Harry se sentou na mesa da Grifinória para o café da manhã, sentindo o peso de mais uma noite mal dormida. Hermione estava ao seu lado, como sempre, tagarelando sobre os N.I.E.M.s com a ansiedade que só ela conseguia transmitir.
— Harry, você precisa começar a estudar mais para os N.I.E.M.s. Não pode deixar para a última hora! — ela dizia, enquanto empilhava livros ao lado do prato.
Ron, por outro lado, estava mais interessado em devorar o máximo de comida possível. Entre mordidas de torradas e goles de suco de abóbora, ele murmurava algo que Harry não tentou decifrar.
Harry ignorava os dois. Seus pensamentos estavam em outro lugar — no patrono, na mensagem, nas dúvidas que haviam crescido desde então. Ele mal tocava no prato à sua frente.
De repente, o som característico das corujas entrando no Salão Principal chamou a atenção de todos. Várias aves sobrevoaram as mesas, carregando cartas e pacotes, mas uma em particular chamou a atenção: um corvo grande e imponente.
O corvo pousou diretamente em frente a Harry, sua presença dominando o espaço ao redor. O animal soltou um grito ensurdecedor, que ecoou pelo salão e fez alguns alunos darem pequenos pulos de susto.
— Mas que diabos? — Ron murmurou, franzindo a testa para a ave.
Harry encarou o corvo, intrigado. Era raro receber algo que não viesse pelas tradicionais corujas.
— Obrigado, amiguinho. — disse ele, estendendo a mão com cuidado para pegar a carta presa na pata do corvo.
O olhar do corvo era profundo e enigmático, como se estivesse analisando Harry. Mesmo depois que o garoto pegou a carta, o animal permaneceu imóvel, os olhos fixos nele. Só então, com um movimento brusco, o corvo abaixou a cabeça e roubou uma fatia de pão do prato de Harry.
Ron soltou uma risada curta.
— Parece que até os corvos sabem que você não está comendo, Harry.
Hermione, no entanto, parecia desconfortável, observando o corvo com suspeita.
— Corvos não são usados para correspondência normalmente... Isso é estranho, Harry.
Harry abriu o envelope com cuidado, ignorando os comentários. O papel era grosso e de aparência antiga, com um selo que ele não reconhecia. Conforme desenrolava a carta, sentiu o olhar fixo do corvo, que agora mordiscava o pedaço de pão, sem nunca desviar os olhos dele.
O conteúdo da carta era curto, mas carregava um peso inegável:
"Caro Harry,
Há mais segredos do que você imagina.
Encontre-me ao cair da noite na Floresta Proibida.
Assinado, T.R."
O coração de Harry acelerou. Ele conhecia aquelas iniciais. Ele conhecia a presença que parecia pairar sobre cada palavra daquela mensagem.
Tom Riddle.
Harry olhou para o corvo, intrigado. Havia algo quase humano nos olhos profundos da criatura, algo que parecia desafiá-lo a entender uma mensagem não dita.
— Diga que sim. — Harry sussurrou, sem desviar o olhar.
O corvo inclinou a cabeça levemente e, com um movimento que parecia um aceno, concordou. Um último grito cortou o ar, um som estridente e carregado de intensidade, antes que o animal abrisse as asas negras e voasse para longe, desaparecendo no alto do Salão Principal.
O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Hermione e Ron o encaravam, boquiabertos.
— Isso foi estranho... — Hermione finalmente quebrou o silêncio, franzindo o cenho. — Quem usa um corvo para entregar cartas?
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Herdeiro das trevas
FanfictionQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
