Harry respirou fundo ao sair de seus aposentos. Ele precisava confrontar Snape. As memórias que acabara de presenciar na penseira haviam transformado tudo o que ele sabia sobre o passado, sobre seus pais, sobre o professor que ele tanto odiara. Agora, mais do que nunca, ele precisava de respostas.
Caminhando pelos corredores frios de Hogwarts, Harry sentiu seu coração acelerar. As palavras de James e as expressões de dor de Severus ainda ecoavam em sua mente. Havia tantas perguntas sem respostas. Quando finalmente alcançou a porta do escritório de Snape, hesitou por um momento. Era tarde, mas ele não podia esperar mais.
Empurrando a porta com cuidado, Harry entrou no escritório mal iluminado. O ambiente estava em silêncio, exceto pelo som suave da respiração de alguém. Harry olhou para frente e viu Snape adormecido em sua cadeira.
A cena o pegou de surpresa. O professor que sempre parecia rígido e impenetrável agora estava vulnerável. Ele segurava uma foto com as duas mãos, o rosto virado para ela, como se fosse seu maior tesouro. Mesmo à distância, Harry reconheceu o sorriso inconfundível de James na imagem.
Severus parecia exausto. Seu rosto mostrava sinais de lágrimas recentes, mas agora secas, marcando as bochechas pálidas. Ele parecia preso em um pesadelo acordado, murmúrios quase inaudíveis escapando de seus lábios.
— James... — Snape sussurrou, o som carregado de dor e saudade.
Harry engoliu em seco, sem saber o que fazer. Ele deveria acordar Snape? Perguntar o que sabia? Ou seria cruel perturbá-lo naquele estado? Seus olhos vagaram pelo escritório, tentando encontrar algo que pudesse guiá-lo. Foi então que algo chamou sua atenção.
O diário de Snape estava sobre a mesa, aberto em uma página específica. Harry hesitou, mas a curiosidade foi mais forte. Ele se aproximou silenciosamente, seus olhos fixos nas palavras escritas à mão.
"28 de outubro
É estranho escrever isso, mas não posso mais guardar dentro de mim. James sabia. Ele sabia de tudo. Da poção de amor, do controle de Dumbledore, do perigo que corríamos. E ainda assim, ele voltou para Lilian. Não porque queria, mas porque precisava protegê-la e ao filho. James me pediu para cuidar de Harry se algo acontecesse com ele. Não entendi na hora, mas agora sei: ele sabia que morreria naquela noite."
"James era tão corajoso... e tão tolo. Não consigo esquecer seu sorriso quando disse que eu era a única pessoa em quem ele confiava verdadeiramente. Eu o amava. E ainda o amo."
Harry sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele não sabia o que esperava encontrar, mas essas palavras atingiram algo profundo dentro dele.
De repente, Snape se mexeu, despertando. Seus olhos se abriram lentamente, e ele pareceu confuso ao ver Harry ali, parado tão perto do diário.
— Potter? — ele perguntou, sua voz rouca. Sua expressão rapidamente mudou para algo entre irritação e vulnerabilidade. — O que você está fazendo aqui?
Harry se endireitou, segurando o diário com as mãos trêmulas.
— Eu preciso saber, professor. Sobre James. Sobre o que aconteceu naquela noite.
Severus olhou para ele, seu olhar endurecendo.
— Não é da sua conta, Potter.
— É, sim! — Harry rebateu, a voz firme. — Ele era meu pai! Eu tenho o direito de saber!
Os dois se encararam por um momento, o silêncio preenchendo o espaço entre eles. Finalmente, Snape suspirou e passou a mão pelo rosto, como se estivesse cansado de lutar contra si mesmo.
— Muito bem. Mas saiba que a verdade nem sempre é fácil de ouvir.
Severus observou Harry por alguns instantes. Havia algo nos olhos do garoto que o lembrava tanto de James. Aquele mesmo brilho de determinação, misturado agora com dor e confusão. Ele fechou os olhos e respirou fundo antes de começar a falar.
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Herdeiro das trevas
Fiksi PenggemarQuando Harry Potter descobre que é a alma gêmea de Tom Riddle, segredos sombrios e traições vêm à tona. Unidos por um vínculo inesperado, eles planejam derrubar Dumbledore, expor mentiras do passado e reivindicar o poder que lhes foi negado. Entre d...
