem, não vou a lugar nenhum. — Harry disse suavemente, ajustando-se melhor na cama.

Tom suspirou, como se aquela garantia fosse tudo o que ele precisava ouvir, e voltou a adormecer profundamente. Harry ficou ali, observando-o com um sorriso no rosto, sentindo-se estranhamente em paz. Pela primeira vez em muito tempo, ele percebeu que não precisava lutar contra tudo sozinho — eles tinham um ao outro agora.

O quarto estava silencioso quando Tom finalmente abriu os olhos. Ele piscou algumas vezes, ajustando-se à luz suave que preenchia o ambiente. O calor do corpo de Harry ao lado não estava mais ali, mas Tom sentia uma tranquilidade incomum ao perceber que estava verdadeiramente descansado. Com um suspiro longo, ele afastou os cobertores e se levantou, os pés descalços tocando o chão frio.

Tom caminhou até o banheiro com passos lentos, passando a mão pelos cabelos bagunçados. Ao acender a luz, o reflexo no espelho revelou um rosto ainda levemente pálido, mas muito mais vivo do que o habitual. Ele começou a abrir a torneira, deixando a água fria correr antes de lavar o rosto.

Logo em seguida, Harry apareceu na porta, apoiando-se casualmente no batente com os braços cruzados. Um sorriso brincava em seus lábios enquanto observava Tom.

— Seguindo-me até o banheiro agora, Potter? — Tom perguntou, a voz ainda um pouco rouca do sono, mas com um tom de provocação.

Harry riu suavemente, aproximando-se. — Achei que precisaria de ajuda, meu senhor das trevas. Não é todo dia que você fica doente.

Tom revirou os olhos, mas havia um leve sorriso em seu rosto. Ele enxugou o rosto com uma toalha e, sem aviso, jogou-a contra Harry, que pegou no ar com facilidade.

Herdeiro das trevas Histórias para pegar e não largar. Descubra agora